quarta-feira, 27 de maio de 2026

O Caminho da Beleza 30 - Santíssima Trindade

Entristecidos mas sempre alegres, pobres mas enriquecendo a muitos, nada tendo mas possuindo tudo (2 Cor 6, 10).


Santíssima Trindade               

Ex 34, 4b-6.8-9                 2 Cor 13, 11-13                   Jo 3, 16-18

 

ESCUTAR

Moisés gritou: "Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel” (Ex 34, 6).

Irmãos, alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco (2 Cor 13, 11).

Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna (Jo 3, 16).

 

MEDITAR

Quem não consegue mais ouvir o irmão, em breve também não conseguirá mais ouvir a Deus. Estará sempre falando, também, perante Deus. Aqui começa a morte da vida espiritual, e no fim restará só o palavreado piedoso, a condescendência clericalesca que sufoca com palavras piedosas.

(Dietrich Bonhoeffer)

Não é o clero, mas sim a comunidade, a Igreja concretamente reunida, que celebra a Ceia comemorativa na qual o Senhor se faz presente e incorpora os reunidos transformando-os em seu próprio corpo.

(Hans Urs von Balthasar)

 

ORAR

     A Trindade revela o dinamismo vital que faz a comunidade eclesial viver. A comunidade deve ser o lugar de visibilidade em que não temos medo da verdade seja qual for e onde cada um reconhece o direito de expressar livremente o seu pensamento e o de fazê-lo com coragem. Numa comunidade em que as murmurações e as dissimulações correm soltas pelos becos e bares, elas só poderão ser superadas por uma reciprocidade respeitosa e lúcida. A comunidade cristã não se basta a si mesma, mas deve buscar a comunhão: “Tende os mesmos sentimentos de Cristo Jesus” (Fl 2, 5). A comunidade sem comunhão é uma esquálida referência e uma casca vazia de conteúdo. A comunidade eclesial não é uma simples justaposição de pessoas que temem acolher-se, reciprocamente, na verdade: “Alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia e vivei em paz”. A comunidade não é uma uniformidade niveladora, quase sempre pela rasura, mas a comunhão de pessoas plurais e diversas. O primado da comunidade não é a disciplina, mas o amor. A dinâmica vital da comunidade é a fraternidade que se converte no sinal do amor do Pai, revelado pelo Filho e infundido em nossos corações no Espírito. Ela testemunha e proclama o nome de Deus como revelado a Moisés: “Misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”. Se a comunidade cristã não reflete o amor trinitário, desaparece o sinal específico do amor e ela se reduz a um espelho que não reflete nenhuma imagem. Quando afirmamos o primado do amor na comunidade, valorizamos a centralidade da pessoa e a valorização das diferenças. O amor é dinâmico: expande-se e circula. Somos tentados a forjar um Deus à nossa imagem e conceituá-lo como o contrário do homem e, por esta razão, contentamo-nos com a acomodação de encerrar Deus num puro ato de contemplação e numa suposta e feliz autossuficiência. A Boa Nova da revelação da Trindade é que existem diferenças entre si e, portanto, a vida divina não se define como um eterno retorno narcisista sobre si, pelo êxtase. Cada pessoa só existe em relação às outras pessoas e é esta relação que as constitui como diferentes. É uma dança amorosa que jamais termina, pois nela a comunhão brota da interdependência e da intercomunicação. Meditemos as palavras de Emmanuel Mounier: “Eu preciso do olhar dos meus amigos para saber quem eu sou”.

(Manos da Terna Solidão/Pe. Paulo Botas, mts e Pe. Eduardo Spiller, mts)

 

CONTEMPLAR

Saltos do Barco, 2020, Malásia, Igor Atuna (1966-), Arrasate-Mondragón, Espanha, Siena International Photo Awards 2021.





quarta-feira, 20 de maio de 2026

O Caminho da Beleza 29 - Pentecostes

Entristecidos mas sempre alegres, pobres mas enriquecendo a muitos, nada tendo mas possuindo tudo (2 Cor 6, 10).


Pentecostes           

At 2, 1-11                  1 Cor 12, 3b-7.12-13                    Jo 20, 19-23

 

ESCUTAR

Todos ficaram confusos, pois cada um ouvia os discípulos falar em sua própria língua (At 2, 6).

A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum (1 Cor 12, 7).

E depois de ter dito isso, soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo” (Jo 20, 22).

