quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O Caminho da Beleza 17 - II Domingo da Quaresma

Entristecidos mas sempre alegres, pobres mas enriquecendo a muitos, nada tendo mas possuindo tudo (2 Cor 6, 10).


II Domingo da Quaresma                            

Gn 12, 1-4                  2 Tm 1, 8-10                     Mt 17, 1-9

 

ESCUTAR

“Sai da tua terra, da tua família e da casa do teu pai, e vai para a terra que eu te vou mostrar. Farei de ti um grande povo e te abençoarei: engrandecerei o teu nome, de modo que ele se torne uma benção. Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão abençoadas todas as famílias da terra!” (Gn 2, 1-3).

“Esta graça foi revelada agora, pela manifestação de nosso Salvador, Jesus Cristo. Ele não só destruiu a morte, como também fez brilhar a vida e a imortalidade por meio do Evangelho” (2 Tm, 10).

“Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz” (Mt 17, 1-2).

 

MEDITAR

Todos nós seríamos transformados se tivéssemos a coragem de ser o que somos.

(Marguerite Yourcenar)

A Palavra de Deus convida cada pessoa a viver totalmente. Com suas forças de ser. Com seus limites. E sem se sentir culpada de ser uma criatura inacabada e sacudida pelos seus desvios e suas contradições. Finalmente, a única indagação de Deus será talvez: ‘Você se tornou você mesma?

(Yvan Portras)

 

ORAR

O evangelista nos revela a identidade de Jesus: o filho Amado. O Cristo é a tenda, presença perfeita e definitiva do Pai. No final da cena, ao centro, se ergue tão somente a figura de Jesus. O Filho é a tenda da Shekinah, a Divina Presença. A Transfiguração é o desvelamento do destino e do mistério de Jesus e também do nosso destino e mistério. Para todos se abre um horizonte de luz: “Amados, já somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que seremos. Sabemos que, quando ele aparecer seremos semelhantes a ele e o veremos como ele é” (1 Jo 3, 2). O Transfigurado passa pela obscuridade da história e da morte. Jesus presente no nosso cotidiano transfigura os seres e as coisas mais humildes. Os discípulos estão assustados e caem com o rosto em terra. Depois, no Jardim do Horto, cairão no sono e serão incapazes de uma hora de vigília. Nossa oração em silêncio, com Jesus, pode transfigurar a vida pela acolhida dos outros numa nova maneira de vê-los. Devemos aniquilar as doenças do olhar que são as doenças de uma oração equivocada, centrada em nós mesmos. É preciso colocar nossos olhos e nossos olhares no coração e nele encontrar a fonte da vida. O dia seis de agosto, em que normalmente se celebra a Festa da Transfiguração, nos remete a uma fatal sincronicidade. Neste dia, em 1945, os habitantes de Hiroshima e Nagasaki viram uma grande luz no horizonte. A bomba atômica fazia sua trágica aparição no horizonte da humanidade como uma luz de devastação e de morte. A humanidade acabara de assistir a transfiguração da luz que liberta e dá a vida numa luz cega e trágica que desfigurava e aniquilava os que também foram criados à imagem e semelhança de Deus. A transfiguração de Jesus nos lembra a beleza à qual a humanidade e o universo são destinados. Hiroshima e Nagasaki testemunham o embrutecimento e o horror de que os homens são capazes ao desfigurar os corpos que são santuários de Deus (1 Cor 6, 9) e devastar a criação de Deus. Para os cristãos, celebrar a Transfiguração é um apelo à responsabilidade, uma exortação à compaixão e à expansão do coração diante dos que sofrem. A Transfiguração é o desvelamento do SIM do Cristo ao caminho da solidariedade radical com os oprimidos e vítimas da História.

 (Manos da Terna Solidão/Pe. Paulo Botas, mts e Pe. Eduardo Spiller, mts)

 

CONTEMPLAR

Transfiguração, 2005, Sieger Köder (1925-2015), óleo sobre tela, Alemanha.  




 

 

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