segunda-feira, 22 de julho de 2019

O Caminho da Beleza 36 - XVII Domingo do Tempo Comum


Já não quero dicionários consultados em vão. Quero só a palavra que nunca estará neles nem se pode inventar. Que resumiria o mundo e o substituiria. Mais sol do que o sol dentro do qual vivêssemos todos em comunhão, mudos, saboreando-a.

(Carlos Drummond de Andrade)


XVII Domingo do Tempo Comum              28.07.2019
Gn 18, 20-32                      Cl 2, 12-14               Lc 11, 1-13


ESCUTAR

“Se eu encontrasse em Sodoma cinquenta justos, pouparia por causa deles a cidade inteira” (Gn 18, 26).

Irmãos, com Cristo fostes sepultados no batismo; com ele também fostes ressuscitados por meio da fé (Cl 2, 12).

“Pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto” (Lc 11, 9).


MEDITAR

Dá-nos, Senhor, a coragem dos recomeços. Mesmo nos dias quebrados, faz-nos descobrir limiares límpidos. Não nos deixe acomodar ao saber daquilo que foi: dá-nos largueza de coração para abraçar aquilo que é... Torna-nos atônitos como os seres que florescem. Torna-nos livres, deslumbrantemente insubmissos. Torna-nos inacabados como quem deseja e de desejo vive. Torna-nos confiantes como os que se atrevem a olhar tudo, e a si mesmos, uma primeira vez.

(José Tolentino Mendonça, 1965-, Portugal)


ORAR

            Quiçá a tragédia mais grave do homem de hoje seja sua incapacidade crescente para a oração. Estamos nos esquecendo do que é orar. Temos reduzido o tempo dedicado à oração e à reflexão interior. Às vezes, a excluímos praticamente de nossa vida. Mas isso não é o mais grave. Parece que as pessoas estão perdendo a capacidade do silêncio interior. Já não são capazes de encontrar-se com o fundo de seu ser. Distraídas por mil sensações, embotadas interiormente, estão abandonando a atitude orante a Deus. Por outra parte, em uma sociedade em que se aceita como critério primeiro e quase único a eficácia, o rendimento ou a utilidade imediata, a oração fica desvalorizada como algo inútil. Facilmente se afirma que o importante é “a vida”, como se a oração pertencesse ao mundo da “morte”. No entanto, precisamos orar. Não é possível viver com vigor a fé cristã nem a vocação humana infra-alimentados interiormente. Cedo ou tarde, a pessoa experimenta a insatisfação que produzem no coração humano o vazio interior, a trivialidade do cotidiano, o tédio da vida ou a não comunicação com o Mistério. Necessitamos orar para encontrar silêncio, serenidade e descanso que nos permitam manter o ritmo de nosso fazer diário. Necessitamos orar para viver em atitude lúcida e vigilante em meio a uma sociedade superficial e desumanizadora. Necessitamos orar para enfrentar a nossa própria verdade e ser capazes de uma autocrítica pessoal sincera. Necessitamos orar para nos ir liberando do que nos impede de ser mais humanos. Necessitamos orar para viver diante de Deus em atitude mais festiva, agradecida e criadora. Felizes os que também em nossos dias são capazes de experimentar no profundo de seu ser a verdade das palavras de Jesus: “Quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá”.

(José Antonio Pagola, 1937-, Espanha)


CONTEMPLAR

Sorriso, 2016, Mosteiro Labrang Lamasery, Província de Gansu, China, Jianjun Huang, Siena International Photo Awards, China.




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