domingo, 22 de julho de 2012

O Caminho da Beleza 36 - XVII Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 36
Leituras para a travessia da vida

A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).



XVII Domingo do Tempo Comum              29.07.2012
2 Rs 4, 42-44                     Ef 4, 1-6                   Jo 6, 1-15



ESCUTAR


“E Eliseu disse: ‘Dá ao povo para que coma’. Mas o seu servo respondeu-lhe: ‘Como vou distribuir tão pouco para cem pessoas?’. Eliseu disse outra vez: ‘Dá ao povo para que coma; pois assim diz o Senhor: ‘Comerão e ainda sobrará’” (2 Rs 4, 43).


“Eu, prisioneiro no Senhor, vos exorto a caminhardes de acordo com a vocação que recebestes: com toda a humildade e mansidão, suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor” (Ef 4, 1-2).


“André, o irmão de Simão Pedro, disse: ‘Está aqui um menino com cinco pães de cevada e dois peixes. Mas o que é isso para tanta gente?’” (Jo 6, 8).



MEDITAR


“No ventre em que o ódio se instalou primeiro, o amor não encontra lugar” (Provérbio da Costa do Marfim).


“O contrário da felicidade não é a tristeza, mas um coração endurecido. É recusar se deixar tocar pelos outros, colocar uma barreira para impedir o coração de se comover. Se quisermos ser feliz é preciso sair de nós mesmos e sermos vulneráveis”(Timothy Radcliffe).



ORAR


Jesus testemunha que a humildade, a mansidão, e a paciência devem caminhar juntas com a justiça. Não podemos nos contentar com apenas deixar cair migalhas da nossa mesa; nem entregar aos milhares de Lázaros, que batem à nossa porta, as sobras das nossas farturas. Não se distribuem as sobras antes do banquete e o Senhor nos convida para o banquete que nos sacia em plenitude e não para matar a fome com o que dele sobra. A eucaristia é a celebração da abundância e não uma mera lembrança facultativa dos pobres e famintos. Jesus impede que a comunidade dos que O seguem se feche sobre si mesma e nos ensina que somente uma igreja disposta a “perder” pode representar uma esperança concreta no deserto do mundo. O Cristo exige de nós a pobreza e o serviço, pois a pobreza coloca o mínimo à disposição de todos e o serviço exige que a Igreja de Jesus seja uma igreja despojada, modesta e sem importância aos olhos dos poderosos e abastados. Jesus testemunha que a desproporção das medidas se anula quando o pouco que se tem e o nada que se é se convertem no tudo que se dá e se dispõem. Ter fé não é acreditar em milagres, mas acreditar que o Cristo para fazer um milagre necessita do pouco que temos e oferecemos gratuitamente. Ter fé significa aceitar que Ele transforme nosso coração de pedra acostumado aos cálculos exatos em corações de carne capazes de saciar as pessoas com a irracionalidade das carências, das perdas e dos serviços fraternos. O evangelista nos coloca diante da pobreza simbolizada por cinco pães e dois peixes com os quais é impossível alimentar uma multidão. O menino frágil entrega tudo o que tinha para se alimentar e, na generosidade do seu coração, o mínimo se torna o ponto de partida para o máximo: um mínimo multiplicado. Jesus transmuta a pobreza e revela que somos infinitamente ricos quando, mesmo com as mãos vazias, as temos plenas de dons da compaixão. Jesus ensina que não há vida humana que, apesar de sua pequenez, não possa se transformar em riqueza divina e que esta bênção preenche o coração de felicidade. No “milagre da multiplicação” não há lugar para nenhum cálculo e, no entanto, tudo parece mais rico, mais bonito, mais frutuoso e mais transbordante do que antes. Os sete pães e os dois peixes restam como são e não mudam de forma e consistência e, no entanto, é nesta aparência exterior que Deus vem às nossas vidas. Somos convidados a comer todos juntos e nos fartar dos dons oferecidos pela fecundidade da vida, pois “há um só Deus Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos”. Jesus pede ao Pai que alimente a multidão assim como a comunidade eclesial pede ao Espírito Santo que transforme o pão e o vinho em Corpo e Sangue de Cristo que nos alimenta, salva e nos dá coragem. A eucaristia entrega, de mão em mão, o Corpo e o Sangue do Cristo e nos torna lúcidos para que saibamos que jamais O possuiremos como uma coisa agregada de valor sagrado, mas que O encontraremos como Pessoa elevando a nossa dignidade humana como um dom e uma bênção. Não podemos esquecer que a eucaristia é a proclamação de que a morte foi aniquilada e que Jesus revela que o amor pode ser multiplicado ainda que seja pouco o que ousamos dar de ternura e compaixão uns aos outros.



