quarta-feira, 7 de outubro de 2015

O Caminho da Beleza 46 - XXVIII Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 46
Leituras para a travessia da vida


“O conceito de sabedoria é aquele que reúne harmonicamente diversos aspectos: conhecimento, amor, contemplação do belo e, também, ao mesmo tempo, uma ‘comunhão com a verdade’ e uma ‘verdade que cria comunhão’, ‘uma beleza que atrai e apaixona’” (Francisco).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


XXVIII Domingo do Tempo Comum                     11.10.2015
Sb 7, 7-11                 Hb 4, 12-13             Mc 10, 17-30


ESCUTAR

“Orei, e foi-me dada a prudência; supliquei, e veio a mim o espírito da sabedoria” (Sb 7, 7).

A palavra de Deus é viva, eficaz e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes (Hb 4, 12).

“É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus” (Mc 10, 25).


MEDITAR

O caminho para a fé passa pela obediência ao chamado de Cristo. Exige-se um passo decisivo, senão o chamado de Jesus ecoa no vácuo, e todo suposto discipulado, sem esse passo ao qual Jesus nos chama, transforma-se em falsa onda entusiástica (Dietrich Bonhoeffer).

A única possibilidade humana de converter um rico, consiste em despojá-lo de sua riqueza (Murilo Mendes).


ORAR

O evangelho de hoje nos convida a pensar de uma maneira nova e decisiva a própria vida. Os que muito possuem pensam numa única direção: defender, aumentar, consolidar e perpetuar a situação material em que se encontram. Para estes é quase impossível pensar a sua vida de outra maneira. No entanto, o livro da Sabedoria nos faz saber que “todo ouro é um punhado de areia e, diante dela, a prata será como lama”. A nossa salvação vem do não se defender, em aceitar ser ferido, dilacerado na nossa autosuficiência pela Palavra que “é mais cortante que qualquer espada de dois gumes”. Mais do que camuflar, é preciso ter a coragem de se colocar a descoberto diante dela. Jesus não ensina o desprezo dos bens terrestres, simplesmente nos adverte do perigo de nos deixarmos aprisionar em seu horizonte sufocante. A riqueza se converte num mal quando fecha o nosso coração numa prisão. Tanto quanto o dinheiro, o saber acumulado e guardado para si próprio se converte num mal quando nos obriga a pensar de uma maneira repetitiva, com os mesmos esquemas mentais e com os mesmos pensamentos sem jamais colocá-los em questão. Jesus critica a confiança cega que um rico deposita em sua riqueza, força e poder. Ele será acometido de uma tristeza mortal ainda que cumpra, no limite, todos os preceitos religiosos. O Cristo nos provoca a deixarmos de ser filhos e filhas na vocação falida da acumulação para que nos tornemos capazes do sinal cristão da alegria e da liberdade. O papa Francisco nos lembra: “Se as coisas, o dinheiro, a mundaneidade se tornam o centro da nossa vida, nos aprisionam, nos possuem, nós perdemos a nossa própria identidade de seres humanos: escutai bem, o rico do Evangelho não tem um nome, ele é simplesmente ‘um rico’” (Homilia, 29.9.2013). Podemos dizer que se Deus fosse capitalista, jamais teria se encarnado, teria fundado uma Sociedade Anônima para abrigar tudo o que é escuso, corrupto e competitivo sob os ares da filantropia, da ética e da moralidade.


CONTEMPLAR


Rico e Pobre, século XVII, autoria desconhecida, óleo sobre tela, in: http://siftingthepast.com/. Clique na imagem para ampliar.



segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O Caminho da Beleza 45 - XXVII Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 45
Leituras para a travessia da vida


“O conceito de sabedoria é aquele que reúne harmonicamente diversos aspectos: conhecimento, amor, contemplação do belo e, também, ao mesmo tempo, uma ‘comunhão com a verdade’ e uma ‘verdade que cria comunhão’, ‘uma beleza que atrai e apaixona’” (Francisco).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).



XXVII Domingo do Tempo Comum                       04.10.2015
Gn 2, 18-24            Hb 2, 9-11                           Mc 10, 2-16


ESCUTAR

O Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele” (Gn 2, 18).

