sexta-feira, 24 de maio de 2024

O Caminho da Beleza 27 - Santíssima Trindade

A Palavra se fez carne e armou sua tenda entre nós (Jo 1, 14).

Santíssima Trindade     

Dt 4, 32-34.39-40                       Rm 8, 14-17            Mt 28, 16-20

 

 

ESCUTAR

 

“Reconhece, pois, hoje, e grava-o em teu coração, que o Senhor é o Deus lá em cima no céu e cá embaixo na terra e que não há outro além dele” (Dt 4, 39).

 

“Vós não recebestes um espírito de escravos, para recairdes no medo, mas recebestes um espírito de filhos adotivos, no qual todos nós clamamos: Abá, ó Pai!” (Rm 8, 15).

 

“Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 20).

 

 

MEDITAR

 

A Divindade é em sua onisciência e onipotência como uma roda, um círculo, um todo que não pode nem ser compreendido, nem dividido, nem iniciado e nem finalizado (...) Deus os abraça. Vocês são circundados pelos braços do mistério de Deus.

(Hildegard von Bingen) 

Eu amo muito a Trindade: cada pessoa da Trindade é voltada para a outra. A religião que me foi ensinada é uma “religião para...”, isto é, uma religião que sai de si, que se inclina para fora de si.

 

(Soeur Emmanuelle)

 

O Cristo procura na minha alma a vontade do Pai; o Pai procura nela a imagem do Filho: quando todos os dois se reencontram na mina alma, ela está plena do Espírito Santo.

 

(Hans Urs von Balthasar)

 

 

ORAR

 

A festa da Santíssima Trindade não é uma simples formalidade nem uma representação dogmática. Ela nos convida a tentar viver e a nos insurgir contra uma certa insensibilidade em nós e em torno de nós à urgência de Deus e à envergadura do seu Mistério. Neste domingo, devemos entrar neste mistério adorável de saber que a dinâmica da Trindade é o Amor. É uma eterna comunicação, pois não existe nem um olhar-para-si, mas sempre e eternamente um olhar-para-o-outro. O Pai é um eterno olhar para o Filho assim como o Filho é um olhar eterno para o Pai e toda a Luz divina brota desta troca como a visibilidade de um dom eternamente realizado. Meditemos as palavras do dominicano Eckhart escritas no século XIV: “O Pai sorri para o Filho e o Filho sorri para o Pai e o sorriso faz nascer o prazer, o prazer faz nascer a alegria e a alegria faz nascer o amor”. Toda a alegria brota do dom nesta dança eterna em que qualquer posse é impossível, pois a grandeza consiste no dom de si mesmo. A vida de Deus é sempre uma vertiginosa troca, partilha e uma circulação infinita expressa no respirar do Pai, pelo sangue do Filho, na água e no fogo do Espírito. A vida da Trindade acontece em nós mesmos sem que a percebamos e nela “nem morte nem vida, nem anjos nem potestades, nem presente nem futuro, nem poderes nem altura nem profundidade, nem criatura alguma nos poderá separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus Senhor nosso” (Rm 8, 38-39). É no silêncio que esta vida se manifesta, pois a alegria verdadeira começa quando, enfim, com os olhos fechados e os lábios cerrados percebemos a dinâmica amorosa do Pai, pelo Filho e no Espírito Santo. Esta festa exige uma profunda revisão de vida e a perguntarmos sobre a esterilidade de um amor que se debruça sobre si mesmo e de um egoísmo que se idolatra. O Cristo nos revelou a Trindade para fazer surgir em nós uma liberdade total ante os olhos do egoísmo mortal que assola o mundo, aniquila as culturas, domina os mais fracos, corrompe os poderes civis e religiosos, e que, sobretudo, pela ganância, destrói a natureza criada para o bem de toda a humanidade por todos os séculos. Eis o mistério: Deus para nós, Deus em nós e Deus conosco.

(Manos da Terna Solidão/Pe. Paulo Botas, mts e Pe. Eduardo Spiller, mts)

 

CONTEMPLAR

 

Trindade, ícone anônimo, 1680, têmpera sobre madeira, 180 x 140 cm, Mosteiro Catedral da Ascensão, Kremlin, Moscou, Rússia.




 

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