 

MEDITAR

Deve-se estar sempre embriagado. Nada mais conta. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que esmaga os vossos ombros e vos faz pender para a Terra, deveis embriagar-vos sem tréguas. Mas de quê? De vinho, de poesia ou de ternura, à vossa escolha. Mas embriagai-vos. E se algumas vezes, nos degraus de um palácio, na erva verde de uma vala, na solidão baça do vosso quarto, acordais já diminuída ou desaparecida a embriaguez, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, à ave, ao relógio, a Deus, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, a ave, o relógio e Deus vos responderão: “São horas de vos embriagardes! Para não serdes os escravos martirizados do Tempo, embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de ternura, à vossa escolha”.

(Charles Baudelaire)

É isto, o espírito. Esta capacidade de não submeter sua existência, mas de assumi-la no amor para fazer dela uma oferenda luminosa e universal.

(Maurice Zundel)

 

ORAR

     Tentemos deixar fluir ao menos uma vez na vida o sopro do Espírito no meio e dentro de nós. Deixemos que sejam varridos das cabeças todos os símbolos do poder: coroas, solidéus, mitras com todas as máscaras e disfarces que ornam as liturgias do poder. Permitamos que o sopro arranque as páginas dos nossos códigos, que leve para o mais longe as sandices dos nossos discursos políticos, sociais e religiosos e assistamos ao fogo se ocupar de queimá-los para que nunca mais pretendam dosificar a sua força. Com certeza, será um ganho para todos nós. Ele não sopra para garantir a ordem, para avalizar decisões que prejudiquem o Bem Comum e nem desempenha a função de juiz em nossos jogos com as regras determinadas por nós e para o nosso sucesso. Façamos, ao menos uma vez, com plena confiança no Espírito da Liberdade, a prova de acolher este mesmo Espírito como elemento perturbador, verdadeira inspiração, desmonte das regras fixadas de antemão e portador de coisas jamais vistas, ouvidas e experimentadas antes. Tenhamos a coragem de sermos habitados pelo vento e pelo fogo. É o Espírito da Verdade que vem a nós e nos produz como homens e mulheres que não temem as travessias plurais da vida. O Ressuscitado abre o futuro, abre a porta e abre a esperança do possível. Pentecostes é a festa de todos os possíveis. O Espírito acende em nós uma paixão e uma nova criação nasce de um colossal incêndio que nos deixa enamorados e nos surpreende com as palavras apaixonadas que por falso pudor nunca nos permitimos, publicamente, dizer. O Espírito – vento e fogo – rompe os limites das alcovas e das salas e brinca, diverte-se e ri da nossa sisudez e pretensa seriedade. Vento e fogo são incontroláveis, imprevisíveis e a nova aliança que trazem nos faz orbitar fora de nós e encontrar os outros conhecidos e desconhecidos num abraço amoroso e livre. Os discípulos foram considerados embriagados, pois novamente despertavam entusiasmados (cheios de Deus) para anunciar, em todas as línguas, as maravilhas do Senhor. Toda a tentativa de administrar a ação do Espírito e falar em seu nome será um contrassenso. O Espírito de Jesus se encontra na oração, na solidariedade, no perdão, na palavra comprometida e na misericórdia que superam todas as fórmulas e as frases de conveniência, os conselhos moralizantes e as respostas pré-fabricadas. Jesus nos fala de um pecado contra o Espírito que nunca terá perdão. É a blasfêmia de conceder ao Espírito apenas um sussurro e uma sutil e vigiada fissura ao invés de janelas e portas abertas dos corações. O pecado irreparável é a pretensão de falar da coragem cristã e oferecer ao Espírito um pouco menos da metade de todo o resto que concedemos ao medo e à angústia. O pecado sem perdão é falar de Pentecostes sem nunca nos permitir experimentar e viver até as últimas consequências a sua embriaguez.

(Manos da Terna Solidão/Pe. Paulo Botas, mts e Pe. Eduardo Spiller, mts)

 

CONTEMPLAR

Nuvens flamejantes, 2013, autor possível wildflower1555 folders, alphacoders.com, local desconhecido.




quarta-feira, 13 de maio de 2026

O Caminho da Beleza 28 - Ascensão do Senhor

Entristecidos mas sempre alegres, pobres mas enriquecendo a muitos, nada tendo mas possuindo tudo (2 Cor 6, 10).