Pois tanto Jesus, o santificador, quanto os santificados são descendentes do mesmo ancestral; por essa razão, ele não se envergonha de os chamar irmãos (Hb 2, 11).

“Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos escreveu esse mandamento” (Mc 10, 5).


MEDITAR

O amor cresce através do amor. O amor é “divino”, porque vem de Deus e nos une a Deus e, através desse processo unificador, transforma-nos num Nós, que supera nossas divisões e nos faz ser um só, até que, no fim, Deus seja “tudo em todos” (Bento XVI).

Então Ele olhou para mim, o meio-dia de Seus olhos estava sobre mim, e disse: “Tens muitos amantes e todavia só Eu te amo. Os outros homens amam a si mesmos em tua intimidade. Eu amo-te por ti mesma. Outros homens veem em ti a beleza que desvanecerá mais cedo que seus próprios anos. Mas Eu vejo em ti a beleza que não desvanecerá... Só Eu amo o que é invisível em ti” (Diálogo entre Jesus e Miriam de Mijdel, Kalil Gibran).

ORAR

O Senhor constata que existe uma única coisa que não é nem bela e nem boa no jardim do Éden: a solidão do homem. Não pode existir verdadeira felicidade quando se está só. Nossa humanidade somente se realiza plenamente e se manifesta completamente em relação com outro ser. A sexualidade, na Bíblia, não está reduzida à reprodução, mas se manifesta na felicidade que brota da relação com o outro. A união não está no acasalamento dos corpos, mas na intimidade do dom entre as pessoas. O primeiro canto de amor da humanidade é a declaração de Adão para Eva: “É osso dos meus ossos e carne da minha carne”. O homem e a mulher portam os átomos que constituem a molécula da divindade que neles existe. A sexualidade é fonte de alegria e de prazer. “O próprio Criador estabeleceu que nesta função de geração os esposos sentissem prazer e satisfação do corpo e do espírito. Portanto, os esposos não fazem nada de mal em procurar este prazer e gozá-lo” (Pio XII, discurso de 29.10.1951). O evangelho revela que a poesia amorosa das origens se apagou e em seu lugar surgiram áridas e meticulosas normas jurídicas. Fomos acometidos, nestes séculos, de uma poderosa esclerocardia, uma dureza de coração, que nos tornou cegos para a amplitude dos encontros e da vida. Jesus não pretende salvar o matrimonio em crise, recorrendo a normas jurídicas e nem encontrar soluções tranquilizadoras entre as dobraduras de um código moral. Jesus nos propõe a visão da manhã da Criação: o desígnio do Senhor de felicidade para os homens e mulheres. O recurso à lei é típico da dureza do coração e as vozes que dela brotam são as vetustas vozes da prudência, do cálculo, da astúcia e dos costumes. São vozes que, com seu peso de morte, afogam os gritos e sussurros daquela primeira manhã em que descobrimos que não estamos sós. No tempo de Jesus, o direito ao divórcio estava exclusivamente do lado do homem. Era abominável, diante do Senhor, o marido da divorciada voltar a se casar com ela, pois estava contaminada (Dt 24, 1-4). A questão era de pureza ritual e não de indissolubilidade matrimonial. A pergunta dos fariseus era sobre a desigualdade de direitos entre o homem e a mulher, uma vez que, para eles e para a cultura da época, os privilégios dos homens eram ilimitados. Jesus não tolera isto e argumenta pela igualdade dos direitos ao enfatizar o desígnio original de Deus: O homem e a mulher “não são dois, mas uma só carne”. Ele se fundem numa unidade e numa perfeita igualdade em dignidade e direitos.


CONTEMPLAR


Adão e Eva com a flor, 1910, Vladimir Baranoff-Rossiné (1888-1944), óleo sobre tela, 50 x 75 cm, Coleção de Arte de Hannover, Alemanha. Clicar na imagem para ampliar.



segunda-feira, 21 de setembro de 2015

O Caminho da Beleza 44 - XXVI Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 44
Leituras para a travessia da vida


“O conceito de sabedoria é aquele que reúne harmonicamente diversos aspectos: conhecimento, amor, contemplação do belo e, também, ao mesmo tempo, uma ‘comunhão com a verdade’ e uma ‘verdade que cria comunhão’, ‘uma beleza que atrai e apaixona’” (Francisco).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


XXVI Domingo do Tempo Comum             27.09.2015
Nm 11, 25-29                     Tg 5, 1-6                   Mc 9, 38-43.45.47-48


ESCUTAR

“Quem dera todo povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor lhe concedesse o seu espírito” (Nm 11, 29).

