O Caminho da Beleza 06
Leituras para a
travessia da vida
“O conceito de sabedoria é aquele que reúne harmonicamente
diversos aspectos: conhecimento, amor, contemplação do belo e, também, ao mesmo
tempo, uma ‘comunhão com a verdade’ e uma ‘verdade que cria comunhão’, ‘uma
beleza que atrai e apaixona’” (Francisco).
“Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu
prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).
“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara,
1999, dias antes de sua passagem).
Sagrada Família
Gn 15, 1-6; 21, 1-3 Hb 11,8.11-12.17-19 Lc 2, 22-40
ESCUTAR
Sara concebeu e deu a Abraão um filho na velhice, no
tempo em que Deus lhe havia predito (Gn 15, 2).
Foi pela fé que Abraão obedeceu a ordem de partir
para uma terra que devia receber como herança, e partiu, sem saber para onde ia
(Hb 11, 8).
O menino crescia e tornava-se forte, cheio de
sabedoria; e a graça de Deus estava com ele (Lc 2, 40).
MEDITAR
Deus diz: “Eu sou a bondade soberana de todas as
coisas. Eu sou o que faz você amar. Eu sou o que faz você durar e desejar. Eu
sou isto – o cumprimento sem fim de todos os desejos” (Julian de Norwich).
Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e
enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e
a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja
preocupada em ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e
procedimentos (Francisco, Bispo de Roma).
ORAR
Neste
domingo, a liturgia nos faz contemplar Abraão e Maria e a sua resposta de fé
alicerçada numa esperança absoluta. Abraão tinha noventa e nove anos e o Senhor
lhe promete um filho com Sara que, ao ouvir a promessa do Senhor, diz: “Eu já estou seca, será que irei sentir
prazer, com um marido tão velho?” (Gn 18, 12). O Senhor anuncia a Maria,
a favorecida, um filho ainda que ela não convivesse com o seu noivo José.
Abraão responde “Eis-me aqui” e
antecipa a resposta da Virgem: “Eis
aqui a serva do Senhor, que sua palavra se cumpra em mim”. As descendências
prometidas ultrapassam a carne, pois o Senhor desafia: “Olha para o céu e conta as estrelas, se fores capaz! Assim será tua
descendência”. E Deus não
trapaceia! Para Deus, não existe uma vida leiga, pois toda a vida é totalmente e
eternamente consagrada. E esta vida consagrada ao amor conduz todos os homens e
mulheres que a escolhem a uma santidade mais radical e mais essencial: a de não trapacear! Os que trapaceiam
com a vida e com Deus se afastam da justiça e da verdade e neste cego
afastamento testemunham que trapacear é
necessariamente trair e matar. É no silêncio que esta família de Deus se expande e que o Espírito do
Senhor a conduz. É nos braços acolhedores de Simeão, movido pelo Espírito, que
a fragilidade do Menino se confia à humanidade e se cumpre a última profecia: “Agora, Senhor, segundo a tua promessa, deixas
teu servo ir em paz, porque meus olhos viram a tua salvação, que preparastes
diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória de Israel, teu
povo”. Deus se faz dom
para que possamos nos doar uns
aos outros, especialmente aos que ainda não conhecem o Cristo, e só assim O
encontramos. Caso contrário, ainda que sejamos batizados, não conheceremos
Aquele que é puro Dom e nos esconderemos em aconchegos imaturos armados pela mediocridade
das nossas instituições religiosas. No silêncio é que Maria quer ser acolhida
por nós, pois é por ela que Jesus nos é dado e que o Espírito nos habita. No
silêncio, José acolhe o Mistério e se coloca peregrino para que o dom de Deus
não se esvaia e o Menino seja a Luz das Nações. No silêncio, Simeão soube
esperar e ultrapassar os limites do seu próprio eu que poderia se opor à
passagem da Luz, que tudo transforma em visibilidade e transparência. No
silêncio, tudo o que somos, temos e fazemos, recebemos do Espírito que nos
ensina a vigiar, como José e Maria, contemplando a face do Menino que nos foi
confiado. É nesta contemplação silenciosa que Ele abrirá nossos corações para
que, olhando os outros, não a nós mesmos nem a nossa igreja, saibamos “ver a salvação”. Aprendamos da
sabedoria africana que “a palavra digna
de veneração é o silêncio”, pois aquele que não sabe guardar o silêncio,
não sabe falar. Os Padres da Igreja chamam os que não sabem guardar e zelar
pelo silêncio de “Stabulum sine janua”
– estábulos sem porta. A Sagrada
Família nos ensina o recíproco zelo para que não se esmoreça o cumprimento do
destino pleno de Deus. Temos que ir às últimas consequências, pois o amor é o
vínculo da perfeição e o nosso primeiro próximo é esta Vida Divina colocada em
nossas mãos para que, como manjedouras de Deus, desde agora e para sempre, tornemo-nos
uma autêntica maternidade divina. Esta é a razão porque Jesus nos deixou uma
pequena frase perturbadora, mas irresistível: “Vede minha mãe e meus irmãos. Pois, quem cumpre a vontade de meu Pai do
céu, esse é meu irmão, irmã e mãe” (Mc 3, 34-35).
CONTEMPLAR
A Fuga no Egito, s.d.,
Arcabas (Jean-Marie Pirot) (1926-), óleo sobre tela, 81 cm x 100 cm, França.
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