segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O Caminho da Beleza 45 - XXVI Domingo do Tempo Comum


O Caminho da Beleza 45
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


XXVI Domingo do Tempo Comum             29.09.2013
Am 6, 1.4-7             1 Tm 6, 11-16                      Lc 16, 19-31


ESCUTAR

“Ai dos que vivem despreocupadamente em Sião, os que se sentem seguros nas alturas de Samaria!” (Am 6, 1).

“Tu que és um homem de Deus, foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão” (1 Tm 6, 11).

“Há um grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós” (Lc 16, 26).


MEDITAR

“Comece fazendo o que é necessário, despois o que é possível e de repente estarás fazendo o impossível” (São Francisco de Assis).

“Somente quando não se poupam as mãos no serviço de amor e de misericórdia na disposição diária de ajudar, pode a boca anunciar com alegria e credibilidade a palavra do amor e da misericórdia de Deus” (Dietrich Bonhoeffer).


ORAR

Há um momento da vida que é preciso “acertar as contas” e na maioria das vezes o cenário é desagradável: uma existência fútil e inútil; uma ostentação descarada do luxo, um alarde das riquezas acumuladas por meios inconfessáveis. O profeta não poupa as palavras: a orgia dos dissolutos acabará de uma maneira trágica: “Eles irão agora para o desterro, na primeira fila, e o bando dos gozadores será desfeito”. Na parábola de Jesus, o rico não tem nome e nem o necessita, pois de todas as maneiras seria abusivo para qualquer um desde que a vida se torna vazia, fútil e se gasta unicamente em favor próprio. O mendigo não possui nada e nada recebe além da compaixão dos cachorros que vinham lamber as suas feridas. Mas, tem um nome importante – Lázaro – que significa Deus trouxe auxílio. A narrativa evangélica não pretende descrever o além-da-morte, nem nos informar sobre a decoração e a temperatura do inferno. Ela quer nos fazer entender a mudança radical das perspectivas no momento da morte, quando o teatro termina, as cortinas se fecham e as luzes se apagam. Em síntese, a parábola afirma que a Palavra de Deus Basta e sobra!!! Não há aparições, nem de mortos ou fantasmas, que podem substituí-la e nem sinais extraordinários que sejam mais convincentes. Os mais pobres exigem que façamos justiça às suas vidas e que transformemos as estruturas sociais e religiosas que os condenam à mendicância. Neles, o Cristo mendiga a cada instante e deste Cristo encarnado nos pobres não podemos nos envergonhar, pois o evangelho de Jesus revela que quanto menor é o irmão tanto maior é nele a presença do Cristo: “Aquele que recebe um destes pequeninos é a mim que recebe” (Mc 9, 37). Ironicamente, o evangelista mostra que Lázaro não teve um funeral e, no entanto, “os anjos levaram-no para junto de Abraão”. E o rico anônimo acostumado às pompas foi, simplesmente, enterrado. Devemos ter a lucidez que um lázaro qualquer de nossas vidas, o menor entre os menores, é e sempre será o que poderá interceder por nós diante Daquele que  vive e reina com o Pai na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos. Amém.


CONTEMPLAR

Lázaro e o rico, maestro de Westfália, século XV, Fundação Barnes, Merion, Pensilvania, Estados Unidos.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O Caminho da Beleza 44 - XXV Domingo do Tempo Comum


O Caminho da Beleza 44
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


XXV Domingo do Tempo Comum               22.09.2013
Am 8, 4-7                1 Tm 2, 1-8              Lc 16, 1-13


ESCUTAR

“Nunca mais esquecerei o que eles fizeram” (Am 8, 7).

“Quero, portanto, que em todo lugar os homens façam a oração, erguendo mãos santas, sem ira e sem discussões” (1 Tm 2, 8).

“Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Lc 16, 13).


MEDITAR

“A nossa vocação de comunidade levou-nos a viver exclusivamente do nosso próprio trabalho, não aceitando nem doações, nem heranças, nem presentes, absolutamente nada. A audácia de não garantir nenhum capital, sem temer a possível pobreza, dá uma força incalculável” (As fontes de Taizé).

"Sonhei que o papa enlouquecia. E ele mesmo ateava fogo ao Vaticano e à Basílica de São Pedro. Loucura sagrada, porque Deus atiçava o fogo que os bombeiros, em vão, tentavam extinguir. O papa, louco, saía pelas ruas de Roma, dizendo adeus aos embaixadores, credenciados junto a ele; e espalhando pelos pobres o dinheiro todo do Banco do Vaticano. Que vergonha para os cristãos! Para que um papa viva o Evangelho, temos que imaginá-lo em plena loucura” (Dom Hélder Câmara).