E agora, ricos, chorai e gemei, por causa das desgraças que estão para cair sobre vós (Tg 5, 1).

“Quem não é contra nós é a nosso favor” (Mc 9, 40).


MEDITAR

Quanto a mim é na oração o meu encontro com você. Perdida no Cristo eu vislumbro melhor toda a sua história e compreendo tanta coisa! Compreendo porque muita gente não lhe entende. Como é que poderiam entender se só aceitam as pessoas e as coisas segundo padrão próprio e estático? No fundo o que eu aprecio em você é a sua autenticidade. É a coragem que você tem de continuar a ser você mesmo. Acho que com o decorrer dos anos você irá se descobrindo cada vez mais profundamente, quer dizer, você irá se tornando santo, não por artifício, mas por despojamentos que lhe mostrarão o verdadeiro rosto de Cristo em você (Madre Belém).

É mais fácil desintegrar um átomo do que acabar com um preconceito (Albert Einstein).


ORAR

O maior risco para a vivência cristã é o da mentalidade sectária. A mentalidade sectária é um pecado contra o Espírito e é fruto do joio. O evangelista aponta o contraste entre a mesquinhez dos apóstolos, seu egoísmo de grupo e a amplitude, a tolerância e o espírito aberto de Jesus. A comunidade dos apóstolos está mais preocupada com a expansão e o êxito do grupo do que pela realidade em questão. O Senhor com largueza atua, pelo Espírito, imprevisivelmente, em territórios sem fronteiras. Somos nós que somos incapazes de ver um palmo à frente do nosso nariz e além do nosso umbigo. Neste momento, por defesa, recorremos à desqualificação: “Não é dos nossos!”. Tentamos aprisionar a ação do Espírito ao invés de nos abrirmos e fluirmos no seu dinamismo. Forçamo-nos em prendê-Lo nos limites das nossas tendas e transformá-Lo “num dos nossos”. A cura radical da mentalidade sectária é a acolhida. Não o acolher o outro como “um dos nossos”, mas valorizá-lo na sua diversidade de valores, escolhas e seguimentos. Os setenta que receberam o Espírito não continuaram a profetizar. Talvez tenham estado demasiadamente empenhados em disciplinar o dom, fixar regras, segregar e excomungar. É mais fácil murmurar que profetizar; estabelecer sinais do que traçar caminhos. A profecia continuou nos dois que foram à tenda e que são os únicos dos quais conhecemos os nomes: Eldad e Medad. Quando nos ocupamos excessivamente de nós mesmos, o Espírito suscita carismas não autorizados que, ao abalar as pretensões e arrogâncias, movem o mundo e conduzem a vida para a Eternidade.


CONTEMPLAR

Jesus e a Samaritana, 2006, Arcabas (Jean-Marie Pirot) (1926-), óleo sobre tela, ouro 24 q., coleção particular, França. Clicar na imagem para ampliar.








segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O Caminho da Beleza 43 - XXV Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 43
Leituras para a travessia da vida


“O conceito de sabedoria é aquele que reúne harmonicamente diversos aspectos: conhecimento, amor, contemplação do belo e, também, ao mesmo tempo, uma ‘comunhão com a verdade’ e uma ‘verdade que cria comunhão’, ‘uma beleza que atrai e apaixona’” (Francisco).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


XXV Domingo do Tempo Comum               20.09.2015
Sb 2, 12.17-20                    Tg 3, 16-4, 3                       Mc 9, 30-37


ESCUTAR

“Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda: ele se opõe ao nosso modo de agir, repreende em nós as transgressões da lei e nos reprova as faltas contra a nossa disciplina” (Sb 2, 12).

Amados, onde há inveja e rivalidade, aí estão as desordens e toda espécie de obras más (Tg 3, 16).

“Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!” (Mc 9, 35).


MEDITAR

Meu Senhor e meu Deus, tira-me tudo que me distancia de ti. Meu Senhor e meu Deus, dá-me tudo que me aproxima de ti. Meu Senhor e meu Deus, separa-me de mim e entrega-me completo para ti (Nicolas de Flüe).

Não se calem! Confiem no poder da palavra! Atuem! Confiem no poder da ação! Procedam conjuntamente! Confiem no poder da comunidade. Persigam soluções provisórias! Confiem no poder da resistência. Não atirem a toalha! Confiem no poder da esperança! (Hans Kung).


  
ORAR

Jesus manifesta a sua mansidão porque a sua sabedoria “vem do alto” e é, antes de tudo, pacífica, modesta, conciliadora, plena de misericórdia, sem parcialidade e sem fingimentos. Por esta razão, suas palavras e atitudes incomodam os que pretendem ter o campo livre para o seu agir desonrado, escuso, manipulador, sórdido e corrupto. A inveja e a rivalidade nos fazem lutar pela marca da superioridade e da garantia da própria semente. O campo fica sem semear, cresce o joio que abafa o trigo com que se faz o pão para ser partido e repartido por todos. Temos plantado a Cruz em cima dos montes, nas encruzilhadas, nas nossas moradas, nas salas de aula, nas igrejas e, inclusive, nas salas de tortura dos regimes ditatoriais. No entanto, estamos cada vez mais distantes e afastados do testemunho do Crucificado. Discutimos, como os apóstolos, quem será o maior enquanto Jesus nos fala da sua travessia até o Calvário. Ainda não compreendemos a mensagem de Jesus e esta falta de compreensão cria um abismo entre o Cristo e o nosso agir cristão. Temos, como os apóstolos, abandonado Jesus no seu momento decisivo. A ruptura já vinha se consumando durante a travessia. Mantemo-nos distantes do Calvário porque estamos, intencionalmente, afastados do pensamento do Condenado. Jesus carrega a Cruz tanto da recusa dos seus inimigos, quanto da covardia dos seus seguidores. Estamos atrasados em relação aos passos do Senhor. Conseguiremos um dia acertar os passos de nossas igrejas? Quem sabe quando chegaremos e se chegaremos???


CONTEMPLAR


Cena do Massacre dos Inocentes, 1824, Léon Cogniet (1794-1880), óleo sobre tecido, 265 x 235 cm, Museu de Belas Artes, Rennes, França.

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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

O Caminho da Beleza 42 - XXIV Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 42
Leituras para a travessia da vida


“O conceito de sabedoria é aquele que reúne harmonicamente diversos aspectos: conhecimento, amor, contemplação do belo e, também, ao mesmo tempo, uma ‘comunhão com a verdade’ e uma ‘verdade que cria comunhão’, ‘uma beleza que atrai e apaixona’” (Francisco).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


XXIV Domingo do Tempo Comum             13.09.2015
Is 50, 5-9                 Tg 2, 14-18              Mc 8, 27-35


ESCUTAR

“O Senhor abriu-me os ouvidos: não lhe resisti nem voltei atrás” (Is 50, 5).

“Assim também a fé, se não se traduz em obras, por si só está morta” (Tg 2, 17).

“Vai para longe de mim, satanás! Tu não pensas como Deus, e sim como os homens” (Mc 8, 33).


MEDITAR

Os homens fortes, sábios e bons (nenhuma dessas qualidades vêm uma sem a outra) preocupam-se menos com o sucesso de seus empreendimentos do que com a dignidade da causa que eles servem e com a pureza de suas intenções (São João XIII).

O Senhor revela e chama; mas muitas vezes nós nem desejamos ver e nem responder, porque preferimos nossos caminhos pessoais. Arrisca-se então de não se ouvir mais a voz de Deus (São Pio de Pietrelcina).