CONTEMPLAR


A santa ceia (detalhe), Arcabas (Jean-Marie Pirot), óleo sobre tela, 0,81m x 0,65m, Saint-Pierre-de-Chartreuse, França, 2003.











sexta-feira, 20 de julho de 2012

O Caminho da Beleza 35 - XVI Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 35
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).



XVI Domingo do Tempo Comum                22.07.2012
Jr 23, 1-6                 Ef 2, 13-18              Mc 6, 30-34



ESCUTAR


“Vós dispersastes o meu rebanho, e o afugentastes e não cuidastes dele. E eu reunirei o resto de minhas ovelhas de todos os países para onde foram expulsas e as farei voltar a seus campos, e elas reproduzirão e multiplicarão. Suscitarei para elas novos pastores que as apascentam; não sofrerão mais o medo e a angústia, nenhuma delas se perderá, diz o Senhor” (Jr 23, 2-4).


“Ele, de fato, é a nossa paz: do que era dividido, ele fez uma unidade. Em sua carne ele destruiu o muro de separação: a inimizade” (Ef 2, 14).


“Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor” (Mc 6, 34).



MEDITAR


“Se a Igreja for se apresentar como instituição de poder, ou sistema ideológico ou simples tradição religiosa, as pessoas não encontrarão mais nela as respostas para as suas verdadeiras ou mais profundas perguntas. Esta é uma das razões decisivas para o abandono do Cristianismo: seu modelo de vida, como parece claro, não convence. Parece limitar o homem em tudo, estragar a sua alegria de viver, limitar a sua liberdade tão preciosa e conduzi-lo não ao mar aberto, mas à angústia e ao sufocamento” (Bento XVI).


“Nós amamos a vida e nada somos. Ancoramos no amor e não amamos a não ser o que somos. E o que somos?” (Carlos Nejar).



ORAR


O profeta é incisivo e denuncia os pastores que dispersaram e afugentaram o rebanho; não tomaram conta dele e, agora, o próprio Deus o fará, dando novos pastores para que o rebanho não sofra mais de angústia e de medo. O Senhor revela que o pecado maior é descuidar das pessoas e da atenção que cada uma merece: “nenhuma delas se perderá”. Nosso pesado aparato burocrático nos deixa pouco tempo para as pessoas. Somos conclamados a orar pedindo pastores, mas esquecemos de que nada adiantará se nos faltam ovelhas numa messe quase nula e de idade avançada. Paulo é enfático e proclama que Cristo derrubou o ódio que era o muro que nos separava; não só os muros de pedra, mas os muros de defesa e exclusão. Cristo aniquilou todos os muros pelo primado do amor manifestado na sua morte violenta na cruz. A exigência radical do amor supera toda “a Lei com seus mandamentos e decretos” e destrói a inimizade aninhada no coração de cada um. Jesus nos apela, cotidianamente, a impedir que a vida se apague por causa de um ativismo sem alma que não liberta as forças vitais, mas as consome e as esgota: “havia, de fato, tanta gente chegando e saindo que não tinham tempo nem para comer”. O seguimento de Jesus implica em aceitar que seremos incomodados em nossos planos e em nossas lógicas individuais e, às vezes, excludentes. Não podemos negar a compaixão e nem subordinar a dor das pessoas ao ritmo dos nossos expedientes individuais para que não transformemos nossos irmãos e irmãs num estorvo que nos impedirá de reconhecer neles o Cristo Ressuscitado que nos interpela a todo instante: “Tive fome e me destes de comer, tive sede e me destes de beber, era estrangeiro e me acolheste, estava nu e me vestiste, estive enfermo e cuidaste de mim, preso e fostes ver-me” (Mt 25, 35-36). Devemos nos entregar inteiros, mas precisamos nos subtrair por um momento para esta aparente atividade improdutiva que é a oração. Jesus ensina que a solidão é um meio privilegiado de comunhão. Não podemos nos converter em pastores incapazes de apascentar porque nos autocondenamos ao esgotamento estéril e patético dos que, a todo custo, só sabem perseguir e correr atrás das ovelhas. Jesus revela que o pastor só perde suas ovelhas quando perde algo dentro de si mesmo e, então, os elos se rompem, voltam a serem erguidos os muros da separação, pois foi perdida a dinâmica do élan vital com o Pai, pelo Filho no Espírito Santo. Uma vida cristã é um aprendizado de estar com o coração aberto a todo instante. Jesus nos precedeu percorrendo as estradas poeirentas, entrando nas cidades, fazendo o bem, acolhendo os párias, sentando com os pobres e comendo à mesa com os pecadores. Jesus sofreu a malícia e os sarcasmos dos poderes religiosos e imperiais. Jesus testemunhou que fracassar não é crime e nem pecado. O crime e o pecado são, orgulhosamente, contentarmo-nos com os objetivos medíocres em toda a nossa travessia. Vamos tentar, mais uma vez, ensinar nossos jovens e as futuras gerações a destruir os muros da inimizade e as fronteiras da intolerância e, com ousadia, esperança e risco, fazê-los arrancar o grito preso na garganta e parado no ar: “Deixem o sol entrar!”.



