segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O Caminho da Beleza 13 - VI Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 13
Leituras para a travessia da vida


“O conceito de sabedoria é aquele que reúne harmonicamente diversos aspectos: conhecimento, amor, contemplação do belo e, também, ao mesmo tempo, uma ‘comunhão com a verdade’ e uma ‘verdade que cria comunhão’, ‘uma beleza que atrai e apaixona’” (Francisco).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).



VI Domingo do Tempo Comum                   16.02.2014
Eclo 15, 16-21                    1 Cor 2, 6-10                      Mt 5, 17-37



ESCUTAR

“Se quiseres observar os mandamentos, eles te guardarão; se confias em Deus, tu também viverás” (Eclo 15, 16).

“Nós falamos de uma sabedoria, não da sabedoria deste mundo nem da sabedoria dos poderosos deste mundo, que, afinal estão votados à destruição” (1 Cor 2, 6).

“Porque eu vos digo, se a vossa justiça não for maior que a justiça dos mestres da lei e dos fariseus, vós não entrareis no reino dos céus” (Mt 5, 20).



MEDITAR

“Não ponhas tua fé na mágica eficácia que podem ter os rituais religiosos, por mais que sejam rituais de pureza imaculada; nem ponhas tua fé na presumida e suposta salvação que brota do puritanismo dos intocáveis; nem nos conselhos que te dão os que querem ver-te que andas pela vida como pessoa irrepreensível; ponha tua fé somente no amor, ali onde o gozo inefável do carinho compartido se apalpa e se faz visível, onde os amantes se fundem num mesmo projeto e com uma só ilusão, a ilusão apaixonada e apaixonante de dar a vida e receber a entrega livre daquele que te quer sem interesse, porque eras tu, como és, sem mais” (Rudolf Bultmann).

“É preciso despojar tua oração. É preciso simplificar, desintelectualizar. Coloca-te diante de Jesus como um pobre, deixe tuas ideias, venha com a tua fé. Imobiliza-se diante do Pai num ato de amor” (Carlo Carreto).



ORAR

Os textos litúrgicos de hoje nos apelam à liberdade. A nova lei do Evangelho não é uma imposição, “Deves”, mas um “Se quiseres”. A vida não é impune, devemos decidir entre o fogo e a água; a vida e a morte: “Conheço tuas obras: não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente; mas, visto que és morno, nem frio nem quente, vou te vomitar da minha boca” (Ap 3, 15). As palavras do Cristo são fogo e não podemos atenuá-las. Se quisermos seremos abrasados por um desejo intenso, mas também poderemos recusá-lo. Jesus veio para dar plenitude à Lei antiga, levando-a às últimas consequências. Jesus é exigente não no sentido da quantidade, mas da radicalidade e da capacidade que temos de ir às raízes das coisas, sem sectarismos. Jesus evita as deformações do legalismo e do casuísmo, pois o formalismo religioso se preocupa exclusiva e obcecadamente com a boa conduta aparente, fixando e multiplicando normas e regras. A ética de Cristo se dirige, antes de tudo, à interioridade, ao coração do homem. “O cristão não é um homem da minúcia, mas da totalidade” (Cardeal Gianfranco Ravasi). Devemos escolher, a cada dia, entre a moral corrente dos “príncipes deste mundo”, que conduz à morte, e a ética do Cristo que é a expressão de uma sabedoria escondida e que nos será desvelada por meio do Espírito que mergulha nas profundezas de Deus e conduz à plenitude da vida. Sabedoria escondida que esquadrinha os desígnios do Pai; que nos faz intuir que as coisas excessivas Deus reserva, exclusivamente, para os que O amam. Finalmente, é preciso compreender que o “porque eu vos digo” do Cristo afeta somente os que buscam interiorizar outro discurso: o da linguagem secreta que é a do amor.



CONTEMPLAR


A Anunciação, Daniel Bonnell, 2011, óleo sobre tela, Igreja Católica da Sagrada Família, Carolina do Sul, Estados Unidos.



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