quinta-feira, 30 de julho de 2026

O Caminho da Beleza 39 - XVIII Domingo do Tempo Comum

Entristecidos mas sempre alegres, pobres mas enriquecendo a muitos, nada tendo mas possuindo tudo (2 Cor 6, 10).


XVIII Domingo do Tempo Comum                       

Is 55, 1-3                  Rm 8, 35.37-39                Mt 14, 13-21

 

ESCUTAR

“Ó vós todos que estais com sede, vinde às águas; vós que não tendes dinheiro, apressai-vos, vinde e comei, vinde comprar sem dinheiro, tomar vinho e leite sem nenhuma paga” (Is 55, 1).

Quem nos separará do amor de Cristo? Tribulação? Angústia? Perseguição? Fome? Nudez? Perigo? Espada? Em tudo isso, somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou! (Rm 8, 35.37).

“Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmos de comer!” (Mt 14, 16).

 

MEDITAR

Essencialmente, o que caracteriza a partilha é o dom, que pressupõe um ato livre. A partilha não é calculada: há uma gratuidade total no gesto. Não só o autor do gesto o faz livremente como também o beneficiário permanece livre, livre em relação ao benfeitor.

(Daniel Duigou)

 

ORAR

O Senhor assegura o que é essencial para a vida e oferece seus dons sob o signo da gratuidade: “Vinde comprar sem dinheiro e tomar vinho e leite sem nenhuma paga”. O Senhor é gratuito, mas não supérfluo. Somos nós que o consideramos uma coisa a mais em nossa existência e que muito nos custa. Um Deus gratuito é sempre embaraçoso e até insuportável. Preferimos regatear, negociar com promessas, velas, moedas que comercializam as graças gratuitas do Pai. Pedimos, pedimos e pedimos e simplesmente esquecemos de agradecer. Para Deus o dinheiro não interessa para nada, pois é ele que não nos permite viver na esperança. Dois eram os problemas mais angustiantes para os que viviam na Galileia: a fome e as dívidas que faziam que perdessem as suas terras. Jesus sofria por isso e quando ensinou seus discípulos a rezar incluiu o pedido do pão de cada dia e o perdão das dívidas. Para Jesus, o mundo novo nasceria do partilhar, mesmo que fosse pouco, e do perdão mútuo das dívidas. Jesus apela aos seus discípulos a serem responsáveis e não demissionários. Jesus antes de multiplicar os pães quer multiplicar os corações para que sintam a compaixão que Ele sente. A ternura do Cristo é um estímulo para vencer a aridez das relações numa sociedade cada vez mais mesquinha e egoísta. O cuidado com o outro e a delicadeza são profundamente cristãos. Milagre é se deixar comprometer com a situação do outro, comover-se com a dor alheia, sentir-se interpelado por suas necessidades e ser sensível com sua situação desesperadora. Jesus não se limita a pregar, pois para Ele a multidão não é um componente que mede a sua popularidade ou triunfo. Jesus assume a sua responsabilidade diante de todos e nos ensina que cada um de nós é responsável e encarregado da fome do outro: fome de pão, de amor, de amizade, de escuta e de justiça. O cristão é alguém que tem a ver com tudo o que afeta a todos. Para o cristão, nunca é chegada a hora de despedir, de mandar embora o mais próximo de nós, pois é sempre a hora de acolher, de prestar atenção e de se colocar à disposição. Terminada a pregação é chegado o momento da acolhida com as mãos estendidas. O cristão nunca tem as mãos fechadas porque sabe que ele jamais será alguém que despede. Para o cristão nunca existirá a hora da separação e da divisão, pois nada deve ou pode separá-lo do amor do próximo que é o próprio Cristo.

(Manos da Terna Solidão/Pe. Paulo Botas, mts e Pe. Eduardo Spiller, mts)

 

CONTEMPLAR

S. Título, 2015, Cagil Ivak, Praga, República Theca.




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