CONTEMPLAR


Foto-montagem, autoria desconhecida, s.d.













terça-feira, 10 de julho de 2012

O Caminho da Beleza 34 - XV Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 34
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).



XV Domingo do Tempo Comum                  15.07.2012
Am 7, 12-15            Ef 1, 3-14                 Mc 6, 7-13



ESCUTAR


“Não sou profeta nem sou filho de profeta; sou pastor de gado e cultivo sicômoros” (Am 7, 14).


“Ele nos fez conhecer o mistério da sua vontade (...) para levar à plenitude o tempo estabelecido e recapitular em Cristo, o universo inteiro: tudo o que está nos céus e tudo o que está sobre a terra” (Ef 1, 9).


“Quando entrares numa casa, ficai ali até vossa partida. Se em algum lugar não vos receberem, nem quiserem vos escutar, quando sairdes, sacudi a poeira dos pés, como testemunho contra eles!” (Mc 6, 10-11).



MEDITAR


“O primeiro cristão que entrou no céu e no paraíso foi um ladrão crucificado ao lado de Jesus. Isto é justo, pois a Igreja de Jesus deve acolher a todos, especialmente, os que a vida é um lodaçal” (Timothy Radcliffe).


“Não julgar. Todos os erros são iguais. Só há um erro: não ter capacidade para alimentar-se de luz. Pois, uma vez abolida esta capacidade, todos os erros são possíveis. ‘Meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que me enviou’. Não existe nenhum outro bem fora dessa capacidade.” (Simone Weil, A gravidade e a graça).



