segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O Caminho da Beleza 50 - Todos os Santos e Santas


O Caminho da Beleza 50
Leituras para a travessia da vida

A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


Festa de Todos os Santos                    03.01.2013
Ap 7, 2-4.9-14                    1 Jo 3, 1-3                Mt 5, 1-12


ESCUTAR

“Depois disso, vi uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar” (Ap 7, 9).

“Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: de sermos chamados filhos de Deus. E nós o somos” (1 Jo 3, 1).

“Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5, 12).


MEDITAR

"Há momentos em que até os Santos duvidam de tudo, de seu amor e de Deus. Nenhuma luz é entregue sem que haja noite, Cristo carregou em uma só noite de angústia e dúvida (‘Pai, por que me abandonaste?’) todas as nossas noites escuras”(Emmanuel Mounier).

“Tristeza é aboio de chamar o demônio” (Guimarães Rosa).


ORAR

Hoje é a festa da santidade anônima, porque hoje celebramos a imprevisibilidade do Espírito. Hoje somos chamados a, mais do que contar, a imaginar, aquela multidão que causará as surpresas mais incríveis: “Quem são estes... de onde vieram?”. Nunca é demais lembrar que o excesso até o infinito é a única medida que o amor de Deus adota, pois Ele prefere, mais do que a rígida aritmética dos números, a abundância da poesia dos rostos e a música dos nomes. O evangelho revela o segredo último da santidade: a alegria. O santo não é alguém sombrio, triste, com os olhos baixos, o ar severo, o sorriso difícil. O santo, ao contrário, é um candidato à alegria, pois somente na alegria se pode “suportar” o peso da glória. Se não formos capazes de nos alegrar e exultar, em qualquer circunstância da vida, não somos talhados para a santidade. Existe uma incompatibilidade absoluta entre a santidade e a tristeza. Os santos não vivem nas nuvens, mas caminham ao largo das nossas estradas, levam uma vida ordinária como a nossa, com as mesmas dificuldades, esforços, cansaços, problemas. Hoje é a festa da santidade ordinária, da santidade comum e da santidade que está ao nosso alcance. Nesta festa, a presença e a participação na comunhão dos santos transfiguram a ausência e a tristeza da lembrança dos mortos numa grande força espiritual: a do amor que nos consagra à vida e que nos desvela a fecundidade sem limites da misericórdia do Senhor, um Deus dos vivos e não dos mortos. Os cristãos proclamam que o Corpo da Humanidade, feito de seus corpos mortais, sepultados, esmagados e desfigurados, tornar-se-á o Corpo Glorioso de Jesus, o Filho em que habita a plenitude e, por esta razão, a esperança que os habita e sustenta não é vã. Viver na comunhão dos santos é conhecer a extensão de cada gesto de amor e de solidariedade; é acreditar na dimensão cósmica da nossa menor atitude, que faz vibrar no mesmo acorde toda a Criação. É saber que pelo amor conseguido participamos na vida da Trindade e, em Jesus, na intimidade do Pai, deixando-nos conduzir pelo Espírito da Liberdade. É saber que a nossa prática amorosa, como a de Jesus, tem um alcance salvador para toda a humanidade, esta imensidão de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas que estará, para sempre, aninhada no coração de Deus.

CONTEMPLAR

Bem Aventurados os pobres de espírito... Bem Aventurados os dóceis... Bem Aventurados os perseguidos... Bem Aventurados os misericordiosos..., Salvador Dali, Coleção “Biblia Sacra”, Canto III/43, Sociedade Rizzoli, Milão, Itália, 1967.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O Caminho da Beleza 49 - XXX Domingo do Tempo Comum


O Caminho da Beleza 49
Leituras para a travessia da vida

A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


XXX Domingo do Tempo Comum              27.10.2013
Eclo 35, 15b-17.20-22                2 Tm 4, 6-8.16-18                        Lc 18, 9-14


ESCUTAR

“O Senhor é um juiz que não faz acepção de pessoas. Ele não é parcial em prejuízo do pobre, mas escuta, sim, a súplica do injustiçado. Jamais despreza a súplica do órfão nem da viúva, quando esta lhe fala com seus gemidos” (Eclo 35, 15b-16).

