Entristecidos mas sempre alegres, pobres mas enriquecendo a
muitos, nada tendo mas possuindo tudo (2 Cor 6, 10).
Todos os Santos
Ap 7, 2-4.9-14 1
Jo 3, 1-3 Mt 5, 1-12
ESCUTAR
Eu, João, vi outro anjo, que
subia do lado onde nasce o sol. Ele trazia a marca do Deus vivo (Ap 7, 2).
Vede que grande presente de
amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! (1 Jo 3,
1).
“Bem-aventurados os que
promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9).
MEDITAR
Deu-me Deus o seu gládio porque eu faça/A sua santa
guerra./Sagrou-me seu em honra e em desgraça,/Às horas em que um frio vento
passa/Por sobre a fria terra.
Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me/A fronte
com o olhar;/E esta febre de Além, que me consome,/E este querer grandeza são
seu nome/Dentro em mim a vibrar.
E eu vou, e a luz do gládio erguido dá/Em minha face
calma./Cheio de Deus, não temo o que virá,/Pois, venha o que vier, nunca será/
Maior do que a minha alma
(Fernando Pessoa)
ORAR
Viver a festa
da santidade é viver a realidade de um censo impossível: “uma multidão imensa
de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia
contar”. E como não podemos conhecer todos os nomes dos santos, devemos chamar
este domingo da Festa da Santidade Anônima. Todos participam da mesma santidade
de Deus e a santidade é o sinal inequívoco do vestígio de Deus em nossas vidas.
Os santos não se reduzem ao dos altares oficiais, mas circulam cotidianamente entre
nós. Devemos buscar em cada dia o rosto dos santos porque são um reflexo do
rosto de Deus. Os santos não vivem em nichos de gesso, mas em casas comuns. Não
trazem auréolas luminosas em suas cabeças, mas problemas e preocupações. Não
flutuam no ar, mas tem pernas e pés doloridos como os nossos. Os santos são
contaminados pela alegria, pela surpresa e compõem a sinfonia dos loucos de
Deus. O milagre dos santos consiste no fato de existirem no cenário perverso
desta sociedade e querer acrescentar um pouco de graça, alegria e ternura no
cotidiano do mundo. A santidade não é um luxo, mas uma condição normal e
obrigatória do cristão: ela é um dom e uma possibilidade oferecida a todos e
não reservada a uns poucos privilegiados. Devemos sempre suspeitar que eles
estão mais próximos de nós do que podemos supor. Os santos correm pelas ruas e
a maior parte dos bem-aventurados são pessoas simples e que têm coração. A
declaração conciliar Nostra Aetate
afirma: “A Igreja Católica não rejeita o que é verdadeiro e santo em todas as
religiões. Considera suas práticas, maneiras de viver, preceitos e doutrinas
como reflexo da verdade que ilumina todos os seres humanos, ainda que se
distanciem do que ela crê e ensina (...)A Igreja rejeita como contrária ao
pensamento de Cristo toda a discriminação ou perseguição por causa das
diferenças de raça, cor, condição ou religião” (NA 857.871).
(Manos da Terna Solidão/Pe.
Paulo Botas, mts e Pe. Eduardo Spiller, mts)
CONTEMPLAR
Monge budista noviço, Kyaw Thiha, brinca durante a chuva no
Monastério Shin Ohtama Tharya, em Yangon, Myanmar, 2011, Soe Zeya Tun, Agência Reuters,
Yangon, Myanmar.
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