ORAR


Há sempre um risco a correr quando estamos confiantes de que o Senhor decidiu nos fazer conhecer o mistério da sua vontade: o de “levar à plenitude o tempo estabelecido e recuperar em Cristo o universo inteiro: tudo o que está nos céus e tudo o que está sobre a terra”. O Pai tudo nos deu no seu Filho Amado e este dom recapitula tudo o que Deus realizou, realiza e realizará em favor de todos os homens e mulheres. O Filho enviado é o portador não de ameaças e castigos, mas das bênçãos do Pai. As bênçãos de Deus nem sempre são carícias e, algumas vezes, seus dons podem ser pedras toscas lançadas pela boca dos profetas contra as consciências adormecidas ou acomodadas. As nossas instituições religiosas são avessas às críticas e nos mostram que as denúncias proféticas são boas e justas desde que dirigidas aos “de fora” e que as desordens existem sempre em casa alheia. O cardeal Martini hipotecou sua absoluta solidariedade ao Papa Bento XVI na sua visita à Milão, em maio de 2012: “Que a Igreja perca dinheiro, mas que não perca a si mesma. Porque o que aconteceu pode nos aproximar do Evangelho e ensinar a Igreja a não apontar para os tesouros da terra”. Somos ágeis em levantar a voz quando se trata de condenar os erros dos outros, mas lerdos quando se trata de fazê-la ouvir contra as castas entranhadas na hierarquia curial romana acostumada aos conchavos, adulações e conspirações.  O profeta será sempre um intruso, mas um intruso enviado por Deus. Jesus anuncia a condição para quem o segue: o risco da pobreza. O Cristo está mais preocupado com o que devemos levar do que com o que precisamos possuir. Jesus nos faz saber que o Evangelho não tem necessidade de meios humanos apelativos ou excessivamente chamativos, pois a força da Boa Nova está nela mesma e não nos meios usados nos espetáculos de massa orquestrados pelos padres e pastores da última geração high tech. A missão deve ser pobre para que a imponência dos meios não faça desaparecer a sua essência ao invés de multiplicá-la. Se nos perdermos na programação da missão, no definir de antemão as opções prioritárias, no público alvo, nas tarefas específicas, nas regras, nos conteúdos corretos, poderemos nos esquecer do mais importante da jornada: que é necessário partir. Somos exímios doutores na “invenção” de roteiros pré-estabelecidos que nos garantam sucessos, mas analfabetos nos roteiros que nos impulsionem às partidas. Vivemos numa eterna e visível contradição: pregamos o respeito às pessoas, mas as trituramos com as “nossas verdades”; produzimos toneladas de documentos sobre a pobreza e gastamos fortunas de dinheiro para publicá-los, ainda que saibamos que são poucos os que os leem, estudam e se regem por eles; fazemos prognósticos, mas estamos mergulhados no vazio do presente. Jesus nos alerta que o risco fundamental para os que O seguem é sempre o dos passos e não o das disputas e por esta razão “recomendou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado; nem pão, nem sacola, nem dinheiro na cintura. Mandou que andassem de sandálias e que não levassem duas túnicas”. Somos chamados a ir “dois a dois” para viver a realidade existencial de que só podemos falar de Deus se partilharmos os mesmos riscos, mas, sobretudo, o amor fraterno. Sempre serão necessárias, minimamente, duas pessoas que se apoiam, se acompanham e se conduzem mutuamente para que a experiência humana possa amadurecer em verdade, adquirir valor aos olhos de Deus e se tornar edificante para os outros. Este dar-se-o-que-se-é, ainda que seja pouco, multiplica-se ao cêntuplo como se o elo da partilha se tornasse uma espiral que se alarga sem cessar. Não vivemos somente de pão, mas do amor que ousa se afirmar e ao entrarmos neste universo de confiança e fraternidade, seremos capazes de transformar tudo em milagre de Deus: a angústia em certeza, a pobreza em riqueza, a necessidade em saciedade, a tristeza em alegria e a aridez interior em ternura. Jesus testemunha que o gesto de amor, por menor que seja, transforma e revoluciona tudo. E Paulo nos confirma: “Quem ama nunca desiste, porém suporta tudo com fé, esperança e paciência. O amor jamais acaba” (1 Cor 13, 7).



CONTEMPLAR


O Caminho para Emaús, Daniel Bonnell, óleo sobre tela, Georgia, Estados Unidos.









quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Caminho da Beleza 33 - XIV Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 33
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).



XIV Domingo do Tempo Comum                08.07.2012
Ez 2, 2-5                  2 Cor 12, 7-10                    Mc 6, 1-6



ESCUTAR


“Assim diz o Senhor Deus: Quer te escutem, quer não – pois são um bando de rebeldes – ficarão sabendo que houve entre eles um profeta”(Ez 2, 4-5).


“Irmãos: para que a extraordinária grandeza das revelações não me ensoberbecesse, foi espetado na minha carne um espinho, que é como um anjo de Satanás a esbofetear-me, a fim de que eu não me exalte demais (...). Pois, quando eu me sinto fraco, é então que sou forte” (2 Cor 12, 7.10).


“Jesus lhes dizia: Um profeta só não é estimado em sua pátria, entre seus parentes e familiares” (Mc 6, 4).



MEDITAR


“Ser um testemunho não implica fazer propaganda, nem despertar as pessoas, mas ser um mistério vivo. Isto significa viver de tal maneira que a nossa vida não teria nenhum sentido se Deus não existisse” (Cardeal Suhard).


“Nós falamos de amor, de liberdade, de felicidade, mas a menos que vejamos que nossas igrejas são lugares onde as pessoas são livres e corajosas, por que acreditaríamos nela?” (Timothy Radcliffe).



