Entristecidos mas sempre alegres, pobres mas enriquecendo a
muitos, nada tendo mas possuindo tudo (2 Cor 6, 10).
Santíssima Trindade
Ex 34, 4b-6.8-9 2
Cor 13, 11-13 Jo 3,
16-18
ESCUTAR
Moisés gritou: "Senhor,
Senhor! Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel” (Ex
34, 6).
Irmãos, alegrai-vos,
trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei
em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco (2 Cor 13, 11).
Deus amou tanto o mundo que
deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a
vida eterna (Jo 3, 16).
MEDITAR
Quem não consegue mais ouvir o irmão, em breve
também não conseguirá mais ouvir a Deus. Estará sempre falando, também, perante
Deus. Aqui começa a morte da vida espiritual, e no fim restará só o palavreado
piedoso, a condescendência clericalesca que sufoca com palavras piedosas.
(Dietrich Bonhoeffer)
Não é o clero, mas sim a comunidade, a Igreja
concretamente reunida, que celebra a Ceia comemorativa na qual o Senhor se faz
presente e incorpora os reunidos transformando-os em seu próprio corpo.
(Hans Urs von Balthasar)
ORAR
A Trindade revela
o dinamismo vital que faz a comunidade eclesial viver. A comunidade deve ser o
lugar de visibilidade em que não temos medo da verdade seja qual for e onde
cada um reconhece o direito de expressar livremente o seu pensamento e o de
fazê-lo com coragem. Numa comunidade em que as murmurações e as dissimulações
correm soltas pelos becos e bares, elas só poderão ser superadas por uma
reciprocidade respeitosa e lúcida. A comunidade cristã não se basta a si mesma,
mas deve buscar a comunhão: “Tende os mesmos sentimentos de Cristo Jesus” (Fl
2, 5). A comunidade sem comunhão é uma esquálida referência e uma casca vazia
de conteúdo. A comunidade eclesial não é uma simples justaposição de pessoas
que temem acolher-se, reciprocamente, na verdade: “Alegrai-vos, trabalhai no
vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia e vivei em paz”. A
comunidade não é uma uniformidade niveladora, quase sempre pela rasura, mas a
comunhão de pessoas plurais e diversas. O primado da comunidade não é a
disciplina, mas o amor. A dinâmica vital da comunidade é a fraternidade que se
converte no sinal do amor do Pai, revelado pelo Filho e infundido em nossos
corações no Espírito. Ela testemunha e proclama o nome de Deus como revelado a
Moisés: “Misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel”. Se a
comunidade cristã não reflete o amor trinitário, desaparece o sinal específico
do amor e ela se reduz a um espelho que não reflete nenhuma imagem. Quando
afirmamos o primado do amor na comunidade, valorizamos a centralidade da pessoa
e a valorização das diferenças. O amor é dinâmico: expande-se e circula. Somos
tentados a forjar um Deus à nossa imagem e conceituá-lo como o contrário do
homem e, por esta razão, contentamo-nos com a acomodação de encerrar Deus num
puro ato de contemplação e numa suposta e feliz autossuficiência. A Boa Nova da
revelação da Trindade é que existem diferenças entre si e, portanto, a vida
divina não se define como um eterno retorno narcisista sobre si, pelo êxtase.
Cada pessoa só existe em relação às outras pessoas e é esta relação que as
constitui como diferentes. É uma dança amorosa que jamais termina, pois nela a
comunhão brota da interdependência e da intercomunicação. Meditemos as palavras
de Emmanuel Mounier: “Eu preciso do olhar dos meus amigos para saber quem eu
sou”.
(Manos da Terna Solidão/Pe.
Paulo Botas, mts e Pe. Eduardo Spiller, mts)
CONTEMPLAR
Saltos do Barco, 2020,
Malásia, Igor Atuna (1966-), Arrasate-Mondragón, Espanha, Siena International
Photo Awards 2021.
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