segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O Caminho da Beleza 52 - XXXIII Domingo do Tempo Comum








O Caminho da Beleza 52
Leituras para a travessia da vida

A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


XXXIII Domingo do Tempo Comum                     17.11.2013
Ml 3, 19-20             2 Ts 3, 7-12             Lc 21, 5-19


ESCUTAR

“Para vós que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas” (Ml 3, 20a )

“Quem não quer trabalhar, também não deve comer” (2 Ts 3, 10).

“Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome dizendo: ‘Sou eu!’ e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não sigais essa gente” (Lc 21, 8).


MEDITAR

“Crescemos na escola de Caifás, um professor que nos obrigou a copiar milhões de vezes no caderno de nossa existência que poder, riqueza e prestígio são os pilares de um mundo feliz. Frente a esta aprendizagem gravada a fogo na alma de nossa cultura, o caminho até a felicidade distópica do Reino – serviço, pobreza e humildade – exige uma conversão social e pessoal nada fácil e nem evidente” (José Laguna).

“Há que dizer a verdade, toda a verdade, nada mais que a verdade. Dizer cruamente a verdade crua, preocupadamente a verdade que causa dano, tristemente a verdade triste. Quem não proclama a verdade quando a conhece se torna cúmplice dos mentirosos e dos covardes” (Charles Pèguy).


ORAR


Teremos sempre que enfrentar a hora decisiva e a lucidez exige afrontar a soberba e a injustiça que tem raiz e ramos dentro de nós. Temos que atiçar o fogo ardente para queimar como palha tudo o que dentro de nós faz parte de um mundo decrépito e inaceitável aos olhos de Deus. Devemos aniquilar a astúcia humana que cultiva a ilusão de que pode possuir o segredo do momento e, por esta razão, tentamos o Senhor: “Mestre, quando vai ser isto? E qual será o sinal que tudo isto está para suceder?”. São sempre as mesmas e tediosas perguntas repetidas até a náusea – “quando?” e “como?” – para que possamos aniquilar o risco de sermos surpreendidos. Jesus nos apela à perseverança, pois “é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim”, pois os dias dos homens, os dias do antes também são dias do Senhor, dias em que se desenvolve o juízo. O único tempo certo é o tempo da conversão. A existência do cristão encontra o seu ponto de equilíbrio no concreto do compromisso cotidiano sério e sereno, evitando os extremos opostos do fanatismo e da inércia. Paulo fez-se construtor de tendas para sobreviver do próprio trabalho e não onerar a comunidade eclesial e Jesus afirma que do templo não “ficará pedra sobre pedra”: “O Senhor repudiou o seu altar, desfez o seu santuário, afundou na terra as portas, quebrou os ferrolhos, estendeu o prumo e não retirou a mão que derrubava” (Lm 2, 5-9). No lugar do Templo, Deus oferece uma tenda que, em sua provisoriedade, é necessária como resguardo e lugar de encontro dos nômades. E ainda assim continuam a perguntar: “O fim do mundo é para amanhã?”. Jesus dá a resposta: “O Reino de Deus não vem ostensivamente. Nem se poderá dizer: ‘Está aqui, está ali, pois o Reino de Deus está no meio de nós’” (Lc 17, 20-21). E podemos responder tranquilamente: “Não, o fim anunciado é hoje” e por mais que na arrogância queiramos materializar os símbolos de proteção e poder em fortalezas, templos, palácios e igrejas de pedra, Aquele que nasceu numa manjedoura, que morreu suspenso numa cruz e saiu vivo e nu de um túmulo despojado, garante, para todo o sempre, que somos o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em nós (cf. 1 Cor 3, 16).


