Homilias

XXXII Domingo do Tempo Comum                 12.11.2017

O que é a sabedoria? O mero acúmulo de conhecimento não lhe abre as portas. Ela não se encontra somente nas universidades, igrejas e templos. Ela é oferecimento e busca: “Ela é facilmente contemplada por aqueles que a amam, e é encontrada por aqueles que a procuram”. Devemos tomar a iniciativa porque a sabedoria é a base de todo despertar espiritual e existencial. Ela é como o azeite conduzido pelas noivas prudentes. É viçosa, lubrifica, intumesce, tem sabor e cheiro e dá a luz que ilumina a nossa travessia.

 No evangelho de hoje, a sabedoria é o azeite que conduz à atenção e vigilância. Ela é a essência do agir cristão. Cristo não nos pede que renunciemos ao descanso, mas que tenhamos a sabedoria de romper com tudo que se opõe à vida e à luz. A vigilância é a capacidade de acolher o momento presente, pois a esperança não se encontra fora do tempo.

De nada nos adianta a lâmpada da fé se não a alimentamos sempre com a sabedoria da atenção e do amor. O teólogo alemão Dietrich Bonhöeffer afirma que “nós, cristãos, não poderemos jamais pronunciar a última palavra da fé se antes não tivermos pronunciado a penúltima palavra da justiça e da compaixão”.

É necessário viver com autenticidade a plenitude de cada instante em nossa vida. A sabedoria é o sinal luminoso da espera vigilante e da capacidade de agir e não se omitir no tempo oportuno. O papa Pio XI, na sua encíclica contra o nazismo, em 1937, escreveu: “Não são as forças negativas da civilização o grande problema do nosso tempo, mas sim a letargia de suas boas pessoas”.

Deus se atrasa porque, paradoxalmente, é a sua característica de ser pontual. Deus é urgente sem pressa. O noivo demora e não sabemos o dia e nem a hora da sua chegada. Deus sempre chega pontualmente, mas por meio de uma sucessão interminável de atrasos e imprevistos em relação aos nossos vorazes relógios.  

A vida é eterna não por causa da sua duração indefinida, mas pela sua qualidade indestrutível. Ser fiel é se entregar aos outros e esta atitude não pode ser tomada de última hora e improvisadamente. O Cristianismo não é prática de vida reservada para a hora da morte. Não é uma imprudência. Para os imprudentes fecham-se as portas e ouve-se somente o veredicto: “Não vos conheço!”.

Neste instante emprestado que chamamos Vida, que nos foi destinado, busquemos sempre a sabedoria da atenção e da disponibilidade para com o outro. Fujamos da letargia e tenhamos a prudência da noiva do Cântico dos Cânticos quando diz para si: “eu durmo, mas o meu coração vigia” (Ct 5, 2).