Entristecidos mas sempre alegres, pobres mas enriquecendo a
muitos, nada tendo mas possuindo tudo (2 Cor 6, 10).
XI Domingo do Tempo Comum
Ez 17, 22-24 2
Cor 5, 6-10 Mc 4,
26-34
ESCUTAR
“Eu sou o Senhor que abaixo a árvore alta e elevo a
árvore baixa; faço secar a árvore verde e brotar a árvore seca. Eu, o Senhor,
digo e faço” (Ez 17, 24).
Caminhamos na fé e não na visão clara (2 Cor 5, 7).
“A semente vai germinando e crescendo, mas ele não
sabe como isso acontece” (Mc 4, 27).
MEDITAR
Não desfaleças, deixa-te absorver pelo amor. Não podes
saber para onde te levo... Não esperes, sobretudo, velhice tranquila, pacífica,
considerada. Teu caminho é luta sem tréguas, até o fim, até o impossível.
(J. L. Lebret)
Eu que sou Divino estou verdadeiramente em ti. Jamais
poderei ser separado de ti: por mais que sejamos afastados, jamais poderemos
ser separados. Eu estou em ti e tu estás em Mim. Não poderíamos estar mais
próximos. Nós dois estamos fundidos em um só, derramados em um único molde.
Assim, infatigáveis, permaneceremos para todo o sempre.
(Metchild de Magdeburg)
ORAR
Somos chamados a recuperar
os valores autênticos da pequenez, da obscuridade, da debilidade, da pobreza e
da fragilidade. O Senhor elege as realidades mais humildes para realizar seus
desígnios de grandeza imensuráveis segundo critérios e medidas humanas. A
parábola de hoje nos fala de um processo germinal interno de cada pessoa e
sociedade. Jesus semeia o Reino pregando o evangelho. Ele não se preocupa em
conduzir a colheita e nem se ela acontecerá imediatamente. O desenvolvimento
misterioso do Reino é assunto de Deus, pois é a sua obra e o seu segredo. Somos
convidados a superar a impaciência, o imediatismo e os frenesis das soluções
miraculosas. O Reino irrompe no meio de nós sem o sensacionalismo dos
espetáculos, mas numa permanente ação silenciosa. A palavra-chave é “ele não
sabe como isso acontece”, ou seja, não entendemos nada e sabemos menos ainda. É
o grande sorriso de Deus sobre nós, e como diz o Papa Francisco: “É preciso
deixar que Deus nos surpreenda”. Assim é o amor de Deus: na fragilidade se
revela forte e faz do impossível o possível. As transformações profundas que
revelam a presença de Deus vêm dos pequenos, dos últimos e dos insignificantes.
Deus se faz presente não porque a sociedade se torna mais religiosa, mas porque
se faz mais humana, mais justa e solidária. Deus não reina porque as igrejas
estão cheias, nem porque os movimentos religiosos se espalham nas praças, nas
praias, nas marchas e passeatas. Deus reina porque e quando os homens e
mulheres são mais honrados e mais respeitados na sua dignidade e em seus
direitos diversos e plurais. Meditemos as palavras do Papa Leão XIV: “construir
um mundo onde todos possam ‘florescer’ exige [...] uma corresponsabilidade
corajosa. Nenhuma mão, sozinha, é suficiente para aguentar o peso dos desafios
que assolam o mundo; e nenhuma mão é tão fraca que não possa dar a sua
contribuição: ‘A força manifesta-se na fraqueza’ (2 Cor 12, 9)” (Magnifica Humanitas).
(Manos da Terna Solidão/Pe. Paulo Botas, mts e Pe.
Eduardo Spiller, mts)
CONTEMPLAR
Homem debaixo
da grande árvore de mostarda, Si Le, aquarela, dreamstime.com,
acessado em 10.06.2026.