ORAR

A lição de hoje é de uma visibilidade inconfundível: não se pode misturar religião e injustiça; culto e fraude; glória de Deus e aviltamento do homem; louvor ao Pai e exploração do fraco. Deus esquece as nossas práticas religiosas ainda que as conciliemos com uma conduta desonesta, mas jamais esquece as práticas de trapaça enganosas: “Dominar os pobres com dinheiro e os humildes com um par de sandálias”. Os que governam e não conduzem o povo a uma vida digna são maus administradores e “filhos das trevas”. São os que idolatram o dinheiro e acumulam riquezas injustas porque não partilhadas. Os “filhos da luz” devem testemunhar um mundo totalmente diferente, um mundo em que os valores sejam os da acolhida, os da amizade e os da partilha. O gerente fraudulento acaba agindo de uma maneira sensata e toma uma decisão imediata: fazer amigos como um investimento para o futuro, pois considerou as relações humanas mais importantes do que o dinheiro injusto acumulado pelo patrão. Só devemos servir a Deus e devemos servi-Lo com mais astúcia, audácia, espírito inventivo, sendo generosos com os bens que nos foram confiados e não mais avarentos. Tudo nos foi dado por Deus para todos. O Senhor sente repugnância pelo avarento, mas ama receber das pessoas generosas que servem a Deus ao servir os seus irmãos. Meditemos as palavras de São Basílio: “Não és acaso um ladrão, tu que te apossas das riquezas cuja gestão recebestes? Ao faminto pertence o pão que guardas; ao homem nu, o manto que mantém guardado; ao descalço, os sapatos que estão estragando em tua casa; ao necessitado, o dinheiro que escondestes. Cometes assim tantas injustiças quantos são aqueles a quem poderias dar”. Nossas igrejas e comunidades estão sempre em julgamento, pois dizer e não fazer é uma impostura e com ela continuaremos a “diminuir medidas, aumentar pesos, adulterar balanças, maltratar os humildes e causar a prostração dos pobres da terra”. O Papa Paulo VI advertia: “Um cristão não pode sentir-se tranquilo enquanto houver um homem que sofre; que é tratado injustamente; que não tem o necessário para viver”.

CONTEMPLAR

O administrador astuto, Turone di Maxio, fim do século XIV, Arquivo Capitular, corale MLX, f. 24v., Verona, Itália.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O Caminho da Beleza 43 - XXIV Domingo do Tempo Comum


O Caminho da Beleza 43
Leituras para a travessia da vida

A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


XXIV Domingo do Tempo Comum             15.09.2013
Ex 32, 7-11. 13-14             1 Tm 1, 12-17                      Lc 15, 1-32


ESCUTAR

“Vejo que este é um povo de cabeça dura” (Ex 32, 9).

“Por isso encontrei misericórdia, para que em mim, como primeiro, Cristo Jesus demonstrasse toda a grandeza de seu coração” (1 Tm 1, 16).

“Haverá no céu mais alegria por um só pecador que se converte do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão” (Lc 15, 7).


MEDITAR

“Porque Deus não é assim como vocês o vêem, tomados de medo. Deus é totalmente diferente. Deus não quer a morte de vocês. Deus não quer ser o caçador de vocês. Deus não quer vingar as suas culpas. Todas as culpas, afinal, provêm de seu medo, do seu desamparo e desespero. Deus sabe disso” (Eugen Drewermann).

“Compaixão significa justiça (...). Compaixão é onde a paz e a justiça se beijam” (Mestre Eckhart).


ORAR

A palavra misericórdia significa ter o próprio coração (cor) próximo aos pobres (miseri). Nestes nossos tempos de egolatria, as palavras misericórdia e compaixão passaram da moda e soam aos ouvidos de muitos como palavras sentimentais. “A misericórdia é a revelação da transcendência de Deus além de todo o humano e além de tudo o que é humanamente calculável”, diz o Cardeal Walter Kaspers. Na sua misericórdia, Deus se revela como o totalmente Outro e, ao mesmo tempo, paradoxalmente, como o totalmente próximo a nós. O evangelho desvela o verdadeiro rosto do Pai – um rosto materno – e sua incurável debilidade diante do filho “pecador” arrependido. O filho mais velho, ainda que não tivesse deixado a casa paterna, está distante da ternura do pai. Sua fidelidade é puramente formal; sua obediência está privada de alegria e de amor; seu coração é mesquinho e ele se recusa a abandonar seus esquemas rígidos. A verdadeira traição é a daquele que permanece sem dar o passo decisivo: ultrapassar a soleira da porta e penetrar no centro da casa onde está o coração do pai. Este coração, que recupera o filho por meio da nostalgia, do desejo, da espera vigilante e trepidante: “Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e o cobriu de beijos”. Somos convidados a participar da festa final, caso contrário, faremos como o filho mais velho que com o seu coração ressequido interrompe a festa, os bailes, a música e o banquete. Como um diligente executor de ordens, não suporta a alegria e azeda a vida de todos os que estão disponíveis para a alegria e a ternura. Ele desafina a partitura paterna da sinfonia da misericórdia com uma nota que tem o poder de estragar a sua harmonia e suspender a sua execução. A música só voltará a tocar se ele, o distante, passar pela soleira da porta e entrar na festa. Será que terá esta magnanimidade?  