“Quanto a mim, já estou sendo oferecido em libação, pois chegou o tempo da minha partida. Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé” (2 Tm 4, 6-7).

“Quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado” (Lc 18, 14).


MEDITAR

“Deveria ter feito mais concessões e remado menos contra a maré? A resposta a que eu mesmo ia me dar e a que queria ouvir me chega lá de dentro da noite num inesperado canto de galo que me diz: Não! Não! Não!” (Joel Silveira).

“A grandeza não consiste em se colocar acima e exigir, a grandeza não consiste em comandar, a grandeza, por ser grandeza, consiste em se dar e é maior quem se dá mais!” (Maurice Zundel).


ORAR

O Senhor é o juiz imparcial, mas não é impassível; é imparcial, mas não acima das partes. Ele está decididamente ao lado do pobre, do oprimido e do indefeso. O Eclesiástico nos revela que somente “os gritos do humilde atravessam as nuvens” e chegam ao seu destino. A oração do fariseu não atravessa as nuvens e não atinge nem o teto do templo, pois está carregada com o peso da vaidade e da auto-glorificação. Não expressa uma ação de graças, mas a satisfação de si mesmo. O fariseu não ora, mas se olha, se contempla e reza para si mesmo. Toda justiça do fariseu está construída com os próprios recursos. A atitude do publicano revela que o contrário do pecado não é a virtude, mas a fé. Uma fé que abre nossos olhos sobre o nada que somos e sobre o tudo que é Deus; sobre as nossas limitações e a misericórdia infinita do Senhor. O Senhor não contabiliza os nossos méritos, mas dá infinitamente o seu perdão e sua misericórdia a quem reconhece que tem necessidade dela. O fariseu reza, submetido à antiga lei, com as normas rígidas e as práticas legalistas que devem ser observadas e, ao menos na aparência, cumpridas. Jesus exige que ultrapassemos estes limites para que, amando com gratuidade, possamos oferecer a oração que jorra do nosso coração. Devemos ser humildes diante do Senhor, pois a sua Palavra é crítica da existência humana porque ela mesma se fez carne. Os humildes saberão a fonte da luz que os habita porque Deus a revelou aos pequeninos e se converterão, para sempre, em homens e mulheres redimidos na sua dignidade que nada mais é do que uma liberdade em travessia: a dos bem-aventurados!


CONTEMPLAR

São Francisco em êxtase, Michelangelo Merisi da Caravaggio, ca. 1594-95, óleo sobre tela, 92.5 × 127.8 cm, The Ella Gallup Sumner and Mary Catlin Sumner Collection Fund, Wadsworth Atheneum Museum of Art, Hartford, Connecticut, Estados Unidos.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O Caminho da Beleza 48 - XXIX Domingo do Tempo Comum


O Caminho da Beleza 48
Leituras para a travessia da vida

A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


XXIX Domingo do Tempo Comum                         20.10.2013
Ex 17, 8-13              2 Tm 3, 14- 4, 2                 Lc 18, 1-8


ESCUTAR

“Assim as mãos ficaram firmes até o por do sol, e Josué derrotou Amalec e sua gente a fio de espada” (Ex 17, 12-13).

“Quanto a ti permanece firme naquilo que aprendestes e aceitaste como verdade” (2 Tm 3, 14).

“Mas o Filho do Homem, quando vier, será que vai encontrar fé sobre a terra?” (Lc 18, 8).


MEDITAR

“Hein, jovens! Vocês, queridos jovens, possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio benefício. Também para vocês e para todas as pessoas repito: nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança” (Papa Francisco).

