Entristecidos mas sempre alegres, pobres mas enriquecendo a
muitos, nada tendo mas possuindo tudo (2 Cor 6, 10).
Ascensão do Senhor
At 1, 1-11 Ef
1, 17-23 Mt 28, 16-20
ESCUTAR
Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não
podiam mais vê-lo (...) “Homens da Galileia, porque ficais aqui, parados,
olhando para o céu?” (At 1, 9.11).
Ele manifestou sua força em Cristo, quando o
ressuscitou dos mortos e o fez sentar à sua direita nos céus (Ef 1, 20).
“Ide ao mundo inteiro... Eis que estarei convosco
todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 19-20).
MEDITAR
A pessoa humana é o valor absoluto para Deus porque
ela O contém. Na verdade, é um grande mistério: Deus entre os homens, Deus com
eles, Deus neles. Nossa dignidade é de Lhe pertencer. Desde o Natal, somos
construídos com a mesma matéria do Reino.
(Françoise Burtz)
O que conta não é o que damos, mas o amor com que
damos.
(Madre Teresa de Calcutá)
ORAR
O evangelista
Mateus permanece fiel ao seu tema de fundo anunciado desde o início do seu
evangelho: Deus Conosco. A
impossibilidade, de agora em diante, de ver o Cristo com nossos olhos,
substancialmente não muda nada, pois Deus continua conosco. Não devemos pensar
que a dinâmica de Jesus é a de uma chegada, de uma permanência e de uma
partida. A dinâmica de Jesus é a de uma chegada e a de uma presença continuada
ainda que de formas diversas. Não é mais Jesus quem atua fisicamente entre nós.
Jesus nos pede que façamos e anunciemos a sua presença no meio de nós. A frase
chave é “Ide e fazei!”. Neste domingo não comemoramos a “partida” do Mestre,
mas a nossa partida, pois somos nós que devemos garantir a sua presença no
mundo. Há uma solene investidura: é urgente partir uma vez que o Evangelho deve
começar a sua aventura no mundo. A promessa de que o Cristo estará conosco
“todos os dias, até o fim do mundo”, desafia a sua Igreja a não banalizar esta
presença eficaz e obscurecê-la. Somos chamados a nos encarnar, ou seja, ser uma
carne real numa história real; a realizar a missão de anunciar a Boa Nova do
Reino; a carregar os pecados do mundo
sem ficar, de fora, olhando o que acontece aos seres humanos; e finalmente,
ressuscitar dando a todos um quinhão de vida, esperança e gozo. A missão da
Igreja de Jesus se inicia com uma partida. Não se trata de multiplicar viagens
e atividades, mas dar intensidade e visibilidade evangélica à própria
existência. O princípio estruturante da Igreja deve ser o mesmo da vida de Jesus:
a misericórdia. É a misericórdia que deve atuar na Igreja de Jesus e
configurá-la. Não somos chamados a construir uma comunidade como recordação e
ficarmos parados olhando para o céu, pois esta atitude pode nos conduzir a
buscar em lugares equivocados e nos emperrar o caminho: “Por que procurais
entre os mortos aquele que está vivo?” (Lc 24, 5). Não se trata de congelar
lugares especiais e criar peregrinações, mas descobrir juntos, num ponto
qualquer do mundo, o lugar e o rosto em que Jesus está presente na terra. A
ascensão é um apelo para seguir agindo e esperando apesar das decepções,
desenganos e desalentos que nos ameaçam. Somos chamados a “remir os tempos
porque os dias são maus” (Ef 5, 16), a ter paciência “até que venha o Senhor”
(Tg 5, 7), a resistir como Jó para conhecer “o desfecho que Deus lhe
proporcionou, pois o Senhor é compassivo e misericordioso” (Tg 5, 11) e
testemunhar que “a paciência engendra a esperança” (Rm 5,4). Entre o dom do
Espírito Santo e o acontecimento definitivo do Reino existe uma espera que é o
tempo do testemunho e de proclamar a Boa Nova a toda Humanidade. O Evangelho
começa e termina em Jerusalém. Os Atos começam em Jerusalém e terminam em Roma,
ponto de encontro de todos os caminhos do mundo conhecidos na época. O Novo
Testamento ultrapassa as fronteiras de Israel e o céu de Jesus é a participação plena na vida do Amor e na construção
de comunidades que amam e se colocam abertas ao mundo, servindo a todos sem
discriminação. Uma Igreja samaritana marcada e animada pelo princípio da
misericórdia é a que deve ser presença no mundo de hoje. Que neste domingo
tenhamos a lucidez de proclamar que o Espírito de Jesus não é privilégio dos
cristãos, mas de todos os homens e mulheres: “De fato, todos nós judeus ou
gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos
um único corpo e todos nós bebemos de um único e mesmo Espírito” (1 Cor 12,
13).
(Manos da Terna Solidão/Pe. Paulo Botas, mts e Pe. Eduardo Spiller, mts)
CONTEMPLAR
S. Título, 2011, Vale Omo, Etiópia, Goran
Jovic (1984-), Croácia.
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