Ascensão do Senhor                 

At 1, 1-11                  Ef 1, 17-23               Mt 28, 16-20

 

ESCUTAR

Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não podiam mais vê-lo (...) “Homens da Galileia, porque ficais aqui, parados, olhando para o céu?” (At 1, 9.11).

Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar à sua direita nos céus (Ef 1, 20).

“Ide ao mundo inteiro... Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 19-20).

 

MEDITAR

A pessoa humana é o valor absoluto para Deus porque ela O contém. Na verdade, é um grande mistério: Deus entre os homens, Deus com eles, Deus neles. Nossa dignidade é de Lhe pertencer. Desde o Natal, somos construídos com a mesma matéria do Reino.

(Françoise Burtz)

O que conta não é o que damos, mas o amor com que damos.

(Madre Teresa de Calcutá)

 

ORAR

O evangelista Mateus permanece fiel ao seu tema de fundo anunciado desde o início do seu evangelho: Deus Conosco. A impossibilidade, de agora em diante, de ver o Cristo com nossos olhos, substancialmente não muda nada, pois Deus continua conosco. Não devemos pensar que a dinâmica de Jesus é a de uma chegada, de uma permanência e de uma partida. A dinâmica de Jesus é a de uma chegada e a de uma presença continuada ainda que de formas diversas. Não é mais Jesus quem atua fisicamente entre nós. Jesus nos pede que façamos e anunciemos a sua presença no meio de nós. A frase chave é “Ide e fazei!”. Neste domingo não comemoramos a “partida” do Mestre, mas a nossa partida, pois somos nós que devemos garantir a sua presença no mundo. Há uma solene investidura: é urgente partir uma vez que o Evangelho deve começar a sua aventura no mundo. A promessa de que o Cristo estará conosco “todos os dias, até o fim do mundo”, desafia a sua Igreja a não banalizar esta presença eficaz e obscurecê-la. Somos chamados a nos encarnar, ou seja, ser uma carne real numa história real; a realizar a missão de anunciar a Boa Nova do Reino; a carregar os pecados do mundo sem ficar, de fora, olhando o que acontece aos seres humanos; e finalmente, ressuscitar dando a todos um quinhão de vida, esperança e gozo. A missão da Igreja de Jesus se inicia com uma partida. Não se trata de multiplicar viagens e atividades, mas dar intensidade e visibilidade evangélica à própria existência. O princípio estruturante da Igreja deve ser o mesmo da vida de Jesus: a misericórdia. É a misericórdia que deve atuar na Igreja de Jesus e configurá-la. Não somos chamados a construir uma comunidade como recordação e ficarmos parados olhando para o céu, pois esta atitude pode nos conduzir a buscar em lugares equivocados e nos emperrar o caminho: “Por que procurais entre os mortos aquele que está vivo?” (Lc 24, 5). Não se trata de congelar lugares especiais e criar peregrinações, mas descobrir juntos, num ponto qualquer do mundo, o lugar e o rosto em que Jesus está presente na terra. A ascensão é um apelo para seguir agindo e esperando apesar das decepções, desenganos e desalentos que nos ameaçam. Somos chamados a “remir os tempos porque os dias são maus” (Ef 5, 16), a ter paciência “até que venha o Senhor” (Tg 5, 7), a resistir como Jó para conhecer “o desfecho que Deus lhe proporcionou, pois o Senhor é compassivo e misericordioso” (Tg 5, 11) e testemunhar que “a paciência engendra a esperança” (Rm 5,4). Entre o dom do Espírito Santo e o acontecimento definitivo do Reino existe uma espera que é o tempo do testemunho e de proclamar a Boa Nova a toda Humanidade. O Evangelho começa e termina em Jerusalém. Os Atos começam em Jerusalém e terminam em Roma, ponto de encontro de todos os caminhos do mundo conhecidos na época. O Novo Testamento ultrapassa as fronteiras de Israel e o céu de Jesus é a participação plena na vida do Amor e na construção de comunidades que amam e se colocam abertas ao mundo, servindo a todos sem discriminação. Uma Igreja samaritana marcada e animada pelo princípio da misericórdia é a que deve ser presença no mundo de hoje. Que neste domingo tenhamos a lucidez de proclamar que o Espírito de Jesus não é privilégio dos cristãos, mas de todos os homens e mulheres: “De fato, todos nós judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo e todos nós bebemos de um único e mesmo Espírito” (1 Cor 12, 13).