ORAR


Os textos das Escrituras deste Domingo nos conduzem a fazer um elogio da fraqueza: Ezequiel deve afrontar um povo rebelde; Paulo se debate com um espinho na carne e Jesus é desprezado e proscrito, em Nazaré, a sua própria terra. O profeta Ezequiel é incisivo: “E tu, filho de Adão, não tenhas medo deles, não tenhas medo do que disserem, mesmo quando te rodearem espinhos e te sentares sobre escorpiões” (Ez 2, 6). O Senhor não garante nenhum êxito, mas exige que se pronuncie a palavra, pois o seu resultado não depende da competência do profeta. A palavra do Senhor deve semear inquietudes e nenhum profeta pode reduzir a Palavra ao que as pessoas gostam de ouvir, pois a palavra profética é imperiosa, confrontadora e, na maioria das vezes, a sua glória vem da sua derrota. Jesus se depara com a mentalidade mais estreita, com a mesquinharia e com os preconceitos, mas sem se deixar bloquear ou paralisar por eles, “percorre os povoados da redondeza, ensinando”. Jesus dá o testemunho de que devemos nos libertar do entorno sufocante dos mesquinhos e semear a palavra em outra parte, em campos abertos onde sopra o vento que renova sempre o ar. Jesus testemunha ainda que o maior escândalo é o profeta que é sempre mais perseguido na sua própria terra, difamado pelos seus e proscrito pelos que O conheceram desde que nasceu: “Este homem não é o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? Suas irmãs não moram aqui conosco?”. É mais fácil acolher a Palavra de Deus quando ela aparece de uma maneira prodigiosa; é muito mais difícil reconhecê-la na fragilidade e fraqueza de um homem. No entanto, ao profeta é perdoada a inteligência – “muitos que o escutavam ficaram admirados” -, mas nunca serão perdoados os desafios lançados e os transtornos que sua palavra causa. A palavra profética torna-se perigosa quando ameaça a estabilidade, a ordem existente e os equilíbrios enganosos. O profeta não teme a solidão e continuará a proclamar em alta voz, quase aos gritos, a Palavra. Ele assim o fará para que não ceda ao cansaço e ao desânimo; para que ele mesmo se converta sempre cada vez que a ouve sair da sua garganta, comprometendo a sua vida e existência. O verdadeiro profeta não se preocupa quando os ouvintes se afastam e, mesmo que não sobre ninguém, continuará a proclamar a Palavra. Deixemos gravado em nosso coração o poema de Drummond, musicado e cantado, profeticamente, por Milton Nascimento: “Eu preparo uma canção que faça acordar os homens e adormecer as crianças”.



CONTEMPLAR



Cristo escarnecido por soldados, Georges Rouault, 1932, óleo sobre tela, 92,1 cm x 72,4 cm, Museu de Arte Moderna, Nova York, Estados Unidos.






terça-feira, 26 de junho de 2012

O Caminho da Beleza 32 - Solenidade de São Pedro e São Paulo

O Caminho da Beleza 32
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).



Solenidade de São Pedro e São Paulo                  01.07.2012
At 12, 1-11                2 Tm 4, 6-8.17-18             Mt 16, 13-19


ESCUTAR

“O anjo tocou o ombro de Pedro, acordou-o e disse: ‘Levanta-te depressa!’. As correntes caíram-lhe das mãos. O anjo continuou: ‘Coloca o cinto e calça tuas sandálias!’. Pedro obedeceu e o anjo lhe disse: ‘Põe tua capa e vem comigo!’ (At 12, 7-8).

“Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia” (2 Tm 4,6-8.17-18).

“Então Jesus lhes perguntou: ‘E vós, quem dizeis que eu sou?’. Simão Pedro respondeu: ‘Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo’ (Mt 16, 13-19).


MEDITAR

“Mais do que qualquer outro, aquele que está animado de verdadeiro amor é engenhoso em descobrir as causas de miséria, encontrar os meios de a combater e vencê-la resolutamente”(Paulo VI, Populorum Progressio 75).

