Entristecidos mas sempre alegres, pobres mas enriquecendo a
muitos, nada tendo mas possuindo tudo (2 Cor 6, 10).
VI Domingo da Páscoa
At 8, 5-8.14-17 1
Pd 3, 15-18 Jo 14,
15-21
ESCUTAR
“Era grande a alegria
naquela cidade” (At 8, 8).
“Amados, santificai em
vossos corações o Senhor Jesus Cristo e estai sempre prontos a dar razão da
vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir” (1 Pd 3, 15).
“Quem acolheu os meus
mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama será amado por meu Pai
e eu o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14, 21).
MEDITAR
O beato João Evangelista,
enquanto passeava em Éfeso os últimos anos da sua existência, era levado com
dificuldade à igreja no braço dos seus discípulos e não podia falar muito, nem
dizer em cada homilia outra coisa além disso: “Filhinhos, amai-vos uns aos
outros”. Até que um dia os irmãos e os discípulos que estavam presentes,
aborrecidos de tanto escutar sempre as mesmas palavras, perguntaram-lhe: “Mestre,
por que dizes sempre isso?”. E ele respondeu com uma sentença digna de João: “Porque
é o mandamento do Senhor e, se só isso fosse observado, bastaria”.
(São Jerônimo)
Um único olhar, um único pensamento, um único
batimento do coração têm uma dimensão infinita. O Amor transfigura todos os
cálculos e estatísticas. Não somos mais uma gota impessoal no oceano, mas uma
vida insubstituível e um destino que tem o seu próprio valor.
(André Dupleix)
ORAR
Jesus não nos
deixa o legado de uma doutrina, um manual de instruções e muito menos um código
de conduta. Jesus nos deixa um desejo, um único desejo: que nos amemos! A
Igreja é a Igreja de Cristo não por ser o lugar da obediência, da disciplina,
da organização perfeita, mas por ser uma comunidade de amor. Não temos nenhum
certificado de autenticidade cristã, apenas uma condição: “Se me amais...”.
Somente àquele que ama será dado o Espírito defensor, o Espírito da verdade que
continuará em nós a presença do Cristo: “Vós o conheceis, porque ele permanece
junto de vós e estará dentro de vós”. Não necessitamos de excursões a vários
santuários para encontrar vestígios do divino, pois o divino está dentro de
nós, somos templos de Deus (1 Cor 3, 16). A verdadeira desgraça é que estamos
dispostos, custe o que custar, a irmos aos lugares mais distantes para ver o Senhor e temos medo de ir ao lugar
mais próximo: o centro de nós mesmos, o nosso coração. A Igreja do Cristo é uma
igreja do amor fraterno, da terna tolerância que é o nome da generosidade. É
uma Igreja da coerência em que estaremos sempre prontos a dar razão da nossa
esperança a quem nos pedir. O Espírito Santo assume uma dupla função. No
interior da comunidade, mantém viva e interpreta a mensagem do Cristo: “O
Valedor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e
vos recordará tudo o que eu vos disse” (Jo 14, 26); e sustenta os fiéis no seu
confronto com o mundo, ajudando-os a decifrar o sinal dos tempos e o sentido da
História. É vital abrir as portas da comunidade e dos corações à ação do
Espírito dado pelo Cristo Pascal. O Pai, o Cristo, o Espírito e nós somos
vinculados por um amálgama de amor, pois no Evangelho domina a categoria do
encontro, da aliança e da comunhão e, mais do que nunca, a liberdade, a paz, a
justiça e a reconciliação não podem ser privatizadas. Não devemos ter medo de
anunciar as exigências concretas da verdade evangélica, pois só ela pode romper
a comodidade de uma tradição religiosa multissecular e a ilusão de que nós,
católicos apostólicos romanos, pertencemos à religião mais poderosa do mundo. A
verdade de Deus humaniza a todos senão não é a verdade de Deus. E a verdade de
Deus é buscar, em primeiro lugar, o seu Reino e a sua justiça (Mt 6, 33). O
Papa Bento XVI nos exortava: “A fonte do Espírito é Jesus. Quanto mais
penetramos em Jesus, tanto mais realmente penetramos no Espírito e este penetra
em nós”.
(Manos da Terna Solidão/Pe.
Paulo Botas, mts e Pe. Eduardo Spiller, mts)
CONTEMPLAR
Carisma, s. d., Yvonne Bell, pintura sobre seda, Northamptonshire,
Reino Unido.
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