Como
se visse o Invisível, mantinha-se firme (Hb 11, 27).
Apresentação do Senhor
Ml 3, 1-4 Hb
2, 14-18 Lc 2, 22-32
ESCUTAR
Ele é como o fogo da forja e como a barrela dos lavadeiros; e estará a postos, como para fazer derreter e purificar a prata: assim ele purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata, e eles poderão assim fazer oferendas justas ao Senhor (Ml 3, 1-3).
Pois, tendo ele próprio sofrido ao ser tentado, é capaz de socorrer os que agora sofrem a tentação (Hb 2, 18).
Foram também oferecer o sacrifício – um par de rolas ou dois pombinhos – , como está ordenado na lei do Senhor (Lc 2 24).
MEDITAR
Não há uma moral cristã. Há uma mística cristã. A imensa maioria dos cristãos não se apercebe disso [...] No Cristo, não há lei. No Cristo começa um regime novo, o regime da graça, que é o regime da liberdade, que é o regime do amor.
(Maurice Zundel)
Com Jesus, a justificação do desejo se transforma em amor. A ternura infinita do coração de Deus – falo evidentemente com palavras humanas – explodiu em nós. Seu filho, Jesus, assim nos mostrou e inicia quem o queira no desejo libertado pelo amor.
(Françoise Dolto)
ORAR
Maria e José cumprem a Lei de Moisés: a que pariu deve ser purificada aos quarenta dias do nascimento do varão e o primogênito deve ser consagrado a Deus. Como não tinham dinheiro para comprar um cordeiro, foi colocado no altar a oferenda mínima prescrita aos mais pobres, dois pombos. A luz que Simeão vê não desce do alto e nem do monte Sinai, mas jorra intensamente do próprio Menino. É o prenúncio da Luz da Páscoa que não apaga da memória as trevas da Paixão, mas que as ilumina ao revelar que a loucura de Deus é mais sábia que os homens e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens” (1 Cor 1, 25). Na Cruz, Deus se desvela, infinitamente, mais forte que todos os seus inimigos. Bernardo de Claraval pregava: “O que é mais violento que o Amor e, no entanto, o que existe de menos violento? Qual é esta força tão violenta para alcançar a vitória e tão vencida para suportar a violência?” (Sermão 64 sobre o Cântico dos Cânticos). A comunidade eclesial deve estar segura de que tudo acontece por Ele, com Ele e Nele, pois “como Ele próprio sofreu a prova, pode ajudar os que são provados”. Esta é a festa da Luz que brota dos menores e simples, dos que vivem à margem da vida e que nós desviamos o olhar para não encontrá-los. Nosso coração continua nas sombras porque está fechado em si mesmo e sem saber que a luz do Cristo é de outra ordem. Ela vem da abertura absoluta do coração e de sua disponibilidade absoluta para servir. O Papa Francisco dizia: “A paz não se vende e nem se compra. Ela é um dom de Deus. Um cristão, mesmo nas provas mais dolorosas, jamais perde a paz e a presença de Jesus”. Nas comunidades eclesiais, quando não vivemos para os outros, somos atormentados pelas falsas imagens que fazemos de Jesus Cristo para nos poupar dos encontros vitais com os diferentes de nós. Fechados sobre nós mesmos, encastelados nas instituições forjadas por nós e para nós esvaziamos a força vital do Espírito e perdemos o dom de Deus. A eucaristia é o sacramento do dom para os outros e com os outros, pois não somos cristãos para nos salvarmos sozinhos, como os antigos missionários pregavam “salva a tua alma”. Se assim fosse, a Eucaristia seria uma atroz imitação e uma pérfida dissimulação. Hoje é a festa da Luz que brota no mais íntimo dos menores e dos bem-aventurados do Reino, pois Jesus disse: “Todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequeninos, que são meus irmãos, foi a Mim que o fizestes” (Mt 25, 40). Meditemos as palavras do Papa Francisco: “O Senhor que viveu humildemente nos ensina que nem tudo é mágica em nossa vida e que o triunfalismo não é cristão. A justa atitude do cristão é perseverar no caminho do Senhor, até o fim, todos os dias. Eu não digo recomeçar de novo todos os dias: não, perseguir o caminho, um caminho com dificuldades, mas com tantas alegrias. O caminho do Senhor”.
(Manos da Terna Solidão/Pe. Paulo Botas, mts e Pe. Eduardo Spiller, mts)
CONTEMPLAR