quarta-feira, 8 de julho de 2026

O Caminho da Beleza 36 - XV Domingo do Tempo Comum

Entristecidos mas sempre alegres, pobres mas enriquecendo a muitos, nada tendo mas possuindo tudo (2 Cor 6, 10).


XV Domingo do Tempo Comum                 

Is 55, 10-11             Rm 8, 18-23                       Mt 13, 1-23

 

ESCUTAR

“Assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes realizará tudo o que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi ao enviá-la” (Is 55, 11).

“Com efeito, sabemos que toda a criação, até o tempo presente, está gemendo como que em dores de parto” (Rm 8, 22).

“A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto. Um da cem, outro sessenta e outro trinta” (Mt 13, 16).

 

MEDITAR

Um grão amontoado apodrece, espalhado frutifica.

(São Domingos de Gusmão)

O preço do sofrimento depende da resposta que lhe dá o homem: suportado e aturado, não chega a produzir senão medíocres e deformados; assumido, é um meio poderoso de elevação, um apelo a um mais-ser. Nossa vida profunda só se mantém por um vaivém contínuo do rebaixamento ao afrontamento.

(Emmanuel Mounier)

 

ORAR

     O homem da Palavra deve ser um homem de esperança, pois só se pode semear na esperança. Somos chamados a semear e não a ceifar. E a semear com abundância, generosidade, sem cálculos mesquinhos e sem exclusões prejudiciais. Devemos nos acostumar às pedras e a nos movermos por entre os espinhos. Como semeadores, não temos o direito de selecionar os terrenos e declarar, de antemão, quais são os merecedores da semente porque nos oferecem perspectivas alentadoras. É preciso semear com alegria e não com uma desconfiança estampada num rosto sombrio. Nunca saberemos qual o terreno fértil, quais as circunstâncias favoráveis e o tempo justo. Todos nós que formamos a comunidade eclesial somos terrenos predispostos para acolher a semente da Palavra. Somos um pouco de tudo: caminho, pedra, espinho e terreno fértil. A Palavra de Deus, escutada centenas e milhares de vezes, pode não penetrar, não ser interiorizada, nada remover em profundidade e nem mudar o nosso rosto. Ela permanecerá inutilizada e intacta pelas recusas que Dela fazemos. Deus espera uma resposta que não pode ser evasiva e nem dada segundo as nossas preferências. Somente Deus sabe avaliar o terreno dos corações prontos para a semeadura ou empedrados pela arrogância e autossuficiência. Não só Deus espera, mas também a criação “está aguardando a plena manifestação dos filhos de Deus”. Até agora e, muitas vezes, fomos descuidados, indiferentes e a Criação tem pago as consequências, pois desfiguramos, pela ganância, a obra maravilhosa saída das mãos de Deus e transformamos a bênção original numa maldição perpetrada pelas nossas ambições e desejos espúrios. A Palavra de Deus é uma força vital e nós temos a liberdade de acolhê-la ou não.

(Manos da Terna Solidão/Pe. Paulo Botas, mts e Pe. Eduardo Spiller, mts)

 

CONTEMPLAR

O Semeador, 1888, Vicent Van Gogh (1853-1890), óleo sobre tela, 64 x 85 cm, Coleção Rijksmuseum Kröller-Müller, Países Baixos.




 

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