CONTEMPLAR

Retorno do Filho Pródigo, Pompeo Batoni, 1773, óleo sobre tela, 138 x 100,5 cm, Kunsthistorisches Museum, Viena, Áustria.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O Caminho da Beleza 42 - XXIII Domingo do Tempo Comum


O Caminho da Beleza 42
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


XXIII Domingo do Tempo Comum            08.09.2013
Sb 9, 13-19              Fm 9-10.12-17                   Lc 14, 25-33


ESCUTAR

“Qual é o homem que pode conhecer os desígnios de Deus? Ou quem pode imaginar o desígnio do Senhor” (Sb 9, 13).

“Caríssimo, eu, Paulo, velho como estou e agora também prisioneiro de Cristo Jesus, faço-te um pedido em favor do meu filho que fiz nascer para Cristo na prisão, Onésimo” (Fm 9-10).

“Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14, 26).


MEDITAR

“Deus é amor. Mas o amor pode também ser odiado, quando exige do homem que saia de si próprio para ir além de si mesmo. O amor não é um romântico sentimento de bem-estar. Redenção não é wellness, bem-estar, um mergulho na autocompacência, mas uma libertação do auto-fechamento no próprio eu.” (Bento XVI).

“Deixamos pouco espaço para que esse poema que é Jesus Cristo se organize em nós e se torne verdadeiramente o canto de nossa vida” (Maurice Zundel).

ORAR


As igrejas se exaurem cada vez mais pela quantidade de pessoas que alardeiam, com uma segurança assombrosa, conhecer a “vontade de Deus”. E a “vontade de Deus” sempre está de acordo com seus interesses, caprichos e atos duvidosos. Os dogmatismos mais vergonhosos celebram triunfos inenarráveis pelas suas intolerâncias e discriminações. Urge suplicar ao Senhor que nos envie um suplemento de sabedoria. Jesus ensina no seu evangelho uma sabedoria que vai contra a corrente. Nenhuma decisão pode ser tomada às pressas e, num momento de euforia, é preciso ter uma disposição para o cansaço, uma aceitação da cruz e uma determinação de ir até as últimas consequências. Jesus não legitima nenhuma comodidade. Ele propõe uma reviravolta na escala de valores: a renúncia de todos os bens, a disponibilidade para entrar na lógica louca do amor, da doação, no abandono dos cálculos egoístas e das reservas ditadas pelo desejo de “administrar” prudentemente a própria vida. A decisão fundamental de seguir a Cristo exclui as meias medidas, as cômodas desculpas e os caprichos pessoais. Jesus testemunha que a única eleição equivocada é a neutralidade, o único compromisso imperdoável é não se comprometer e a única posição intolerável é a indiferença.

CONTEMPLAR

Jesus carregando sua cruz, Michel Ciry, 2006(?), óleo sobre tela, Museu Michel Ciry, Varengeville-sur-Mer, Normandia, França.

O Caminho da Beleza 41 - XXII Domingo do Tempo Comum


O Caminho da Beleza 41
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


XXII Domingo do Tempo Comum              01.09.2013
Eclo 3, 19-21.30-31                     Hb 12, 18-19.22-24              Lc 14, 1.7-14

ESCUTAR


“Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e serás amado mais do que um homem generoso. À medida que fores grande, deverás praticar a humildade e assim encontrarás graça diante do Senhor. Muitos são altaneiros e ilustres, mas é aos humildes que ele revela seus mistérios” (Eclo 3, 19-20).

“Mas vós vos aproximastes do monte Sião e da cidade do Deus vivo, a Jerusalém” (Hb 12, 22).

“Porque quem se eleva será humilhado e quem se humilha será elevado” (Lc 14, 11).

MEDITAR

 “O Deus, que transforma minha vida, insufle uma esperança própria para me fazer considerar a minha vida e aquela que me cerca com um olhar diferente, e me faça participar do Reino pela justiça, na condição dos humildes e pobres” (Cardeal Martini).