CONTEMPLAR

Oscar Romero de El Salvador, ícone, anônimo.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

O Caminho da Beleza 51 - XXXII Domingo do Tempo Comum


O Caminho da Beleza 51
Leituras para a travessia da vida

A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


XXXII Domingo do Tempo Comum                       10.11.2013
2 Mc 7, 1-2.9-14                2 Ts 2, 16- 3, 5                   Lc 20, 27-38


ESCUTAR

“Prefiro ser morto pelos homens tendo em vista a esperança dada por Deus, que um dia nos ressuscitará” (2 Mc 7, 14).

“Que o Senhor dirija os vossos corações ao amor de Deus e à firme esperança em Cristo” (2 Ts 16, 5).

“Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, pois todos vivem para ele” (Lc 20, 38).


MEDITAR

“Deus não precisa ser representado. Ele é ele próprio. Isto basta. Deus não é uma criatura tão desvalida a ponto de precisar de porta-vozes o tempo todo. E quando ele quer falar, ele o faz na alma de cada pessoa” (Eugen Drewermann).

“Não somos espíritos, somos pessoas... Nos veremos à nós, humanos sempre, nos veremos sempre humanamente, ainda que nos vejamos ‘em sua luz’. A corporeidade humana é indestrutível. Será transformada” (D. Pedro Casaldáliga).


ORAR

Jesus nos faz entender que a instituição do matrimônio enquanto tal não tem razão de ser na outra vida. Isto não significa que na eternidade tudo será varrido, pois o que se semeou nesta terra no que se refere ao amor autêntico, à amizade, à fraternidade, certamente não desaparecerá. Ao contrário, tudo encontrará a sua plenitude e a sua máxima expressividade na transfiguração dos corpos. Devemos reter duas imagens. A primeira, “são como anjos”, pois a vida eterna estará consagrada ao louvor e à ação de graças em plena comunhão com Deus e entre nós. A segunda, “são filhos de Deus”, o que nos faz entrever uma relação de intimidade como a que existe entre o Pai e o Filho. O Senhor nunca permitirá que o vínculo da aliança se rompa por este corte brutal que é a morte. Estarmos destinados à vida eterna significa, principalmente, estarmos muito vivos no presente. O amor de Deus impede que nos percamos ao longo do caminho. A paciência do Cristo representa um antídoto contra o cansaço e a desilusão. Não temos o direito, como cristãos, de colocarmos a Jesus questões destinadas a ridicularizar o que acreditamos. Jesus afirma antes de mais nada que a sexualidade sobre a qual também repousa a bênção de Deus (cf. Gn 1, 28) é transitória e que ela pertence à condição terrestre dos seres humanos e exprime uma realidade que a transcende. Esta realidade é a fidelidade, a aliança nupcial de Deus com o seu povo, com todos os homens e mulheres: “Naquele dia – oráculo do Senhor – tu me chamarás Esposo meu, já não me chamarás Ídolo meu [...]. Eu me casarei contigo para sempre, eu me casarei contigo a preço de justiça e de direito, de afeto e de amor” (Os 2, 18.21). Não é a procriação que assegura a vida eterna, mas o poder de Deus e sua misericórdia.



CONTEMPLAR

A Ressurreição, William Blake, s.d., aquarela sobre lápis no papel, 21 x 20,5 cm, coleção particular.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O Caminho da Beleza 50 - Todos os Santos e Santas


O Caminho da Beleza 50
Leituras para a travessia da vida

A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


Festa de Todos os Santos                    03.01.2013
Ap 7, 2-4.9-14                    1 Jo 3, 1-3                Mt 5, 1-12


ESCUTAR

“Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar” (Ap 7, 9).

“Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus. E nós o somos” (1 Jo 3, 1).

“Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5, 12).


MEDITAR

"Há momentos em que até os Santos duvidam de tudo, de seu amor e de Deus. Nenhuma luz é entregue sem que haja noite, Cristo carregou em uma só noite de angústia e dúvida (‘Pai, por que me abandonaste?’) todas as nossas noites escuras”(Emmanuel Mounier).

“Tristeza é aboio de chamar o demônio” (Guimarães Rosa).