“Ao longo da história dos homens, a boa criação de Deus foi coberta por um estrato maciço de escórias que torna, senão impossível, de qualquer maneira difícil reconhecer nela o reflexo do Criador. Quem, como cristão, crê no Espírito Criador, toma consciência do fato de que não podemos usar e abusar do mundo e da matéria como um simples objeto de nossa ação e da nossa vontade; que temos o dever de considerar a criação como um dom que nos foi confiado não para a destruição, mas para que se torne o jardim de Deus e assim um jardim do homem” (Bento XVI, Sermão de Pentecostes, 2006).


ORAR

A confissão de Pedro não exige nenhum cenário particular, nenhuma instituição e nenhum templo: ela se faz na precariedade e na urgência. Cesaréia está em todos os lugares em que a confissão se renova, muitas vezes até ao martírio e aí se encontra o lugar santo: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!”. Jesus visita o mercado das nossas cristologias (e suas especulações) sempre nos confrontando com a mesma pergunta: “E vós, quem dizeis que Eu Sou?”. A cristologia de Cesaréia exige a teofania da Sarça Ardente: “Assim dirás aos israelitas: “Eu Sou” me envia a vós” (Ex 3, 14). E Jesus Eu Sou tem fome de recolher “o fruto de lábios que confessam o seu nome” (Hb 13, 15). Jesus Eu Sou não quer uma Igreja que apenas O recite, mas que O confesse com palavras sempre novas num testemunho claro e vivo deste acontecimento e encontro pessoal. A confissão de Pedro não é uma lição de catecismo, mas um grito inspirado pelo Espírito Santo: “Meu coração e minha carne são um grito para o Deus vivo” (Sl 83, 3). E Paulo reafirma: “Ninguém pode dizer: Senhor Jesus! Se não é movido pelo Espírito Santo” (1 Cor 12, 3). A pergunta de Jesus atravessa os séculos e nós temos que responder a ela, pois qualquer que seja a nossa reação ela desvelará nossas convicções, nossos critérios de valor, nossa esperança e o sentido que damos à nossa vida. As respostas são um eco do que somos, da nossa dinâmica existencial, da medida dos nossos sofrimentos e da intensidade das nossas esperas. Jesus rompe todas as regras e revela Deus como Nosso Pai: “Porque não foi a carne e sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu”. Nós ainda estamos reproduzindo as regras de um jogo sócio-político-religioso que nos leva a perder de vista o Nosso Pai e a colocar no seu lugar Mamon, devorador e sedento de sangue: dinheiro e poder. Jesus não suporta nenhuma adesão à mentira deste mundo de aparências, daqueles que “gostam de passear com longas túnicas, que os saúdem pela rua, dos primeiros assentos nos templos e dos melhores lugares nos banquetes” (Mc 12, 39). Ele apela para que renunciemos a encerrar Deus num sistema de crenças e disputas para nos abrirmos à miséria dos que são tidos e tratados como pecadores. Jesus revela que o Amor é mais verdadeiro do que todos os poderes da Terra, pois liga inseparavelmente os homens, uns aos outros, e lhes concede a vida eterna. Nesta festa de hoje reconhecermos-nos católicos é vivermos o sentido literário de kath’holonuns com os outros – ou seja, a comunhão universal do Reino. Jesus de Nazaré ensina a viver na esperança de que, a todo momento, sob as suas mãos os olhos dos cegos e os ouvidos dos surdos se abrirão e os mudos começarão a falar para confessar, pelo Espírito, a glória do Pai, do Nosso Pai! Não temos o direito de construirmos, como cristãos, uma identidade a partir da negação e da exclusão dos outros, dos diferentes de nós, para que não sejamos uma barca destroçada e encalhada nas correntes de suas âncoras presa em si e por si mesma e com sua proa encravada e imóvel (At 27, 41).


CONTEMPLAR

São Pedro e São Paulo, ícone (detalhe), autor desconhecido.






quinta-feira, 21 de junho de 2012

O Caminho da Beleza 31 - Natividade de São João Batista

O Caminho da Beleza 31
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).



Natividade de São João Batista                   24.06.2012
Is 49, 1-6                 At 13, 22-26                       Lc 1, 57-66.80


ESCUTAR

“O Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome; fez de minha palavra uma espada afiada, protegeu-me à sombra de sua mão e fez de mim uma flecha aguçada, escondida em sua aljava” (Is 49, 1-3).

