segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O Caminho da Beleza 02 - II Domingo do Advento

O Caminho da Beleza 02
Leituras para a travessia da vida


“O conceito de sabedoria é aquele que reúne harmonicamente diversos aspectos: conhecimento, amor, contemplação do belo e, também, ao mesmo tempo, uma ‘comunhão com a verdade’ e uma ‘verdade que cria comunhão’, ‘uma beleza que atrai e apaixona’” (Francisco).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).



II Domingo do Advento                       07.12.2014
Is 40, 1-5.9-11                    2 Pd 3, 8-14                                    Mc 1, 1-8


ESCUTAR

Falai ao coração de Jerusalém e dizei em alta voz que sua servidão acabou e a expiação de suas culpas foi cumprida; ela recebeu das mãos do Senhor o dobro por todos os seus pecados (Is 40, 2).

O que nós esperamos, de acordo com a sua promessa, são novos céus e uma nova terra, onde habitará a justiça (2 Pd 3, 13).

Esta é a voz daquele que grita no deserto: “Preparai o caminho do Senhor, endireitais as suas veredas” (Mc 1, 3).


MEDITAR

Tomar consciência dos nossos medos nos permite superá-los e nos abrir a um mundo de possibilidades. Ao cessar de duvidar de nós mesmos encontramos ao mesmo tempo a coragem de assumir nossos erros (François Gervais).

Pelo amor de Deus, eu vos suplico: não tenhais medo de Deus, pois Ele não vos deseja nenhum mal. Ao contrário, amai-O com todas as vossas forças, porque Ele vos ama infinitamente (Padre Pio).


ORAR

João, o Batista não é certamente um tipo fascinante para angariar simpatias e alcançar popularidade. No deserto, a palavra provoca o silêncio e não os aplausos. João, para proclamar o único necessário, despoja-se de todas as vaidades e usa a linguagem da simplicidade e não a do espalhafatoso. João não precisa falar de si mesmo, pois sua austeridade de vida e a seriedade de sua existência o tornam digno de confiança. João fala no deserto porque o deserto é a sua grande e incrível possibilidade: no deserto se realiza o encontro decisivo e pelo deserto passa o caminho do Senhor. João semeia a interrogação e as inquietudes, acende um desejo, suscita uma espera e solicita uma busca. Não tem a pretensão de entregar o Cristo, pois não O possui. É Judas quem O entregará. João dirá simplesmente que é o “amigo do Esposo” (Jo 3, 29). Temos que fazer alguma coisa para não perder o encontro. Os vales, abismos de insignificância, deverão ser preenchidos; montes e colinas de presunção devem ser rebaixados; terrenos acidentados deverão ser aplainados. Tudo isto nos prepara para o encontro e para que possamos antecipar os “novos céus e uma nova terra onde habita a justiça”. O Senhor, diz Pedro, está “usando de paciência para convosco, pois não deseja que ninguém se perca”. Para nós, sempre apressados, a paciência tem limites. No entanto, a paciência de Deus não os conhece e se esgota unicamente no exato instante em que aceitamos ser perdoados. O apelo de João para o batismo de conversão é o apelo para rejeitar uma vida de aparência, a fim de se colocar em busca do que é essencial e verdadeiro; de ousar pensar aquilo que jamais ousamos pensar. Somos muito mais ricos do que pensamos ser. Nossa alma é infinitamente mais bela do que imaginamos e nossa vida é plena de possibilidades. No meio do deserto, numa sede insaciável de Deus, João nos chama a sermos artesãos de nossas existências e nos oferece a sensatez do provérbio: “Beba abundantemente da água que brota do teu poço” (Pr 5, 15). E assim, convertidos à verdadeira essência que nos habita e consome, preparamos o caminho no deserto para o Menino que será um mistério entre os que O conhecerão, pois “Nele existia uma vontade mais profunda de estar à disposição dos homens com toda a sua humanidade divina” (Urs von Balthasar). Jesus vem para testemunhar que diante do que é humano temos somente duas atitudes: servir-me dele para dominá-lo ou servindo-o, despertá-lo para a sua mais ampla humanidade, que é divina.


CONTEMPLAR

Madona e Criança e o Jovem São João Batista, c. 1490-95, Sandro Boticelli (1445-1510), têmpera sobre tela, 134 cm x 92 cm, Palácio Pitti, Florença, Itália.





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