Entristecidos mas sempre alegres, pobres mas enriquecendo a
muitos, nada tendo mas possuindo tudo (2 Cor 6, 10).
III Domingo do Tempo Comum
Is 8, 23b-9, 3 1
Cor 1, 10-13.17 Mt 4, 12-23
ESCUTAR
“O povo que andava na escuridão, viu uma grande luz;
para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu” (Is 9, 1).
“Sejais todos concordes uns com os outros e não
admitais divisões entre vós. Pelo contrário, sede bem unidos e concordes no
pensar e no falar” (1 Cor 1, 10).
“O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz e para
os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz. Daí
MEDITAR
Todos os dias é necessário se converter, pois a
conversão nunca é de uma só vez por todas. A tendência para o cuidado de si
mesmo nos entorpece e é escorregadia. No momento em que paramos de orar e de
estar atentos, nos surpreendemos dizendo: ‘eu,
eu, eu’, em detrimento dos outros. Ninguém se converte a si próprio, pois é
Deus que nos converte e quando Jesus diz: ‘Segue-me’, Ele nos dá o que pede: o
impossível necessário que se torna possível.
(François Varillon)
ORAR
Mesmo que não saibamos no
mapa geográfico onde se encontra a terra de Zabulon, de Neftali, o rio Jordão,
Madian e o lago da Galileia, o mais importante é saber onde nós nos
encontramos. O essencial é olhar na direção precisa para captar a ocasião de
luz, de alegria e de libertação que nos é oferecida. Sete séculos antes de
Cristo, duas tribos de Israel – Zabulon e Neftali – foram deportadas para
Assíria. Esta região ficou conhecida como “Galileia dos pagãos”. Jesus é
oriundo desta região, meio judia e meio pagã e o profeta nos lembra que seu
povo “habitava nas sombras da morte”. Esta Galileia era uma terra sob o poder
do imperialismo romano e este poder faz parte da escuridão e da sombra da
morte. Jesus é a luz que irrompe desta escuridão para anunciar o Reino de Deus.
O Evangelho revela que Jesus não quer agir sozinho e busca simples pescadores
para serem seus companheiros. Jesus vai para Cafarnaum, um pequeno povoado
agrícola e pesqueiro. Jesus não vai para as cidades maiores nem para o centro
do poder político, econômico, social, cultural e religioso. Jesus e seus
discípulos nunca se tornaram uma casta separada e diferenciada do povo. Jesus
testemunhava que o anúncio do Reino acontece quando o encontro fraterno supera
todas as diferenças e divisões. Paulo enfrenta o exibicionismo dos que andavam
pelas cidades: “Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar a boa nova
da salvação, sem me valer dos recursos da oratória, para não privar a cruz de
Cristo da sua força própria”. Temos que enfrentar todas as formas de uma
religião do entretenimento que oferece o sucesso pessoal, sem sofrimento, risco
e afasta para longe o kerigma que deve ser anunciado: Cristo morto e
ressuscitado. Não podemos anular a Cruz do Cristo que une todos os homens e
mulheres. Aniquilar as divisões é a tarefa mais desafiadora e vital dos
cristãos. Seguir o Cristo Morto e Ressuscitado é seguir um caminho que pode nos
levar à Cruz como expressão máxima da nossa doação pela unidade no amor. Se
nesta travessia reinarem a divisão e a discórdia, a Cruz do Cristo perderá a
sua força e a tornaremos, por nosso amor e indiferença, absolutamente inválida
e seremos, para todo o sempre, réus do Corpo e do Sangue do Cristo.
(Manos da Terna Solidão/Pe. Paulo Botas, mts e Pe.
Eduardo Spiller, mts)
CONTEMPLAR
A pesca
miraculosa de peixes, Raffaello Sanzio, 1515, têmpera sobre papel montado sobre
tela, 360 x 400 cm, Victoria e Albert Museum, Londres, Reino Unido.
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