quarta-feira, 10 de junho de 2026

O Caminho da Beleza 32 - XI Domingo do Tempo Comum

Entristecidos mas sempre alegres, pobres mas enriquecendo a muitos, nada tendo mas possuindo tudo (2 Cor 6, 10).


XI Domingo do Tempo Comum                  

Ez 17, 22-24                       2 Cor 5, 6-10                      Mc 4, 26-34

 

ESCUTAR

“Eu sou o Senhor que abaixo a árvore alta e elevo a árvore baixa; faço secar a árvore verde e brotar a árvore seca. Eu, o Senhor, digo e faço” (Ez 17, 24).

Caminhamos na fé e não na visão clara (2 Cor 5, 7).

“A semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece” (Mc 4, 27).

 

MEDITAR

Não desfaleças, deixa-te absorver pelo amor. Não podes saber para onde te levo... Não esperes, sobretudo, velhice tranquila, pacífica, considerada. Teu caminho é luta sem tréguas, até o fim, até o impossível.

(J. L. Lebret)

Eu que sou Divino estou verdadeiramente em ti. Jamais poderei ser separado de ti: por mais que sejamos afastados, jamais poderemos ser separados. Eu estou em ti e tu estás em Mim. Não poderíamos estar mais próximos. Nós dois estamos fundidos em um só, derramados em um único molde. Assim, infatigáveis, permaneceremos para todo o sempre.

(Metchild de Magdeburg)


ORAR

Somos chamados a recuperar os valores autênticos da pequenez, da obscuridade, da debilidade, da pobreza e da fragilidade. O Senhor elege as realidades mais humildes para realizar seus desígnios de grandeza imensuráveis segundo critérios e medidas humanas. A parábola de hoje nos fala de um processo germinal interno de cada pessoa e sociedade. Jesus semeia o Reino pregando o evangelho. Ele não se preocupa em conduzir a colheita e nem se ela acontecerá imediatamente. O desenvolvimento misterioso do Reino é assunto de Deus, pois é a sua obra e o seu segredo. Somos convidados a superar a impaciência, o imediatismo e os frenesis das soluções miraculosas. O Reino irrompe no meio de nós sem o sensacionalismo dos espetáculos, mas numa permanente ação silenciosa. A palavra-chave é “ele não sabe como isso acontece”, ou seja, não entendemos nada e sabemos menos ainda. É o grande sorriso de Deus sobre nós, e como diz o Papa Francisco: “É preciso deixar que Deus nos surpreenda”. Assim é o amor de Deus: na fragilidade se revela forte e faz do impossível o possível. As transformações profundas que revelam a presença de Deus vêm dos pequenos, dos últimos e dos insignificantes. Deus se faz presente não porque a sociedade se torna mais religiosa, mas porque se faz mais humana, mais justa e solidária. Deus não reina porque as igrejas estão cheias, nem porque os movimentos religiosos se espalham nas praças, nas praias, nas marchas e passeatas. Deus reina porque e quando os homens e mulheres são mais honrados e mais respeitados na sua dignidade e em seus direitos diversos e plurais. Meditemos as palavras do Papa Leão XIV: “construir um mundo onde todos possam ‘florescer’ exige [...] uma corresponsabilidade corajosa. Nenhuma mão, sozinha, é suficiente para aguentar o peso dos desafios que assolam o mundo; e nenhuma mão é tão fraca que não possa dar a sua contribuição: ‘A força manifesta-se na fraqueza’ (2 Cor 12, 9)” (Magnifica Humanitas).

(Manos da Terna Solidão/Pe. Paulo Botas, mts e Pe. Eduardo Spiller, mts)

 

CONTEMPLAR

Homem debaixo da grande árvore de mostarda, Si Le, aquarela, dreamstime.com, acessado em 10.06.2026.



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