ORAR

Hoje é a festa da santidade anônima, porque hoje celebramos a imprevisibilidade do Espírito. Hoje somos chamados a, mais do que contar, a imaginar, aquela multidão que causará as surpresas mais incríveis: “Quem são estes... de onde vieram?”. Nunca é demais lembrar que o excesso até o infinito é a única medida que o amor de Deus adota, pois Ele prefere, mais do que a rígida aritmética dos números, a abundância da poesia dos rostos e a música dos nomes. O evangelho revela o segredo último da santidade: a alegria. O santo não é alguém sombrio, triste, com os olhos baixos, o ar severo, o sorriso difícil. O santo, ao contrário, é um candidato à alegria, pois somente na alegria se pode “suportar” o peso da glória. Se não formos capazes de nos alegrar e exultar, em qualquer circunstância da vida, não somos talhados para a santidade. Existe uma incompatibilidade absoluta entre a santidade e a tristeza. Os santos não vivem nas nuvens, mas caminham ao largo das nossas estradas, levam uma vida ordinária como a nossa, com as mesmas dificuldades, esforços, cansaços, problemas. Hoje é a festa da santidade ordinária, da santidade comum e da santidade que está ao nosso alcance. Nesta festa, a presença e a participação na comunhão dos santos transfiguram a ausência e a tristeza da lembrança dos mortos numa grande força espiritual: a do amor que nos consagra à vida e que nos desvela a fecundidade sem limites da misericórdia do Senhor, um Deus dos vivos e não dos mortos. Os cristãos proclamam que o Corpo da Humanidade, feito de seus corpos mortais, sepultados, esmagados e desfigurados, tornar-se-á o Corpo Glorioso de Jesus, o Filho em que habita a plenitude e, por esta razão, a esperança que os habita e sustenta não é vã. Viver na comunhão dos santos é conhecer a extensão de cada gesto de amor e de solidariedade; é acreditar na dimensão cósmica da nossa menor atitude, que faz vibrar no mesmo acorde toda a Criação. É saber que pelo amor conseguido participamos na vida da Trindade e, em Jesus, na intimidade do Pai, deixando-nos conduzir pelo Espírito da Liberdade. É saber que a nossa prática amorosa, como a de Jesus, tem um alcance salvador para toda a humanidade, esta imensidão de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas que estará, para sempre, aninhada no coração de Deus.

CONTEMPLAR

Bem Aventurados os pobres de espírito... Bem Aventurados os dóceis... Bem Aventurados os perseguidos... Bem Aventurados os misericordiosos..., Salvador Dali, Coleção “Biblia Sacra”, Canto III/43, Sociedade Rizzoli, Milão, Itália, 1967.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O Caminho da Beleza 49 - XXX Domingo do Tempo Comum


O Caminho da Beleza 49
Leituras para a travessia da vida

A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


XXX Domingo do Tempo Comum              27.10.2013
Eclo 35, 15b-17.20-22                2 Tm 4, 6-8.16-18                        Lc 18, 9-14


ESCUTAR

“O Senhor é um juiz que não faz acepção de pessoas. Ele não é parcial em prejuízo do pobre, mas escuta, sim, a súplica do injustiçado. Jamais despreza a súplica do órfão nem da viúva, quando esta lhe fala com seus gemidos” (Eclo 35, 15b-16).

“Quanto a mim, já estou sendo oferecido em libação, pois chegou o tempo da minha partida. Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé” (2 Tm 4, 6-7).

“Quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado” (Lc 18, 14).


MEDITAR

“Deveria ter feito mais concessões e remado menos contra a maré? A resposta a que eu mesmo ia me dar e a que queria ouvir me chega lá de dentro da noite num inesperado canto de galo que me diz: Não! Não! Não!” (Joel Silveira).

“A grandeza não consiste em se colocar acima e exigir, a grandeza não consiste em comandar, a grandeza, por ser grandeza, consiste em se dar e é maior quem se dá mais!” (Maurice Zundel).