“Não desistais, pois, jamais de orar e de esperar despojados e vazios de tudo, porque se o fizerem, Deus não tardará a vir” (São João da Cruz).


ORAR

Paulo exorta a nos convertemos em pessoas que resistem: “permanece firme naquilo que aprendeste”. E a resistência implica numa obstinação: “insiste oportuna e ou importunamente”. A resistência não é uma postura passiva de defesa, mas se expressa num dinamismo de iniciativa permanente. A Palavra é servida numa tríplice dimensão: o anúncio, a exortação e a consolação. A resistência não se refere somente ao âmbito da fé e da fidelidade à Palavra, mas abarca toda a vida do crente. O cristão está sempre alinhado à resistência contínua e não é como aquele que reage somente em situações de emergência. O cristão é o que afronta e resiste a toda e qualquer ordem social injusta que nega a liberdade e ofende a dignidade das pessoas. O cristão luta e denuncia toda forma de servidão, de desumanização e de aviltamento. O verdadeiro discípulo de Cristo opõe resistência a todos os fanatismos, intolerâncias e sectarismos. O cristão resistente renuncia aos atrativos de posições tranquilas e privilegiadas; dos apoios importantes e das carreiras facilitadas. Aceita fazer parte de uma minoria que se opõe à estupidez geral, que vigia e desperta do sonho provocado por uma evangelização emocional e sentimentalista que contagia as massas. O cristão que resiste tem a lucidez de que a pedra que o sustenta é Cristo e que ela não pode ser usada para se sentar, mas para permanecer de pé. Jesus nos ensina a orar com a maior tenacidade possível por meio de pedidos concretos. A comunidade fraterna está sujeita a viver tribulações e injustiças; a experimentar tempos difíceis e de longa espera. Podemos e chegamos, muitas vezes, ao limite do desespero, mas devemos confiar que, apesar das aparências, o Senhor sempre chega antes e não deixa nada pela metade e nem pelo meio do caminho. O Senhor age por meio dos fatos e não adia a sua justiça, mas cumpre-a no aqui e agora das nossas vidas e testemunhos.

CONTEMPLAR

Um amigo necessitado e a viúva e o juiz, Nelly Bubeh, s.d., Astana, Cazaquistão.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O Caminho da Beleza 47 - XXVIII Domingo do Tempo Comum


O Caminho da Beleza 47
Leituras para a travessia da vida

A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


 XXVIII Domingo do Tempo Comum                     13.10.2013
Rs 5, 14-17                      2 Tm 2, 8-13                      Lc 17, 11-19


ESCUTAR

“‘Agora estou convencido de que não há outro Deus em toda a terra, senão o que há em Israel! Por favor, aceita um presente de mim, teu servo’. Eliseu respondeu: ‘Pela vida do Senhor, a quem sirvo, nada aceitarei’” (2 Rs 5, 15).

“A Palavra de Deus não está algemada” (2 Tm 2, 9).

“E este era um samaritano. Então Jesus perguntou: ‘Não foram dez os curados?’”(Lc 17, 17).


MEDITAR

“Damos graças por este Deus que não esmaga nunca, não se impõe, não julga e nunca rejeita ninguém (...) Damos graças a este Deus porque Ele é um Deus de relação e de comunhão e não um todo-poderoso solitário e distante. Ele é na sua própria natureza acolhida e dom; partilha e comunhão” (Pierre Claverie).

“Não é preciso agir visando a uma recompensa, nem ter em vista o que se poderia obter ou ganhar, mas é preciso agir somente por amor da virtude. Pois quanto mais se está esvaziado, mais se está pleno” (Mestre Eckhart).


