quarta-feira, 16 de setembro de 2026

O Caminho da Beleza 46 - XXV Domingo do Tempo Comum

Entristecidos mas sempre alegres, pobres mas enriquecendo a muitos, nada tendo mas possuindo tudo (2 Cor 6, 10).


XXV Domingo do Tempo Comum  

Is 55, 6-9                 Fl 1, 20-24.27                    Mt 20, 1-16

 

ESCUTAR

Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos, e vossos caminhos não são como os meus caminhos, diz o Senhor (Is 55, 8).

Só uma coisa importa: vivei à altura do evangelho de Cristo (Fl 1, 27).

 “Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero com aquilo que me pertence? Ou estás com inveja, porque estou sendo bom? Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos” (Mt 20, 15-16).

 

MEDITAR

Quando se tratar de receber a recompensa, seremos todos iguais: os primeiros, como se fossem os últimos e os últimos como se fossem os primeiros. Porque a moeda de prata é a vida eterna, todos fruirão da mesma vida eterna. Contudo, em razão da diversidade dos méritos um resplandecerá mais e outro menos, mas quanto à vida eterna, ela será a mesma para todos. Ela não será mais longa para um e nem menos longa para outro, pois ela será eterna para todos: o que não tem fim para mim, não terá também para ti.

(Santo Agostinho)

Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.

(Clarice Lispector)

 

ORAR

    “Ide para a minha vinha”, diz o Senhor e tudo se joga num instante, numa ocasião que não se pode deixar passar. Se não abrirmos os olhos, nos colocarmos de pé e não respondermos ao chamado, faltaremos ao encontro decisivo da nossa vida. Este é o momento favorável e o dia da salvação (2 Cor 6, 2) e não haverá outros mais favoráveis. Não podemos pedir “um tempo” para considerar a oferta, para avaliar o convite e responder numa próxima vez. O Senhor nos quer encontrar hoje, pois qualquer hora é hora para Ele desde que seja a hora do nosso Sim. Os caminhos do Senhor e seus pensamentos podem não coincidir, rigorosamente, com os nossos. Ao encontrarmos o Senhor, a entrega há de ser inteira e despojada. Para encontrá-Lo, devemos, primeiro, renunciar aos nossos pensamentos sobre Ele. A deformação da imagem de Deus é o perigo que correm as pessoas religiosas. Quanto mais o Senhor se revela tanto mais se faz misterioso e sempre sua revelação nos desconcerta e nos escandaliza. O chamado à vinha é graça e o prêmio é dom, pois a alegria do Senhor é dar sem medida. Deus nos fala da gratuidade e nós respondemos a Ele, falando da “justiça” com suas cláusulas, códigos e regras. A generosidade de Deus sempre cria problemas e, muitas vezes, se torna um obstáculo para a fé e um perigo para a moral daqueles que rechaçam os que consideram indignos e pecadores. A parábola não se dirige aos pecadores, mas aos bons e justos que devem se questionar sobre suas reações diante dos comportamentos surpreendentes e escandalosos de Deus. Não é fácil acreditar nesta bondade insondável de Deus que nos fala Jesus. Podemos nos escandalizar que Deus seja bom para com todos, mereçam ou não; sejam crentes ou agnósticos; invoquem seu nome ou vivam de costas para Ele. Deus é assim e o melhor que podemos e devemos fazer é deixar que Ele seja o que é, sem apequená-Lo com nossas ideias, esquemas e frustrações.

(Manos da Terna Solidão/Pe. Paulo Botas, mts e Pe. Eduardo Spiller, mts)

 

CONTEMPLAR

À Meia-Noite, 2005, Michael Triegel (1968-), técnica mista sobre MDF, 80 cm x 126,5 cm, coleção particular, Fundação São Mateus, Berlim, Alemanha.



 

 

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