ORAR

O Senhor é o juiz imparcial, mas não é impassível; é imparcial, mas não acima das partes. Ele está decididamente ao lado do pobre, do oprimido e do indefeso. O Eclesiástico nos revela que somente “os gritos do humilde atravessam as nuvens” e chegam ao seu destino. A oração do fariseu não atravessa as nuvens e não atinge nem o teto do templo, pois está carregada com o peso da vaidade e da auto-glorificação. Não expressa uma ação de graças, mas a satisfação de si mesmo. O fariseu não ora, mas se olha, se contempla e reza para si mesmo. Toda justiça do fariseu está construída com os próprios recursos. A atitude do publicano revela que o contrário do pecado não é a virtude, mas a fé. Uma fé que abre nossos olhos sobre o nada que somos e sobre o tudo que é Deus; sobre as nossas limitações e a misericórdia infinita do Senhor. O Senhor não contabiliza os nossos méritos, mas dá infinitamente o seu perdão e sua misericórdia a quem reconhece que tem necessidade dela. O fariseu reza, submetido à antiga lei, com as normas rígidas e as práticas legalistas que devem ser observadas e, ao menos na aparência, cumpridas. Jesus exige que ultrapassemos estes limites para que, amando com gratuidade, possamos oferecer a oração que jorra do nosso coração. Devemos ser humildes diante do Senhor, pois a sua Palavra é crítica da existência humana porque ela mesma se fez carne. Os humildes saberão a fonte da luz que os habita porque Deus a revelou aos pequeninos e se converterão, para sempre, em homens e mulheres redimidos na sua dignidade que nada mais é do que uma liberdade em travessia: a dos bem-aventurados!


CONTEMPLAR

São Francisco em êxtase, Michelangelo Merisi da Caravaggio, ca. 1594-95, óleo sobre tela, 92.5 × 127.8 cm, The Ella Gallup Sumner and Mary Catlin Sumner Collection Fund, Wadsworth Atheneum Museum of Art, Hartford, Connecticut, Estados Unidos.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O Caminho da Beleza 48 - XXIX Domingo do Tempo Comum


O Caminho da Beleza 48
Leituras para a travessia da vida

A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


XXIX Domingo do Tempo Comum                         20.10.2013
Ex 17, 8-13              2 Tm 3, 14- 4, 2                 Lc 18, 1-8


ESCUTAR

“Assim as mãos ficaram firmes até o por do sol, e Josué derrotou Amalec e sua gente a fio de espada” (Ex 17, 12-13).

“Quanto a ti permanece firme naquilo que aprendestes e aceitaste como verdade” (2 Tm 3, 14).

“Mas o Filho do Homem, quando vier, será que vai encontrar fé sobre a terra?” (Lc 18, 8).


MEDITAR

“Hein, jovens! Vocês, queridos jovens, possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio benefício. Também para vocês e para todas as pessoas repito: nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança” (Papa Francisco).

“Não desistais, pois, jamais de orar e de esperar despojados e vazios de tudo, porque se o fizerem, Deus não tardará a vir” (São João da Cruz).