ORAR

O evangelho narra que nove leprosos permaneceram curados, mas somente um, o samaritano, foi capaz do reconhecimento, da fé e da ação de graças e por isso foi salvo. A memória faz parte integrante da gratuidade e fazer memória ao Cristo é proclamar que não se pode algemar a Palavra e nem o seu dom. A fé ignora fronteiras porque a graça de Deus é para todos e somente os mesquinhos de coração se esforçam em confiná-la. Naamã, o sírio, acreditava que somente na terra santa de Israel era possível adorar e dar graças a Deus e, por esta razão, pede a Deus para levar “a terra que dois jumentos podem carregar”, pois somente assim poderia “celebrar”. Para Jesus, a oração é possível em qualquer parte e em qualquer lugar do mundo. A comunhão com Deus passa por meio da fé e mais nada. O importante é cultivar no terreno tenro do coração a dimensão do reconhecimento. O cristão não é o que pede graças ou recebe graças: o cristão é o que dá graças por reconhecer o dom e a dádiva gratuita de Deus. O cristão é o oposto do indivíduo que reivindica, reclama e exige. O cristão tem o sentido da dívida com Deus e experimenta a vida como um doar e não como um tomar. A ação de graças não se esgota na oração, mas na alegria de viver. A piedade extremada pode dar a impressão de que estamos participando nos funerais dos dons de Deus. A melhor maneira de “dar graças a Deus” é celebrar a vida. A gratidão é uma restituição que continua, é uma troca que não almeja alcançar a igualdade. A gratidão é aceitar com alegria que nossa vida está ligada ao Outro e a tantas outras vidas. O cristão e os de boa-vontade sabem que não existe uma coisa pior do que não ter nada para pedir: é não ter nada pelo que dar graças, agradecer.


CONTEMPLAR

Cura dos dez leprosos, Anônimo, 1035-1040, Codex Aureus Epternacensis, Nuremberg, Germanisches Nationalmuseum, Alemanha.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O Caminho da Beleza 46 - XXVII Domingo do Tempo Comum


O Caminho da Beleza 46
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


 XXVII Domingo do Tempo Comum                       06.10.2013
Hab 1, 2-3; 2, 2-4             2 Tm 1, 6-8.13-14             Lc 17, 5-10


ESCUTAR

“Vai se se acabar quem não é reto, o justo viverá por sua fidelidade” (Hab 2, 4).

“Pois Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de força, de amor e sobriedade” (2 Tm 1, 7).

“Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos simples servos; fizemos o que devíamos fazer’” (Lc 17, 10).


MEDITAR

“O Ocidental não aceita o ‘sofrimento’ como parte de sua vida e desse modo ele nunca pode retirar dele uma força positiva” (Etty Hillesum).

“Dai-me Senhor, a liberdade de aceitar as coisas que não posso mudar. Dai-me a coragem de mudar aquelas que posso mudar. Dai-me a sabedoria de distingui-las umas das outras” (Friedrich Christoph Oetinger).


ORAR


          A fé se apresenta hoje sob três pontos de vista: a paciência, a perseverança e o trabalho pelo Reino. O justo se nutre e se fortalece na e pela fé. Entretanto, a fé não se alimenta de seguranças, explicações, verificações imediatas, mas de esperas intermináveis. Não nos é permitido forçar a Deus, aprisioná-Lo em nossas previsões, nossos cálculos e programas. A espera é feita de paciência, calma, paz e tempos largos. Implica a capacidade de resistir ao desalento e à desilusão. Nada acontece quando nós decidimos por nós mesmos, pois Deus se faz esperar. Temos sempre a sensação de que Deus parece andar atrasado quando O comparamos com a nossa pressa e não confiamos em sua promessa. A parábola do evangelho deve ser compreendida tendo como referência o servo e não o patrão orgulhoso, pretencioso e ostensivo diante dos seus servos. Nós somos os servos que nos empenhamos com amor e humildade e a relação com Deus está sob o sinal da gratuidade e não de um contrato. Hoje abundam servos que se consideram indispensáveis e insubstituíveis; que alardeiam as coisas grandiosas que pensam ter feito. Hoje temos necessidade de servos inúteis se desejarmos que a vinha do Senhor se cultive; necessitamos de operários que encontrem a alegria no seu empenho pelo Reino de Deus ainda que seja na obscuridade e não na exibição descarada dos seus empreendimentos. Muitos são os servos que querem se colocar em evidência por meio dos seus programas grandiosos, anunciar iniciativas arrojadas e proclamar mudanças determinantes. Para o Senhor, a história é feita pelos “servos inúteis”, humildes e incansáveis que se colocam sempre à disposição do seu Senhor. O servo do Evangelho não se presta à adoração pública, pois prefere que lhe seja concedido receber, depois de ter-se disponibilizado total e silenciosamente a Deus, o raríssimo e precioso prêmio da inutilidade: a vida eterna.