ORAR

Não basta um cristianismo especulativo, não basta proclamar que Jesus é Deus, não basta saber de cor os dogmas e instruções normativas. É preciso que a sabedoria se traduza em prática evangélica e irmos até as últimas consequências de nossas escolhas. Temos que conquistar a sabedoria da Cruz. O Senhor nos abre os ouvidos para que não coloquemos nenhuma barreira ao caminho a seguir. Pedro não suporta ouvir o que Jesus sofreria. No entanto, Jesus fala abertamente a Pedro e aos discípulos para comprometê-los, tornando-os testemunhas. Pedro recusa aderir a uma causa perdida, pois pensa e fala com os critérios mundanos da grandeza. A glória e o prestígio são o oposto de tomar a Cruz e negar-se a si mesmo. Se reduzirmos a Cruz do Cristo a mero adorno e não a traduzirmos em pensamentos e comportamentos loucos, então faremos um escárnio como fizeram os inimigos do Calvário. “Seus familiares saíram para dominá-Lo, pois diziam que estava fora de si!” (Mc 3, 21). Somos desafiados a verificar se as nossas vidas e escolhas estão regradas pelos critérios aceitos pelas pessoas ou pelos critérios estabelecidos e testemunhados pelo Condenado. Abrir nossos ouvidos ao Senhor é agir de modo que a fé se traduza em obras de amor, justiça, fraternidade e paz. A fé desemboca, necessariamente, nas obras e as obras se sustentam, obrigatoriamente, com a fé. O Cristo continua sendo um desconhecido, pois, nas nossas igrejas, muitos já não conseguem intuir o que é entender e viver a vida a partir dele, e ainda fazem isto em nome de Jesus.


CONTEMPLAR


Calvário, 1892, Nikolai Ge (1831-1894), óleo sobre tela, 278 x 223 cm, Musée d’Orsay, Paris, França.



segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O Caminho da Beleza 41 - XXIII Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 41
Leituras para a travessia da vida


“O conceito de sabedoria é aquele que reúne harmonicamente diversos aspectos: conhecimento, amor, contemplação do belo e, também, ao mesmo tempo, uma ‘comunhão com a verdade’ e uma ‘verdade que cria comunhão’, ‘uma beleza que atrai e apaixona’” (Francisco).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


XXIII Domingo do Tempo Comum            06.09.2015
Is 35, 4-7                 Tg 2, 1-5                   Mc 7, 31-17


ESCUTAR

Dizei às pessoas deprimidas: “criai ânimo, não tenhais medo!” (Is 35, 4).

Meus irmãos, a fé que tendes em nosso Senhor Jesus Cristo glorificado não deve admitir acepção de pessoas (Tg 2, 1).

“Ele tem feito bem todas as coisas: aos surdos faz ouvir e aos mudos falar” (Mc 7, 37).


MEDITAR

O amor de Deus nos rodeia por todas as partes. Seu amor é a água que bebemos e o ar que respiramos e a luz que vemos... Nos movemos dentro do seu amor como o peixe na água. E estamos tão perto Dele, tão embebidos em seu amor e em seus dons (nós próprios somos um dom dele) que não nos damos conta disso (Ernesto Cardenal).

A sangria da Amazônia já chega ao extremo e a criação de Deus geme no estertor da morte (Bispos dos Regionais Norte I e II da CNBB).


ORAR

Deus plantou um jardim e nós o transformamos numa terra queimada, um solo árido. Secaram as flores, desapareceu o verde e o ar é irrespirável. Além da tragédia ecológica, os homens e mulheres estão enfermos, feridos e debilitados na sua esperança. O papa Francisco exorta: “Apesar disso, Deus, que deseja atuar conosco e contar com a nossa cooperação, é capaz também de tirar algo de bom dos males que praticamos” (L. S. 80). Deus coloca, novamente, mãos à obra e anuncia pelo profeta que “se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos (...) assim como brotarão água no deserto e jorrarão torrentes no ermo. A terra árida se transformará em lago e a região sedenta em fontes de água”. Jesus nos cura da surdez para que não nos refugiemos em isolamentos e nos deixemos alcançar pelo grito do pobre, do oprimido e do desesperado: “Eu ouvi o clamor do meu povo” (Ex 3, 7ss). A surdez como pecado é não ouvir nossos outros irmãos e irmãs porque nossos ouvidos estão tapados pelos ídolos do poder e da riqueza. Só sabemos ouvir a nós mesmos. Para que brote a fonte de água no deserto do mundo de hoje, é necessário que a comunidade eclesial rompa a crosta de desumanidade e faça circular, em profundidade, uma mensagem de vida, de paz e de misericórdia. O papa Francisco nos faz saber que “Deus não tem medo das coisas novas! É por isso que está sempre a nos surpreender, a abrir nossos corações e a nos guiar por caminhos inesperados”.