ORAR

Paulo exorta a nos convertemos em pessoas que resistem: “permanece firme naquilo que aprendeste”. E a resistência implica numa obstinação: “insiste oportuna e ou importunamente”. A resistência não é uma postura passiva de defesa, mas se expressa num dinamismo de iniciativa permanente. A Palavra é servida numa tríplice dimensão: o anúncio, a exortação e a consolação. A resistência não se refere somente ao âmbito da fé e da fidelidade à Palavra, mas abarca toda a vida do crente. O cristão está sempre alinhado à resistência contínua e não é como aquele que reage somente em situações de emergência. O cristão é o que afronta e resiste a toda e qualquer ordem social injusta que nega a liberdade e ofende a dignidade das pessoas. O cristão luta e denuncia toda forma de servidão, de desumanização e de aviltamento. O verdadeiro discípulo de Cristo opõe resistência a todos os fanatismos, intolerâncias e sectarismos. O cristão resistente renuncia aos atrativos de posições tranquilas e privilegiadas; dos apoios importantes e das carreiras facilitadas. Aceita fazer parte de uma minoria que se opõe à estupidez geral, que vigia e desperta do sonho provocado por uma evangelização emocional e sentimentalista que contagia as massas. O cristão que resiste tem a lucidez de que a pedra que o sustenta é Cristo e que ela não pode ser usada para se sentar, mas para permanecer de pé. Jesus nos ensina a orar com a maior tenacidade possível por meio de pedidos concretos. A comunidade fraterna está sujeita a viver tribulações e injustiças; a experimentar tempos difíceis e de longa espera. Podemos e chegamos, muitas vezes, ao limite do desespero, mas devemos confiar que, apesar das aparências, o Senhor sempre chega antes e não deixa nada pela metade e nem pelo meio do caminho. O Senhor age por meio dos fatos e não adia a sua justiça, mas cumpre-a no aqui e agora das nossas vidas e testemunhos.

CONTEMPLAR

Um amigo necessitado e a viúva e o juiz, Nelly Bubeh, s.d., Astana, Cazaquistão.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O Caminho da Beleza 47 - XXVIII Domingo do Tempo Comum


O Caminho da Beleza 47
Leituras para a travessia da vida

A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


 XXVIII Domingo do Tempo Comum                     13.10.2013
Rs 5, 14-17                      2 Tm 2, 8-13                      Lc 17, 11-19


ESCUTAR

“‘Agora estou convencido de que não há outro Deus em toda a terra, senão o que há em Israel! Por favor, aceita um presente de mim, teu servo’. Eliseu respondeu: ‘Pela vida do Senhor, a quem sirvo, nada aceitarei’” (2 Rs 5, 15).

“A Palavra de Deus não está algemada” (2 Tm 2, 9).

“E este era um samaritano. Então Jesus perguntou: ‘Não foram dez os curados?’”(Lc 17, 17).


MEDITAR

“Damos graças por este Deus que não esmaga nunca, não se impõe, não julga e nunca rejeita ninguém (...) Damos graças a este Deus porque Ele é um Deus de relação e de comunhão e não um todo-poderoso solitário e distante. Ele é na sua própria natureza acolhida e dom; partilha e comunhão” (Pierre Claverie).

“Não é preciso agir visando a uma recompensa, nem ter em vista o que se poderia obter ou ganhar, mas é preciso agir somente por amor da virtude. Pois quanto mais se está esvaziado, mais se está pleno” (Mestre Eckhart).


ORAR

O evangelho narra que nove leprosos permaneceram curados, mas somente um, o samaritano, foi capaz do reconhecimento, da fé e da ação de graças e por isso foi salvo. A memória faz parte integrante da gratuidade e fazer memória ao Cristo é proclamar que não se pode algemar a Palavra e nem o seu dom. A fé ignora fronteiras porque a graça de Deus é para todos e somente os mesquinhos de coração se esforçam em confiná-la. Naamã, o sírio, acreditava que somente na terra santa de Israel era possível adorar e dar graças a Deus e, por esta razão, pede a Deus para levar “a terra que dois jumentos podem carregar”, pois somente assim poderia “celebrar”. Para Jesus, a oração é possível em qualquer parte e em qualquer lugar do mundo. A comunhão com Deus passa por meio da fé e mais nada. O importante é cultivar no terreno tenro do coração a dimensão do reconhecimento. O cristão não é o que pede graças ou recebe graças: o cristão é o que dá graças por reconhecer o dom e a dádiva gratuita de Deus. O cristão é o oposto do indivíduo que reivindica, reclama e exige. O cristão tem o sentido da dívida com Deus e experimenta a vida como um doar e não como um tomar. A ação de graças não se esgota na oração, mas na alegria de viver. A piedade extremada pode dar a impressão de que estamos participando nos funerais dos dons de Deus. A melhor maneira de “dar graças a Deus” é celebrar a vida. A gratidão é uma restituição que continua, é uma troca que não almeja alcançar a igualdade. A gratidão é aceitar com alegria que nossa vida está ligada ao Outro e a tantas outras vidas. O cristão e os de boa-vontade sabem que não existe uma coisa pior do que não ter nada para pedir: é não ter nada pelo que dar graças, agradecer.


