quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O Caminho da Beleza 11 - III Domingo do Tempo Comum

Entristecidos mas sempre alegres, pobres mas enriquecendo a muitos, nada tendo mas possuindo tudo (2 Cor 6, 10).


III Domingo do Tempo Comum

Is 8, 23b-9, 3                     1 Cor 1, 10-13.17               Mt 4, 12-23

 

ESCUTAR

“O povo que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu” (Is 9, 1).

“Sejais todos concordes uns com os outros e não admitais divisões entre vós. Pelo contrário, sede bem unidos e concordes no pensar e no falar” (1 Cor 1, 10).

“O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz. Daí em diante Jesus começou a pregar dizendo: ‘Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo’. Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo” (Mt 4, 16-17.23).

 

MEDITAR

Todos os dias é necessário se converter, pois a conversão nunca é de uma só vez por todas. A tendência para o cuidado de si mesmo nos entorpece e é escorregadia. No momento em que paramos de orar e de estar atentos, nos surpreendemos dizendo: ‘eu, eu, eu’, em detrimento dos outros. Ninguém se converte a si próprio, pois é Deus que nos converte e quando Jesus diz: ‘Segue-me’, Ele nos dá o que pede: o impossível necessário que se torna possível.

(François Varillon)

 

ORAR

Mesmo que não saibamos no mapa geográfico onde se encontra a terra de Zabulon, de Neftali, o rio Jordão, Madian e o lago da Galileia, o mais importante é saber onde nós nos encontramos. O essencial é olhar na direção precisa para captar a ocasião de luz, de alegria e de libertação que nos é oferecida. Sete séculos antes de Cristo, duas tribos de Israel – Zabulon e Neftali – foram deportadas para Assíria. Esta região ficou conhecida como “Galileia dos pagãos”. Jesus é oriundo desta região, meio judia e meio pagã e o profeta nos lembra que seu povo “habitava nas sombras da morte”. Esta Galileia era uma terra sob o poder do imperialismo romano e este poder faz parte da escuridão e da sombra da morte. Jesus é a luz que irrompe desta escuridão para anunciar o Reino de Deus. O Evangelho revela que Jesus não quer agir sozinho e busca simples pescadores para serem seus companheiros. Jesus vai para Cafarnaum, um pequeno povoado agrícola e pesqueiro. Jesus não vai para as cidades maiores nem para o centro do poder político, econômico, social, cultural e religioso. Jesus e seus discípulos nunca se tornaram uma casta separada e diferenciada do povo. Jesus testemunhava que o anúncio do Reino acontece quando o encontro fraterno supera todas as diferenças e divisões. Paulo enfrenta o exibicionismo dos que andavam pelas cidades: “Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar a boa nova da salvação, sem me valer dos recursos da oratória, para não privar a cruz de Cristo da sua força própria”. Temos que enfrentar todas as formas de uma religião do entretenimento que oferece o sucesso pessoal, sem sofrimento, risco e afasta para longe o kerigma que deve ser anunciado: Cristo morto e ressuscitado. Não podemos anular a Cruz do Cristo que une todos os homens e mulheres. Aniquilar as divisões é a tarefa mais desafiadora e vital dos cristãos. Seguir o Cristo Morto e Ressuscitado é seguir um caminho que pode nos levar à Cruz como expressão máxima da nossa doação pela unidade no amor. Se nesta travessia reinarem a divisão e a discórdia, a Cruz do Cristo perderá a sua força e a tornaremos, por nosso amor e indiferença, absolutamente inválida e seremos, para todo o sempre, réus do Corpo e do Sangue do Cristo.

(Manos da Terna Solidão/Pe. Paulo Botas, mts e Pe. Eduardo Spiller, mts)

 

CONTEMPLAR

A pesca miraculosa de peixes, Raffaello Sanzio, 1515, têmpera sobre papel montado sobre tela, 360 x 400 cm, Victoria e Albert Museum, Londres, Reino Unido.




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