Como
se visse o Invisível, mantinha-se firme (Hb 11, 27).
II Domingo da Quaresma
Gn 15, 5-12.17-18 Fl
3, 17- 4,1 Lc 9, 28-36
ESCUTAR
“Olha para o céu e conta as
estrelas se fores capaz!” E acrescentou: “Assim será a tua descendência” (Gn
15, 5).
Há muitos por aí que se comportam como
inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o
estômago, a glória deles está no que é vergonhoso e só pensam nas coisas
terrenas (Fl 3, 18-19).
Enquanto rezava, seu rosto
mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante (Lc 9, 29).
MEDITAR
Devemos saber enfrentar o medo. Se paramos ou voltamos
atrás estamos perdidos. Devemos discernir o momento em que contamos somente com
as nossas próprias forças. Se esquecermos a confiança em Jesus estamos
perdidos, assim como, se esquecermos a misteriosa atração que nos conduz a
escolher um engajamento, uma pessoa, uma amizade ou quem motivou uma promessa.
A vida se joga na confiança e o medo e a confiança não caminham juntos.
(Cardeal Martini)
ORAR
A liturgia
da Palavra nos faz uma tríplice revelação. A primeira, a de que Deus é um Deus
fiel que mantém as suas promessas. A segunda, a da divindade de Jesus e do seu
mistério Pascal: o Cristo transfigurado será, brevemente, um Cristo
desfigurado. A terceira, a revelação do mistério do homem peregrino, cidadão do
céu que vive na precariedade do corpo à espera da sua transfiguração num corpo
glorioso. A dinâmica da vida cristã se apresenta numa dupla dimensão:
provisoriedade e tensão até a morada definitiva. Abrão caminha às escuras e se
contenta em olhar um céu estrelado. Para ele, a terra é somente uma promessa
garantida pela Palavra de Deus. Desta futura realidade, Abrão não possui sequer
uma pequena antecipação para sustentar a sua fé. Suas mãos seguem vazias como
vazio está o ventre de Sara. A fé, quando autêntica, atravessa o áspero terreno
da prova. O evangelho da Transfiguração revela que ninguém pode inventar para
si mesmo um caminho privado que evite o caminho do Calvário. Jesus
transfigurado será dentre em pouco o Cristo desfigurado da Paixão para ser,
novamente, o Jesus transfigurado da Ressurreição. Uma Igreja que não aceita
esta travessia – da transfiguração à desfiguração – para encontrar o Cristo
Ressuscitado, será apenas uma Igreja deslumbrada com seu próprio estômago. Uma
Igreja que fabrica e vende ilusões de que podemos participar do triunfo do
Ressuscitado e que considera ultrapassada a realidade da Cruz. Uma Igreja
centrada no legalismo como solução de facilidade e segurança mais do que nas
ásperas exigências do Cristo de amar e de perdoar. Neste dia devemos perguntar
no mais íntimo de nós: “Qual é o nosso Deus? A quem amamos e servimos?”, pois
dependendo da resposta saberemos onde está o nosso tesouro, pois aí estará o
nosso coração (Lc 12, 34).
(Manos da Terna Solidão/Pe. paulo Botas, mts e Pe. Eduardo Spiller, mts)
CONTEMPLAR
Transfiguração, 1824, Alexander Ivanov
(1806-1858), Rússia.
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