CONTEMPLAR

Cura dos dez leprosos, Anônimo, 1035-1040, Codex Aureus Epternacensis, Nuremberg, Germanisches Nationalmuseum, Alemanha.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O Caminho da Beleza 46 - XXVII Domingo do Tempo Comum


O Caminho da Beleza 46
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


 XXVII Domingo do Tempo Comum                       06.10.2013
Hab 1, 2-3; 2, 2-4             2 Tm 1, 6-8.13-14             Lc 17, 5-10


ESCUTAR

“Vai se se acabar quem não é reto, o justo viverá por sua fidelidade” (Hab 2, 4).

“Pois Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de força, de amor e sobriedade” (2 Tm 1, 7).

“Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos simples servos; fizemos o que devíamos fazer’” (Lc 17, 10).


MEDITAR

“O Ocidental não aceita o ‘sofrimento’ como parte de sua vida e desse modo ele nunca pode retirar dele uma força positiva” (Etty Hillesum).

“Dai-me Senhor, a liberdade de aceitar as coisas que não posso mudar. Dai-me a coragem de mudar aquelas que posso mudar. Dai-me a sabedoria de distingui-las umas das outras” (Friedrich Christoph Oetinger).


ORAR


          A fé se apresenta hoje sob três pontos de vista: a paciência, a perseverança e o trabalho pelo Reino. O justo se nutre e se fortalece na e pela fé. Entretanto, a fé não se alimenta de seguranças, explicações, verificações imediatas, mas de esperas intermináveis. Não nos é permitido forçar a Deus, aprisioná-Lo em nossas previsões, nossos cálculos e programas. A espera é feita de paciência, calma, paz e tempos largos. Implica a capacidade de resistir ao desalento e à desilusão. Nada acontece quando nós decidimos por nós mesmos, pois Deus se faz esperar. Temos sempre a sensação de que Deus parece andar atrasado quando O comparamos com a nossa pressa e não confiamos em sua promessa. A parábola do evangelho deve ser compreendida tendo como referência o servo e não o patrão orgulhoso, pretencioso e ostensivo diante dos seus servos. Nós somos os servos que nos empenhamos com amor e humildade e a relação com Deus está sob o sinal da gratuidade e não de um contrato. Hoje abundam servos que se consideram indispensáveis e insubstituíveis; que alardeiam as coisas grandiosas que pensam ter feito. Hoje temos necessidade de servos inúteis se desejarmos que a vinha do Senhor se cultive; necessitamos de operários que encontrem a alegria no seu empenho pelo Reino de Deus ainda que seja na obscuridade e não na exibição descarada dos seus empreendimentos. Muitos são os servos que querem se colocar em evidência por meio dos seus programas grandiosos, anunciar iniciativas arrojadas e proclamar mudanças determinantes. Para o Senhor, a história é feita pelos “servos inúteis”, humildes e incansáveis que se colocam sempre à disposição do seu Senhor. O servo do Evangelho não se presta à adoração pública, pois prefere que lhe seja concedido receber, depois de ter-se disponibilizado total e silenciosamente a Deus, o raríssimo e precioso prêmio da inutilidade: a vida eterna.


CONTEMPLAR

Jesus lavando os pés de Pedro, Ford Madox Brown, 1852-56, óleo sobre tela, 1168 x 1333 mm, Galeria Tate, Londres, Reino Unido.