CONTEMPLAR


As folhas de bananeira produzem guarda-chuvas perfeitos, Sebastião Salgado (1941-), Amazonas, Contact Press Images, 2014, in http://www.washingtonpost.com/wp-srv/special/world/yanomami/.



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O Caminho da Beleza 40 - XXII Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 40
Leituras para a travessia da vida


“O conceito de sabedoria é aquele que reúne harmonicamente diversos aspectos: conhecimento, amor, contemplação do belo e, também, ao mesmo tempo, uma ‘comunhão com a verdade’ e uma ‘verdade que cria comunhão’, ‘uma beleza que atrai e apaixona’” (Francisco).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).



XXII Domingo Tempo Comum                    30.08.2015
Dt 4, 1-2.6-8           Tg 1,17-18.21-22.27         Mc 7, 1-8.14-15.21-23


ESCUTAR

“Nada acrescenteis, nada tireis à palavra que vos digo, mas guardai os mandamentos do Senhor vosso Deus que vos prescrevo” (Dt 4, 2).

Sede praticantes da palavra e não meros ouvintes, enganando-vos a vós mesmos (Tg 1,22).

“O que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior” (Mc 7,15).


MEDITAR

O desafio que hoje se nos apresenta é responder adequadamente à sede de Deus de muitas pessoas, para que não tenham de ir apagá-la com propostas alienantes ou com um Jesus Cristo sem carne e sem compromisso com o outro. Se não encontram na Igreja uma espiritualidade que os cure, liberte, encha de vida e de paz, ao mesmo tempo em que os chame à comunhão solidária e à fecundidade missionária, acabarão enganados por propostas que não humanizam nem dão glória a Deus (Francisco, bispo de Roma e servo de Deus).

A simples administração eclesiástica é insuficiente para realizar a missão da Igreja: é hora de as comunidades cristãs viverem uma “conversão pastoral”, marcada pelo testemunho (Francisco Catão).


ORAR

O agir cristão deve considerar as três conexões existentes no interior do Evangelho. A primeira é que não se permite uma escuta descompromissada. A Palavra dá um sentido novo à vida e determina uma mudança radical na aceitação da nossa existência. A Palavra confinada ao âmbito do sagrado; cristalizada numa prática religiosa episódica e que não atinge o espaço “profano” do viver, é uma Palavra morta. Uma Palavra que não determina um compromisso concreto é uma Palavra que nos condena. Devemos escutar e cumprir. A segunda é com a humanidade: “A religião pura e sem mancha diante do Pai é esta: assistir os órfãos e as viúvas em suas tribulações”. Não basta nos sentirmos em dia com Deus mediante a prática cultual e religiosa. É urgente prolongar o serviço do templo numa liturgia da solidariedade, da fraternidade, da justiça e da misericórdia que se celebra ao longo do caminho. Testemunho que encontrei Deus se tenho a coragem de encontrar o irmão. Se rompermos esta íntima relação, a fé padecerá da deformação do intimismo, do espiritualismo desencarnado e do legalismo intolerante. A terceira dá-se entre o coração e a prática exterior. O Senhor não se contenta com a fachada porque faz a diagnose do coração. Jesus se refere ao coração como a fonte das ações. É no coração que amadurecemos as convicções profundas, as decisões fundamentais e as orientações da existência. O externo deve ser a expressão do que cresceu no íntimo do coração e não máscara, camuflagem e aparência. Deus está próximo quando a sua Palavra anima as ações, impulsiona-nos a encontrar o próximo e está semeada no coração. Quando simplesmente se dá escuta, culto e forma ao exterior, com certeza, o Senhor está em outra parte.


CONTEMPLAR

Madre Teresa de Calcutá, novembro de 1960, imagem: Keystone, Getty Images, Veja, veja.abril.com.br, 24/01/2014.