quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O Caminho da Beleza 11 - V Domingo do Tempo Comum

Muitos pensam de modo diferente, sentem de modo diferente. Procuram Deus ou encontram Deus de muitos modos. Nesta multidão, nesta variedade de religiões, só há uma certeza que temos para todos: somos todos filhos de Deus. Que o diálogo sincero entre homens e mulheres de diferentes religiões produza frutos de paz e de justiça.
(Papa Francisco, 2016)

Não temos um só Pai? Não nos criou um mesmo Deus? Por que trabalhamos tão perfidamente uns contra os outros?
(Ml 2, 10)

V Domingo do Tempo Comum                     05.02.2017
Is 58, 7-10               1 Cor 2, 1-5             Mt 5, 13-16


ESCUTAR

Se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo o socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia (Is 58, 10).

A minha palavra e a minha pregação não tinham nada dos discursos persuasivos da sabedoria...para que a vossa fé se baseasse no poder de Deus, e não na sabedoria dos homens (1 Cor 2, 5).

Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso pai que está nos céus (Mt 5, 16).


MEDITAR

Ma-tsu, na época, morava no mosteiro e estava sempre absorto em meditação. Seu Mestre, consciente de sua capacidade extraordinária,... perguntou-lhe:
--- Com que objetivo você está sentado em meditação?
--- Quero tornar-me um Buda. --- Mat-su respondeu.
Ouvindo isso, o Mestre pegou uma telha e pôs-se a esfregá-la em uma pedra.
--- O que está fazendo, Mestre? --- Mat-su perguntou.
--- Estou polindo esta telha para fazer um espelho --- replicou Huai-jang.
--- Como você pode fazer um espelho polindo uma telha? --- exclamou Ma-tsu.
--- Como alguém pode se tornar um Buda permanecendo sentado em meditação? --- contrapôs o Mestre.

(Zen-Budismo)


ORAR

O tema da luz é dominante na liturgia de hoje. A luz brilha a partir de gestos concretos como a casa que abriga, a esperança restaurada, a preocupação com a dor alheia e o pão sempre repartido. A luz brilha quando nos abstemos da maledicência, das fraudes e das difamações. A luz só pode ser oferecida aos outros pela modéstia e pela delicadeza. A sabedoria de Deus está na loucura da Cruz e está intimamente ligada ao sal e à luz. O sal que não perde o sabor e evita o apodrecimento é como a loucura dos paradoxos evangélicos e para sermos a luz do mundo não devemos ter a pretensão de brilhar com luz própria, mas desterrar a banalidade e a obscuridade com uma migalha abundante de loucura. A salvação da humanidade está na aparição do Homo Demens, daquele que sai da casca da racionalidade, do cálculo, das prudências táticas, do justo meio e empreende, decididamente, o caminho do exagero, do excesso e da provocação. O cristão é o homo demens, por excelência. O papa Francisco nos convoca a fazer confusão, a sair da acomodação, para nos desinstalarmos e nos colocarmos a caminho. O Cristo anuncia: “Vim para que tenham vida, mas vida em abundância” (Jo 10, 10). O mundo não precisa de beatos de pescoço retorcido, nem de intelectuais refinados, mas de homens e mulheres entusiasmados, cheios de Deus, loucos capazes de realizar gestos insólitos, surpreendentes pela sua ousadia e escandalosos na sua liberdade. As bem-aventuranças são uma desconcertante sinfonia dos loucos e a expressão mais perfeita da loucura evangélica. O cristianismo está doente de rigidez, de compostura, de prumo e de sisudez. “Os seus o ouvem e saem para agarrá-lo. Sim, eles dizem: Ele está fora de si” (Mc 3, 21). Perdemos a alegria, o encantamento e o arrebatamento que nos traz a descoberta do amor fraterno. Todos os que procuram viver do amor cristão ardem entre Deus e o mundo, com Deus para o mundo, como representantes do mundo para Deus, e ardem sempre no interior da Comunhão dos Santos (cf. Balthasar). Não somos embalsamadores de múmias e nem cegos que guiam outros cegos. O Cristo nos chama a estarmos presentes na sociedade pelo testemunho pessoal e pela acolhida das pessoas. O Cristo despreza a presença chamativa dos nossos templos, santuários e catedrais; vira o rosto para os nossos rituais espetaculares que enchem os olhos e amortecem os espíritos; sorri, sem graça, para as concentrações massivas de padres, bispos, cardeais que ostentam o impactante poder, mas estão exilados da realidade das ruas, dos becos e das praças. Jesus vai mais ao fundo da vida onde o sal e a luz jamais se ocultam e nem se dissimulam, pois é a força da vida que brota em nós, em Espírito e em Verdade, que convence e seduz.

CONTEMPLAR

S. Título, anônimo, acessado em pt.pinterest.com




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