CONTEMPLAR

Jesus lavando os pés de Pedro, Ford Madox Brown, 1852-56, óleo sobre tela, 1168 x 1333 mm, Galeria Tate, Londres, Reino Unido.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O Caminho da Beleza 45 - XXVI Domingo do Tempo Comum


O Caminho da Beleza 45
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


XXVI Domingo do Tempo Comum             29.09.2013
Am 6, 1.4-7             1 Tm 6, 11-16                      Lc 16, 19-31


ESCUTAR

“Ai dos que vivem despreocupadamente em Sião, os que se sentem seguros nas alturas de Samaria!” (Am 6, 1).

“Tu que és um homem de Deus, foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão” (1 Tm 6, 11).

“Há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós” (Lc 16, 26).


MEDITAR

“Comece fazendo o que é necessário, despois o que é possível e de repente estarás fazendo o impossível” (São Francisco de Assis).

“Somente quando não se poupam as mãos no serviço de amor e de misericórdia na disposição diária de ajudar, pode a boca anunciar com alegria e credibilidade a palavra do amor e da misericórdia de Deus” (Dietrich Bonhoeffer).


ORAR

Há um momento da vida que é preciso “acertar as contas” e na maioria das vezes o cenário é desagradável: uma existência fútil e inútil; uma ostentação descarada do luxo, um alarde das riquezas acumuladas por meios inconfessáveis. O profeta não poupa as palavras: a orgia dos dissolutos acabará de uma maneira trágica: “Eles irão agora para o desterro, na primeira fila, e o bando dos gozadores será desfeito”. Na parábola de Jesus, o rico não tem nome e nem o necessita, pois de todas as maneiras seria abusivo para qualquer um desde que a vida se torna vazia, fútil e se gasta unicamente em favor próprio. O mendigo não possui nada e nada recebe além da compaixão dos cachorros que vinham lamber as suas feridas. Mas, tem um nome importante – Lázaro – que significa Deus trouxe auxílio. A narrativa evangélica não pretende descrever o além-da-morte, nem nos informar sobre a decoração e a temperatura do inferno. Ela quer nos fazer entender a mudança radical das perspectivas no momento da morte, quando o teatro termina, as cortinas se fecham e as luzes se apagam. Em síntese, a parábola afirma que a Palavra de Deus Basta e sobra!!! Não há aparições, nem de mortos ou fantasmas, que podem substituí-la e nem sinais extraordinários que sejam mais convincentes. Os mais pobres exigem que façamos justiça às suas vidas e que transformemos as estruturas sociais e religiosas que os condenam à mendicância. Neles, o Cristo mendiga a cada instante e deste Cristo encarnado nos pobres não podemos nos envergonhar, pois o evangelho de Jesus revela que quanto menor é o irmão tanto maior é nele a presença do Cristo: “Aquele que recebe um destes pequeninos é a mim que recebe” (Mc 9, 37). Ironicamente, o evangelista mostra que Lázaro não teve um funeral e, no entanto, “os anjos levaram-no para junto de Abraão”. E o rico anônimo acostumado às pompas foi, simplesmente, enterrado. Devemos ter a lucidez que um lázaro qualquer de nossas vidas, o menor entre os menores, é e sempre será o que poderá interceder por nós diante Daquele que  vive e reina com o Pai na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos. Amém.


