segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O Caminho da Beleza 52 - XXXIII Domingo do Tempo Comum

Muitos pensam de modo diferente, sentem de modo diferente. Procuram Deus ou encontram Deus de muitos modos. Nesta multidão, nesta variedade de religiões, só há uma certeza que temos para todos: somos todos filhos de Deus. Que o diálogo sincero entre homens e mulheres de diferentes religiões produza frutos de paz e de justiça.
(Papa Francisco, 2016)

Não temos um só Pai? Não nos criou um mesmo Deus? Por que trabalhamos tão perfidamente uns contra os outros?
(Ml 2, 10)

XXXIII Domingo do Tempo Comum                     19. 11.2017
Pr 31, 10-13,19-30.30-31                      1 Ts 5, 1-6                Mt 25 14-30


ESCUTAR

Abre suas mãos ao necessitado e estende suas mãos ao pobre (Pr 31, 20).

Não durmamos, como os outros, mas sejamos vigilantes e sóbrios (1 Ts 5, 6).

Todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância (Mt 25, 29).


MEDITAR

Digo ao senhor: tudo é pacto. Todo o caminho da gente é resvaloso. Mas também cair não prejudica demais – a gente levanta, a gente sobe, a gente volta! Deus resvala? Mire e veja. Tenho medo? Não. Estou dando batalha...O sertão tem medo de tudo. Mas eu hoje em dia acho que Deus é alegria e coragem – que Ele é bondade adiante... (João Guimarães Rosa).


ORAR

Não há espetáculo mais deprimente do que o de um cristão que esconde o seu talento, que mascara a sua fé e dissimula a sua pertença a Cristo ao sepultar a Palavra. Mais deprimente ainda é reduzir a Palavra a um moralismo barato ou a uma celebração triunfalista. Não há deformação mais vil do que a das igrejas que se isolam para contemplarem, satisfeitas, os talentos recebidos. Guardar não é o mesmo que semear e Deus tem o direito de nos pedir coragem, liberdade e responsabilidade. Nossa relação com Deus não pode ser reduzida a uma relação servil de uma miserável contabilidade de toma lá dá cá. A parábola dos talentos não é uma estória de medos e ameaças, mas uma luta contra os medos e a afirmação da nossa liberdade de correr riscos. O medo bloqueia e nos faz mergulhar na inutilidade, pois “quem afrouxa na saída ou se entrega na chegada não perde nenhuma guerra, mas também não ganha nada” (G. Vandré). Se damos a Deus apenas o que Ele nos deu, na realidade não lhe damos nada. O talento que mantemos enterrado como cimento de nossa segurança é a expressão da esterilidade da nossa vida. Jesus exige de nós a audácia, a coragem e a disposição ao risco. Somente quem é capaz do risco receberá a amizade de Jesus e encontrará o sentido da vida. Devemos romper a nossa acomodação e vingar o livro dos Provérbios: “Dá bebida ao andarilho e vinho ao aflito para que beba e esqueça a sua miséria e não se lembre de seus sofrimentos. Abre a tua boca a favor do mudo e em defesa do desventurado. Abre a tua boca e dá a sentença justa, defendendo o pobre e o infeliz” (Pr 31, 6-9). A fé no Cristo é o risco de todos os riscos e para todos o mesmo salto no vazio, mas é também alegria, promessa, ternura, amor e vida em abundância.


CONTEMPLAR

Sertão sem Fim, 2009, Araquém Alcântara (1951-), Florianópolis, Brasil.





Nenhum comentário:

Postar um comentário