domingo, 25 de março de 2012

O Caminho da Beleza 19 - Domingo de Ramos

 O Caminho da Beleza 19
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).



Domingo de Ramos                   01.04.2012
Is 50, 4-7                 Fl 2, 6-11                 Mc 14, 1-15, 47



ESCUTAR

“O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo” (Is 50, 4).

“Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2, 6-8).

“Nesse momento a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes. Quando o oficial do exército, que estava bem em frente dele, viu como Jesus havia expirado, disse: Na verdade, este homem era Filho de Deus!” (Mc 15, 38-39).


MEDITAR

“Aonde iremos nós? Que procuramos nós? A felicidade? Mas Deus é a felicidade. A verdade? Mas Deus é a verdade. A existência? Mas Deus é a vida. Tudo o que nosso coração deseja quer atingir e conquistar de maneira absoluta, tudo isto se relaciona e converge para este centro de todas as aspirações: Deus!” (Paulo VI).

“Amar é essencialmente se dar aos outros. Longe de ser uma inclinação instintiva, o amor é uma decisão consciente da vontade de ir aos outros. Para poder se amar de verdade, é preciso se desligar de muitas coisas e, sobretudo, de si e se dar, gratuitamente, até o fim” (João Paulo II).


ORAR

            Temos o costume de nomear este domingo como uma entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e, para tanto, acrescentamos todos os ingredientes que a nossa imaginação possa inventar: mobilização das massas, entusiasmo incontido, adornos faustosos, cantos, gritos e aplausos vibrantes. Aprendemos que a grandeza de Deus só pode ser celebrada com mantos reais, coreografias espetaculosas e cortejos imponentes. No entanto, para Jesus, o triunfo é o da humildade, da modéstia, da mansidão, pois todas as suas conquistas foram obtidas com a força do amor. Jesus, até hoje, não se interessa pelos aplausos e gritarias que beiram a histeria, mas sim pelos corações convictos dos seus seguidores. Neste domingo, o Cristo quer ser reconhecido como um rei na sua debilidade desarmada, na sua aceitação da perseguição e no fato de ter resistido à violência, aos insultos e às torturas brutais. O nome de Jesus que invocamos é um nome que foi desacreditado pelos detentores do poder civil e religioso. Neste domingo, não podemos ficar perplexos e desconcertados diante da realidade da Cruz e embaraçados com uma fé sem profecia que nos impede de conquistar a esperança que faz atingir o mais além de nós mesmos. Somente o olhar da fé permite superar o muro do escândalo e acreditar que podemos ver de outra maneira os acontecimentos da nossa vida. E devemos estar lúcidos de que a única resposta ao excesso do mal e da violência é a superabundância de amor que nos conduz, se preciso, até o dom da própria vida.  Jesus não tinha dinheiro. Não tinha autoridade religiosa oficial, por não ser nem sacerdote e nem escriba. Jesus levava apenas em seu coração o fogo do amor pelos que eram injustiçados e até mortos pela violência dos poderosos. A mensagem de Jesus era direta e sem rodeios: os que desprezamos, excluímos e exploramos são os prediletos de Deus. Celebrar a Semana Santa é uma conversão constante para que os nossos corações sejam capazes de olhar e atender aos que sofrem, identificando-nos, cada vez mais, com eles. Nestes tempos, amordaçamos os gritos de indignação e nos acomodamos a tudo o que é tranquilizador, que não exija nada da inteligência e que seja um refúgio que nos proteja do vazio existencial. Queremos e construímos um tipo de religião que não intranquiliza ninguém, que não tem nenhuma agonia, que perdeu a tensão do seguimento de Jesus, pois não nos chama à responsabilidade alguma, pelo contrário, exonéra-nos dela. No nosso cristianismo atual, escutamos cantos que abafam o grito dos pobres; estamos mergulhados em muita alegria e júbilo que não nos sobra tempo para os que sofrem; conclamamos nossos filhos e filhas a “botar fé” para a sua fartura emocional e não os evangelizamos para que tenham fome e sede de justiça para com todos seus irmãos e irmãs, filhos e filhas do mesmo Pai. Neste domingo de ramos, celebramos o Messias da Cruz, desprezado, traído e abandonado. Neste domingo, devemos estar atentos ao sinal de Deus para que sejamos humildes e compassivos, pois é o outro – o estrangeiro, o diferente de nós, o pagão – que faz a sua profissão de fé, não no momento arrebatador do triunfo, mas no escândalo da derrota: “Na verdade, este homem era Filho de Deus!”. Por esta razão, devemos sempre testemunhar a esperança de que todos os humilhados da terra um dia se levantarão do seu túmulo para obter a reparação e a recompensa da violência sofrida em suas vidas: a bem-aventurança no Reino e a vida eterna. Amém!


CONTEMPLAR

A entrada de Cristo em Jerusalém (detalhe), Maestro de Tolentino (obra de artesãos anônimos do século XIV, chefiados por Pietro da Rimini), afresco da Capela da Basílica de San Nicola a Tolentino, Província de Macerata, Marche, Itália.




terça-feira, 20 de março de 2012

O Caminho da Beleza 18 - V Domingo da Quaresma

O Caminho da Beleza 18


Leituras para a travessia da vida





A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).



Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).