"O mal do nosso tempo é a superioridade. Há mais santos do que nichos." (Honoré de Balzac).

ORAR

A humildade ainda não foi apagada da lista das virtudes. Quem faz coisas verdadeiramente importantes não precisa inflacioná-las, amplificá-las para chamar a atenção e a admiração do público. O sábio não é o que exerce a prática do ensino, mas a reflexão: “medita sobre os enigmas” e o sinal da sabedoria é “o ouvido atento”. O sábio é definido pelo seu desejo de entender e pela capacidade de escutar. A humildade serve para tornar um pouco menos insuportável a convivência conosco mesmo. O “inferno não são os outros”, como afirmava Sartre, mas nós mesmos. São João da Cruz pregava: “Deus nos livre de nós mesmos”. Jesus condena todo carreirismo, a atitude arrivista desenfreada, a vaidade escancarada, a ostentação vergonhosa e as torpes auto-promoções. No banquete do Reino será considerada a pequenez e a humildade será a titulação mais valorizada, pois o pouco com Deus é muito. Jesus anuncia que na mesa do Reino as precedências serão invertidas: “Quando deres uma festa, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Então tu serás feliz, porque eles não te podem retribuir. Tu receberás a recompensa na ressurreição dos justos”. A hospitalidade oferecida aos segregados deve representar a abolição concreta da exclusão e constitui uma espécie de garantia para não sermos excluídos do Reino. Os pequenos nos revelam o segredo da grandeza; os excluídos nos outorgam a permissão para entrar e os solitários nos asseguram a comunhão. O encontro com Deus pelo Ressuscitado acontece num clima de festa e de convívio e não mais de fenômenos grandiosos. Surge o rosto humano de Jesus e os únicos sinais serão os nossos nomes escritos nos céus.


CONTEMPLAR

O orgulho, Arcabas (Jean-Marie Pirot), 1985, acetato de polivinil, areia de silício, carborundum, ouro batido 23 k, Igreja de Saint-Hugues-de-Chartreuse, Isère, Grenoble, França.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O Caminho da Beleza 40 - XXI Domingo do Tempo Comum


O Caminho da Beleza 40
Leituras para a travessia da vida

A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).

XXI Domingo do Tempo Comum                25.08.2013
Is 66, 18-21             Hb 12, 5-7.11-13                Lc 13, 22-30

ESCUTAR


“Eu, que conheço suas obras e seus pensamentos, virei para reunir todos os povos e línguas ; eles virão e verão minha glória” (Is 66, 18).


“Pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem aceita como filho” (Hb 12, 6).

“Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita. Porque eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão” (Lc 13, 24).


MEDITAR


“Uma religiosidade que conceba Deus como o defensor dos próprios privilégios e da própria riqueza, não merece o nome de religiosidade senão o de superstição ou idolatria, por mais que esta superstição se queira corrigir depois com outras exigências morais” (A. Pieris).

“Julgamento – isto, é o que a gente tem de sempre pedir! Para que? Para não se ter medo! É o que comigo é (...) Se a condena for às ásperas, com a minha coragem me amparo. Agora, se eu receber sentença salva, com minha coragem vos agradeço. Perdão, pedir, não peço: que eu acho que quem pede, para escapar com vida, merece é meia-vida e dobro de morte” (João Guimarães Rosa, Grande Sertão:Veredas).


ORAR


Devemos aprender a viver na imprevisibilidade: não querer saber nem “o dia e nem a hora”; nem se são “poucos os que se salvam” e nem assegurar os “primeiros lugares” (Mt 18, 1). Jesus se recusa a satisfazer este tipo de curiosidade e para isto introduz, nas nossas vidas, o elemento surpresa. A surpresa está não só na proveniência insólita e para muitos suspeita dos que serão admitidos ao banquete, mas também no tipo de categoria dos excluídos: “Nós comemos e bebemos diante de ti e tu ensinaste em nossas praças”. Corremos o perigo dos que se consideram privilegiados e se dão conta de que a ordem das precedências foi invertida: “Há últimos que serão os primeiros e primeiros que serão os últimos”. A salvação é universal, mas não deve ser confundida com facilidade. Se o horizonte é sem medidas, o evangelho nos surpreende com a imprevisibilidade de uma porta estreita e ninguém está autorizado a alargá-la, nem muito menos eliminá-la. Precisamos nos desapegar de tudo o que pode criar obstáculos pela estreiteza da porta de entrada. Uma porta construída exclusivamente com material evangélico: amor e justiça alicerçados na humildade e no serviço. Tudo está colocado à luz do amor, tanto o horizonte imenso como a porta estreita; tanto o banquete universal quanto a dura exclusão dos que forçam a entrada por meio de suas pretensões farisaicas de uma fidelidade puramente exterior. O Senhor nos faz saber que, paradoxalmente, só passaremos pela porta estreita ampliando os horizontes e dilatando o coração.