“Estando para terminar a sua missão, João declarou: ‘Eu não sou aquele que pensais que eu seja! Mas vede: depois de mim vem aquele, do qual nem mereço desamarrar as sandálias’” (At 13, 22-26).

“No oitavo dia, foram circuncidar o menino, e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias. A mãe, porém, disse: ‘Não! Ele vai chamar-se João’. Os outros disseram: ‘Não existe nenhum parente teu com esse nome’. Então fizeram sinais ao pai, perguntando como ele queria que o menino se chamasse. Zacarias pediu uma tabuinha, e escreveu: ‘João é o seu nome’. E todos ficaram admirados” (Lc 1, 59-63).


MEDITAR

“Quem dá não deve nunca se lembrar. Quem recebe não deve jamais esquecer” (Provérbio hebreu).

“Se fossemos capazes de ver o Cristo em nosso próximo, não haveria necessidade de armas e generais. Frequentemente, nós cristãos, pregamos um Evangelho que não vivemos. Esta é a razão pela qual o mundo não crê” (Madre Teresa de Calcutá).


ORAR

A figura de João, o Batista, é uma das mais misteriosas na Bíblia, pois não somos capazes de compô-la com os fragmentos que dela temos. Ele próprio evitou uma clara definição de si mesmo com a sua tríplice negação: não era o Messias, nem Elias e muito menos o profeta, era apenas uma “voz que clama no deserto”. João estava numa linha de fronteira: era o maior dos nascidos de mulher e o menor no reino dos céus era maior do que ele. Era o enviado para endireitar as veredas e preparar o caminho para O que estava por vir e, no entanto, declarava-se indigno de ajoelhar-se para desatar as correias de Suas sandálias (Mc 1, 7). O evangelista Lucas desvela a fronteira: “A lei e os profetas duraram até João. A partir daí anuncia-se a boa nova do Reino de Deus” (Lc 16, 16). João, no seu esvaziamento pessoal, encaminha os seus discípulos ao seguimento de Jesus e se alegra ao ver que se aproximam mais pessoas de Jesus do que dele (Jo 3, 26ss). João declara na sua lucidez: “Nisso consiste a minha alegria completa. Ele deve crescer, eu diminuir” (Jo 3, 29-30). Por tudo isso, João atinge o seu verdadeiro estatuto: o de amigo do Noivo cuja alegria está em entregar-lhe a Noiva, prolongando a sua própria condição de converter-se em voz do noivo e não mais em uma voz do deserto. O nome de João é um nome programático: é o anúncio de um tempo de graças. Este nome indica a graça transformadora de Deus e o esplendor da criatura plenificada por esta graça. Toda vocação tem dois protagonistas que se entrelaçam: Deus e o homem. Se bloquearmos a irrupção da graça, o homem se extingue na mesquinhez e no egoísmo. Se bloquearmos a vontade humana, o dom de Deus cai no vazio. Nós, cristãos e cristãs, devemos aprender que a graça e a vontade são os dois polos da santidade. A vocação cristã é radical, nada é colocado entre parênteses, nada é inútil, pois tudo é precioso e santo. O Concílio Ecumênico Vaticano II afirmava: “Fique bem claro que todos os fiéis, qualquer que seja sua posição na Igreja ou na sociedade, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. A santidade promove uma crescente humanização. Que todos, pois, se esforcem, na medida do dom de Cristo, para seguir seus passos, tornando-se conformes à sua imagem, obedecendo em tudo à vontade do Pai, consagrando-se de coração à glória de Deus e ao serviço do próximo” (Lumen Gentium 40). O Deus de Jesus Cristo não cai simplesmente do céu, mas se encarna concretamente numa história que é um caminho para ele. Um caminho em que é esperado e no qual a sua mensagem se torna perceptível. E nesta história concreta, João Batista é o último profeta e a última testemunha que precede a Jesus. Sejamos nas nossas comunidades como o precursor: puro passo e páscoa!


CONTEMPLAR

Seu Nome é João, Daniel Bonnell, óleo sobre tela, 36 x 38 pol., Georgia, Estados Unidos.




segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Caminho da Beleza 30 - XI Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 30
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).

“Não deixe cair a profecia” (D. Hélder Câmara, 1999, dias antes de sua passagem).