CONTEMPLAR

Lázaro e o rico, maestro de Westfália, século XV, Fundação Barnes, Merion, Pensilvania, Estados Unidos.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O Caminho da Beleza 44 - XXV Domingo do Tempo Comum


O Caminho da Beleza 44
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


XXV Domingo do Tempo Comum               22.09.2013
Am 8, 4-7                1 Tm 2, 1-8              Lc 16, 1-13


ESCUTAR

“Nunca mais esquecerei o que eles fizeram” (Am 8, 7).

“Quero, portanto, que em todo lugar os homens façam a oração, erguendo mãos santas, sem ira e sem discussões” (1 Tm 2, 8).

“Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16, 13).


MEDITAR

“A nossa vocação de comunidade levou-nos a viver exclusivamente do nosso próprio trabalho, não aceitando nem doações, nem heranças, nem presentes, absolutamente nada. A audácia de não garantir nenhum capital, sem temer a possível pobreza, dá uma força incalculável” (As fontes de Taizé).

"Sonhei que o papa enlouquecia. E ele mesmo ateava fogo ao Vaticano e à Basílica de São Pedro. Loucura sagrada, porque Deus atiçava o fogo que os bombeiros, em vão, tentavam extinguir. O papa, louco, saía pelas ruas de Roma, dizendo adeus aos embaixadores, credenciados junto a ele; e espalhando pelos pobres o dinheiro todo do Banco do Vaticano. Que vergonha para os cristãos! Para que um papa viva o Evangelho, temos que imaginá-lo em plena loucura” (Dom Hélder Câmara).


ORAR

A lição de hoje é de uma visibilidade inconfundível: não se pode misturar religião e injustiça; culto e fraude; glória de Deus e aviltamento do homem; louvor ao Pai e exploração do fraco. Deus esquece as nossas práticas religiosas ainda que as conciliemos com uma conduta desonesta, mas jamais esquece as práticas de trapaça enganosas: “Dominar os pobres com dinheiro e os humildes com um par de sandálias”. Os que governam e não conduzem o povo a uma vida digna são maus administradores e “filhos das trevas”. São os que idolatram o dinheiro e acumulam riquezas injustas porque não partilhadas. Os “filhos da luz” devem testemunhar um mundo totalmente diferente, um mundo em que os valores sejam os da acolhida, os da amizade e os da partilha. O gerente fraudulento acaba agindo de uma maneira sensata e toma uma decisão imediata: fazer amigos como um investimento para o futuro, pois considerou as relações humanas mais importantes do que o dinheiro injusto acumulado pelo patrão. Só devemos servir a Deus e devemos servi-Lo com mais astúcia, audácia, espírito inventivo, sendo generosos com os bens que nos foram confiados e não mais avarentos. Tudo nos foi dado por Deus para todos. O Senhor sente repugnância pelo avarento, mas ama receber das pessoas generosas que servem a Deus ao servir os seus irmãos. Meditemos as palavras de São Basílio: “Não és acaso um ladrão, tu que te apossas das riquezas cuja gestão recebestes? Ao faminto pertence o pão que guardas; ao homem nu, o manto que mantém guardado; ao descalço, os sapatos que estão estragando em tua casa; ao necessitado, o dinheiro que escondestes. Cometes assim tantas injustiças quantos são aqueles a quem poderias dar”. Nossas igrejas e comunidades estão sempre em julgamento, pois dizer e não fazer é uma impostura e com ela continuaremos a “diminuir medidas, aumentar pesos, adulterar balanças, maltratar os humildes e causar a prostração dos pobres da terra”. O Papa Paulo VI advertia: “Um cristão não pode sentir-se tranquilo enquanto houver um homem que sofre; que é tratado injustamente; que não tem o necessário para viver”.

CONTEMPLAR

O administrador astuto, Turone di Maxio, fim do século XIV, Arquivo Capitular, corale MLX, f. 24v., Verona, Itália.