CONTEMPLAR

A Vitória, René Magritte, 1939, guache, 45 x 35 cm, Galeria Isy Brachot, Bruxelas, Bélgica.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O Caminho da Beleza 39 - Assunção de Nossa Senhora


O Caminho da Beleza 39
Leituras para a travessia da vida

A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).


Assunção de Nossa Senhora             18.08.2013
Ap 11,19; 1.3-6.10            1 Cor 15, 20-27                  Lc 1, 39-56


ESCUTAR

“Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas” (Ap 12, 1).

“O último inimigo a ser destruído é a morte. Com efeito, Deus pôs tudo debaixo de seus pés” (1 Cor 15, 26-27).

“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!” (Lc 1, 42).


MEDITAR

“Que fazer para socorrer os pobres? Despe o altar da Virgem e vende os seus adornos se não tiver outra saída. Acreditem: ela ficará muito mais feliz que o Evangelho do seu Filho seja observado despindo os altares do que conservar os adornos e as riquezas do altar desprezando nos pobres o seu próprio Filho!” (São Francisco de Assis a Pietro Cattani, Fontes Franciscanas).

“Diz-se que é bendito o homem, é bendito o pão, é bendita a mulher, é bendita a terra e as outras criaturas que pareçam dignas de serem benditas; mas de modo especial é bendito o fruto do teu ventre, porque sobre todas as coisas ele é Deus bendito por todos os séculos. Portanto, bendito é o fruto do teu ventre. Bendito por seu perfume, bendito por seu sabor, bendito por sua beleza” (São Bernardo de Claraval, Sermão para a Festa de Nossa Senhora).


ORAR

Não podemos profanar a beleza de Maria pela nossa falta de pudor, pela perda do senso de proporção, pela falta de respeito e pelo abandono da justa medida. Um devocionismo exarcebado, ainda que seja rotulado como religiosidade popular, pode estar desconectado de um profundo contato com a Escritura e longe de ser uma expressão de fé denuncia, sem piedade, um vazio de fé. Nossa fé não pode se enganar e querer se alimentar de milagres que, muitas vezes, representam a derrota da fé cristã. A Constituição Conciliar Lumen Gentium é clara: “Exortam-se os teólogos e pregadores a evitar os excessos, bem assim como uma demasiada estreiteza mental ao considerar a especial dignidade da mãe de Deus [...] Lembrem-se de que a verdadeira devoção dos fiéis não pode ser confundida com um sentimento estéril e passageiro, nem com uma pura credulidade”(67). O Evangelho apresenta Maria de Nazaré como uma criatura do silêncio e sua presença é velada pela discrição. A mãe desaparece totalmente no Filho. Um Deus que se faz homem, que se manifesta visivelmente em nossa carne, encontra uma mãe que se atribui a parte da não visibilidade. Diante desta obra de arte de Deus que é a Virgem – “uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e, sobre a cabeça, uma coroa de doze estrelas” – a justa posição se define pela contemplação e pelo silêncio. A mulher de hoje foge ao deserto precisamente porque está ameaçada por um dragão que, com a intenção de lhe prestar honras e louvores, termina por desnaturalizar a sua vocação. O papa João XXIII advertia: “Com a Virgem é necessário ir muito lentamente”, ou seja, evitar as instrumentalizações, a retórica e os sentimentalismos. A devoção à Virgem é autêntica se nos faz frequentar o terreno profundo da interioridade, da meditação, da contemplação, do compromisso concreto, do mistério cotidiano que se alimenta da fé e não de superstição. A devoção à Virgem é verdadeira quando se opõe à nossa civilização ruidosa e se constitui um antídoto à superficialidade do espetáculo. Maria nos ensina que Deus emerge no silêncio e somente na imersão do silêncio é que podemos perceber a sua voz. Maria prepara o berço da Igreja como preparou o berço de Jesus e continua a embalar com o seu cântico a Igreja de Jesus para que ela jamais se afaste da sua missão profética de cumprir os desígnios de justiça do Senhor: “Encheu de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias”.


CONTEMPLAR

As Grandes Portas de Bronze da Catedral de Nossa Senhora dos Anjos (detalhe da estátua de Maria), Robert Graham, 2002, bronze fundido, folha de ouro, 30 x 30 pés, 25 ton., entrada principal da Catedral Nossa Senhora dos Anjos, Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos.