Entristecidos mas sempre alegres, pobres mas enriquecendo a
muitos, nada tendo mas possuindo tudo (2 Cor 6, 10).
V Domingo da Páscoa
At 6, 1-7 1
Pd 2, 4-9 Jo 14, 1-12
ESCUTAR
Naqueles dias, o número dos discípulos tinha
aumentado, e os fiéis de origem grega começaram a queixar-se dos fiéis de
origem hebraica (At 6, 1).
Amados, aproximai-vos do
Senhor, pedra vida, rejeitada pelos homens, mas escolhida e honrosa aos olhos
de Deus (1 Pd 2, 4).
“Não se perturbe o vosso
coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. Na casa de meu Pai há
muitas moradas” (Jo 14, 1).
MEDITAR
Todo deus que não se
apresente como resposta à questão do sentido da vida, inerente às preocupações
fundamentais da pessoa ou de um determinado grupo humano, é um ídolo, uma
ilusão ou um subterfúgio. Um deus ausente da vida torna os humanos vítimas de
devaneios mais ou menos infantis, escravos do sagrado e de ideologias
inverificáveis.
(Francisco Catão)
ORAR
A leitura do
livro de Atos rompe a visão idílica das primeiras comunidades cristãs. Elas
sofreram com a pequenez e a miopia dos que se privilegiavam e se protegiam por
serem da mesma procedência étnica. Os que deviam se ocupar das necessidades
materiais também precisam do dom do Espírito para romper com o seu interesse
pessoal e as discriminações que dele decorrem. É o Espírito que nos impede de
nos convertemos em prisioneiros das tarefas burocráticas e administrativas ou,
como no caso dos apóstolos, de se acomodar em posições de mando hierárquicas. É
o Espírito que nos faz saber que o serviço prático não é uma limitação nem o
apostolado um privilégio exclusivo, pois cada um de nós constrói a comunidade
eclesial a partir da sua originalidade e experiência vital. Somos, como Cristo,
pedras angulares, pedras de tropeço e rochas que fazem cair quando a nossa
liberdade enfrenta as manobras do poder; quando a nossa pobreza não está
disponível para projetos de grandeza passageira; quando a nossa palavra
profética estorva os projetos sagazes e sedutores. Somos rochas que fazem cair
quando não aceitamos as regras do êxito, da hipocrisia, do carreirismo. Somos
pedras vivas quando deixamos de ser inertes, decorativos e facilmente
manipulados. Devemos ter a lucidez de que o Cristo é maior do que as igrejas e
o Evangelho maior que os nossos sermões. Para as primeiras comunidades, o
cristianismo não era uma religião, mas uma nova forma de viver. O Cristo é o
Caminho e a Vida mediados pela Verdade. Uma Igreja verdadeira é uma Igreja que
se identifica com Jesus. Uma Igreja que arrisca a perder prestígio e segurança
por defender, como Jesus, a causa dos últimos. Para Jesus, a esfera divina não
é uma realidade exterior ao homem, mas interior: existe uma fusão entre o Pai e
os homens que estende ao infinito a sua capacidade de amar. Jesus é o Caminho
de um amor generoso que pode nos amedrontar por ser custoso. É este amor
generoso que nos conduzirá a crer no esforço para a transformação do mundo e a
não dissipar, num longínquo céu, os tesouros destinados para a terra. Mais do que
nunca devemos afirmar que “Deus contemplou a sua obra e viu que tudo era belo”
(Gn 1, 31).
(Manos da Terna Solidão/Pe.
Paulo Botas, mts e Pe. Eduardo Spiller, mts)
CONTEMPLAR
O Sagrado Coração de Jesus, 1942, Candido Portinari
(1903-1962), têmpera sobre madeira, 64 x 49,5 cm, Brasil.
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