(Manos da Terna Solidão/Pe. Paulo Botas, mts e Pe. Eduardo Spiller, mts)

 

CONTEMPLAR

S. Título, 2011, Vale Omo, Etiópia, Goran Jovic (1984-), Croácia.



quarta-feira, 6 de maio de 2026

O Caminho da Beleza 27 - VI Domingo da Páscoa

Entristecidos mas sempre alegres, pobres mas enriquecendo a muitos, nada tendo mas possuindo tudo (2 Cor 6, 10).


VI Domingo da Páscoa

At 8, 5-8.14-17                  1 Pd 3, 15-18                      Jo 14, 15-21

 

ESCUTAR

“Era grande a alegria naquela cidade” (At 8, 8).

“Amados, santificai em vossos corações o Senhor Jesus Cristo e estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir” (1 Pd 3, 15).

“Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai e eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14, 21).

 

MEDITAR

O beato João Evangelista, enquanto passeava em Éfeso os últimos anos da sua existência, era levado com dificuldade à igreja no braço dos seus discípulos e não podia falar muito, nem dizer em cada homilia outra coisa além disso: “Filhinhos, amai-vos uns aos outros”. Até que um dia os irmãos e os discípulos que estavam presentes, aborrecidos de tanto escutar sempre as mesmas palavras, perguntaram-lhe: “Mestre, por que dizes sempre isso?”. E ele respondeu com uma sentença digna de João: “Porque é o mandamento do Senhor e, se só isso fosse observado, bastaria”.

(São Jerônimo)

Um único olhar, um único pensamento, um único batimento do coração têm uma dimensão infinita. O Amor transfigura todos os cálculos e estatísticas. Não somos mais uma gota impessoal no oceano, mas uma vida insubstituível e um destino que tem o seu próprio valor.

(André Dupleix)

 

ORAR

     Jesus não nos deixa o legado de uma doutrina, um manual de instruções e muito menos um código de conduta. Jesus nos deixa um desejo, um único desejo: que nos amemos! A Igreja é a Igreja de Cristo não por ser o lugar da obediência, da disciplina, da organização perfeita, mas por ser uma comunidade de amor. Não temos nenhum certificado de autenticidade cristã, apenas uma condição: “Se me amais...”. Somente àquele que ama será dado o Espírito defensor, o Espírito da verdade que continuará em nós a presença do Cristo: “Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós”. Não necessitamos de excursões a vários santuários para encontrar vestígios do divino, pois o divino está dentro de nós, somos templos de Deus (1 Cor 3, 16). A verdadeira desgraça é que estamos dispostos, custe o que custar, a irmos aos lugares mais distantes para ver o Senhor e temos medo de ir ao lugar mais próximo: o centro de nós mesmos, o nosso coração. A Igreja do Cristo é uma igreja do amor fraterno, da terna tolerância que é o nome da generosidade. É uma Igreja da coerência em que estaremos sempre prontos a dar razão da nossa esperança a quem nos pedir. O Espírito Santo assume uma dupla função. No interior da comunidade, mantém viva e interpreta a mensagem do Cristo: “O Valedor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos disse” (Jo 14, 26); e sustenta os fiéis no seu confronto com o mundo, ajudando-os a decifrar o sinal dos tempos e o sentido da História. É vital abrir as portas da comunidade e dos corações à ação do Espírito dado pelo Cristo Pascal. O Pai, o Cristo, o Espírito e nós somos vinculados por um amálgama de amor, pois no Evangelho domina a categoria do encontro, da aliança e da comunhão e, mais do que nunca, a liberdade, a paz, a justiça e a reconciliação não podem ser privatizadas. Não devemos ter medo de anunciar as exigências concretas da verdade evangélica, pois só ela pode romper a comodidade de uma tradição religiosa multissecular e a ilusão de que nós, católicos apostólicos romanos, pertencemos à religião mais poderosa do mundo. A verdade de Deus humaniza a todos senão não é a verdade de Deus. E a verdade de Deus é buscar, em primeiro lugar, o seu Reino e a sua justiça (Mt 6, 33). O Papa Bento XVI nos exortava: “A fonte do Espírito é Jesus. Quanto mais penetramos em Jesus, tanto mais realmente penetramos no Espírito e este penetra em nós”.

(Manos da Terna Solidão/Pe. Paulo Botas, mts e Pe. Eduardo Spiller, mts)

 

CONTEMPLAR

Carisma, s. d., Yvonne Bell, pintura sobre seda, Northamptonshire, Reino Unido.