XI Domingo do Tempo Comum                   17.06.2012
Ez 17, 22-24                       2 Cor 5, 6-10                      Mc 4, 26-34


ESCUTAR

“E todas as árvores do campo saberão que eu sou o Senhor, que abaixo a árvore alta e elevo a árvore baixa; faço secar a árvore verde e brotar a árvore seca. Eu, o Senhor, digo e faço” (Ez 17, 24).

“Estamos sempre cheios de confiança e bem lembrados de que, enquanto moramos no corpo, somos peregrinos longe do Senhor; pois caminhamos na fé e não na visão clara” (2 Cor 5, 6-7).

“O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece” (Mc 4, 26-27).


MEDITAR

“A pessoa verdadeiramente sábia se ajoelha aos pés de todas as criaturas e não teme suportar a zombaria dos outros” (Mechtild de Magdeburgo)

“As críticas não são outra coisa que o orgulho escondido. Uma alma sincera consigo mesma não se humilhará jamais com uma crítica. Se nos preocupamos muito conosco, não nos restará tempo para os outros”(Madre Teresa de Calcutá).


ORAR

As parábolas do Reino nos defrontam com uma expressão sobejamente utilizada e difundida hoje em nossa sociedade e igrejas: a irrupção do Reino de Deus como um acontecimento sensacionalista e espetacular. No entanto, quando o Reino de Deus “irrompe” na cena da libertação do Egito, inicia-se uma marcha pelo deserto que nada tem de triunfal. Quando o Cristo “irrompe” no meio dos homens, encontramos uma criança num estábulo. A parábola da semente que cresce por si mesma não sugere a imagem de uma “espetacular irrupção”, mas a de uma ação paciente e silenciosa. O Evangelho de hoje apresenta uma palavra-chave: “Ele [o que espalha a semente] não sabe como isto acontece”. Nós também nunca saberemos nada porque tudo pertence a Deus e ao seu amor e se Deus se torna frágil, o seu amor é o que existe de mais forte. Estamos acostumados ao estudo científico do possível e, no entanto, ao se tratar do amor de Deus jamais saberemos como ele age e atua no mais íntimo do nosso ser e coração. Jesus nos revela a fragilidade de Deus e nos apela a exercer o que há de maior e mais nobre em nós: a generosidade. A sociedade de hoje tudo mede e valoriza pelo critério de se “agregar valor de mercado”. Jesus, porém, ensina uma medida de valor inestimável: a grandeza da humildade. Uma humildade cuja fonte e o cerne são o próprio coração de Deus. A vitória da Palavra semeada é assegurada apesar da obscuridade aparente; basta cumprir o testemunho que nos cabe: “Levai à plenitude minha alegria, sentindo as mesmas coisas, com amor mútuo, concórdia e procurando as mesmas coisas. Nada façais por ambição ou vanglória, mas com humildade tende os outros como melhores. Ninguém procure o próprio interesse e sim o dos outros. Tende os mesmos sentimentos de Cristo Jesus” (Fl 2, 2b-4). Jesus lembra que o menor de todos, no Reino de Deus, converter-se-á em maior e devemos sempre nos colocar no último lugar numa profunda identidade com o Homem de Nazaré: “Eu vim para servir e não para ser servido e dar a minha vida como resgate por todos” (Mt 20, 28). Somos os lavradores que preparam a terra para que a semente germine. O Papa Bento XVI declara: “A justa ordem da sociedade e do Estado é dever central da política. Um Estado, que não se regesse segundo a justiça, reduzir-se-ia a um grande bando de ladrões” (Deus Caritas Est 28). Jesus, ao ser assassinado como o menor dos menores, na árvore/cruz, tornou-se, pela Ressurreição, a Árvore da Vida, a maior dentre as maiores. Despojemo-nos e sejamos confiantes no amor de Deus e em sua promessa: “Eu, o Senhor, falei e farei”. Caso contrário, seremos como “a maioria dos homens, fechados em seu corpo mortal como caramujos na sua concha, enrolados como ouriços nas suas obsessões, que modelam sobre si mesmos a sua ideia de um deus feliz” (Clemente de Alexandria).


CONTEMPLAR

A Semente de Mostarda, Jen Snyder, série “A Revelação”, tela sem moldura, 20 x 20 cm, Carolina do Norte, Estados Unidos.