V Domingo da Quaresma                   25.03.2012

Jr 31, 31-34                                    Hb 5, 7-9                 Jo 12, 20-33



ESCUTAR

“Não será mais necessário ensinar seu próximo ou seu irmão, dizendo: ‘Conhece o Senhor!’. Todos me reconhecerão, do menor ao maior deles, diz o Senhor, pois perdoarei a maldade, e não mais lembrarei o seu pecado” (Jr 31, 34).

“[Cristo] mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que ele sofreu” (Hb 5, 8).

“E eu, quando for elevado da terra atrairei todos a mim” (Jo 12, 32).



MEDITAR

“Devemos, fortemente, desejar uma paz verdadeira, na qual toda a miséria e injustiça, toda mentira e covardia chegarão ao fim” (Dietrich Bonhoeffer).

“Eu sempre acreditei que o instante da morte é a norma e o fim da vida. Eu penso que para os que vivem, como se faz necessário, este é o momento em que, por uma fração infinitesimal de tempo, a verdade nua e cruz, pura, certa e eterna entra na alma” (Simone Weil).







ORAR

Para os apóstolos Felipe e André, a hora de Jesus chegara. A sua fama se espalhara aos lugares mais distantes e atraia multidões. Para eles, era a hora definitiva do êxito, da popularidade e do triunfo. Felipe era de Betsaida na Galiléia, uma cidade meio pagã e encruzilhada de homens e mulheres de várias crenças. Jesus lhes confirma que, de fato, chegara a hora em que o Filho do homem seria glorificado, entretanto, Jesus dará a esta hora de glorificação um conteúdo muito diverso do que compreendiam Felipe, André e os gregos. Não é hora da notoriedade, ao contrário, é a hora do grão de trigo que deve desaparecer e morrer embaixo da terra. A hora de Jesus é a hora de uma dolorosa semeadura e não de uma colheita triunfal. A fecundidade passa pela morte assim como a manifestação luminosa passa pela ocultação da sepultura. A hora de Jesus é a hora da paixão e Ele enfrenta a hora de sua morte não como um herói, mas como um homem qualquer que tem medo de morrer: “Agora, sinto-me angustiado”. Paulo reafirma isto ao escrever: “Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte”. Jesus vai até as últimas consequências da sua entrega, pois sabe que a morte, o mal, a violência e tudo o que é desumano no mundo cedem somente diante da força do amor. Sobre a cruz, Cristo não reivindica outra glória maior do que a glória de amar. Jesus quando foi elevado da terra viu somente João e as poucas mulheres, pois Felipe, André e os outros apóstolos se evadiram e não viram a hora exata em que as trevas se converteram no momento da máxima revelação. O Cristo abandonado, traído, renegado,  elevado será, na sua vez e sua hora, uma força de atração universal e irresistível. Sobre o terreno árido do Calvário, a semente esmagada, moída, triturada e regada com o sangue do Cordeiro elevará o seu talo com uma espiga carregada de grãos. A vida do cristão deve ter a visibilidade da luz pascal: disposto a perder a vida e não a satisfazer as ambições, as vaidades; capaz de recusar os resultados de uma fácil popularidade ao preferir, abertamente, o anonimato e a humildade. O cristão deve estar pronto para a cada nova hora escolher entre o privilégio da fama e a posição incômoda da Cruz.  Um dia ou outro, teremos que viver esta hora do amor que vai além do limite de nós mesmos. A comparação do evangelista é preciosa: “Quando a mulher vai dar à luz está triste, pois chega a sua hora. Porém, quando deu à luz não se lembra da angústia, por causa da alegria de que um homem tenha nascido para o mundo (Jo 16, 21). Todo cristão tem que escolher entre uma vida estéril ou fecunda e ela nunca será sem dores! Somos convidados a vivenciar este mistério de fecundidade em que o semeador se converte em semente: morre, fecunda a terra e ressurge com toda a força da Vida. O Deus de Jesus Cristo quer pessoas que escutem a sua voz no mais fundo dos seus corações e, consequentemente, sejam capazes de amar como Ele pretende que seja o amor: um poder de serviço cada vez mais exigente na entrega, por ser cada vez mais pleno e transbordante. E não devemos jamais esquecer que “todo mundo tem sua vez e sua hora” (Guimarães Rosa).



CONTEMPLAR

Cristo na Glória no Tetramorfo (Primeiro Cartão), Graham Sutherland, 1953, óleo sobre guache em cartão, 201.9 x 110.5 cm, Herbert Art Gallery, Coventry, Reino Unido.



terça-feira, 13 de março de 2012

O Caminho da Beleza 17 - IV Domingo da Quaresma

O Caminho da Beleza 17

Leituras para a travessia da vida





A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).




Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).







IV Domingo da Quaresma                  18.03.2012

2 Cr 36, 14-16.19-23                    Ef 2, 4-10                Jo 3, 14-21



ESCUTAR

“Mas eles zombavam dos enviados de Deus, desprezavam as suas palavras, até que o furor do Senhor se levantou contra o seu povo e não houve mais remédio” (2 Cr 36, 16).

“Irmãos, Deus é rico em misericórdia. Por causa do grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos por causa das nossas faltas, ele nos deu a vida com Cristo. É por graça que vós sois salvos!” (Ef 2, 4-5).

“O julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, para que suas ações não sejam denunciadas” (Jo 3, 19-20).



MEDITAR

“Ó Deus, cedo de manhã, clamo a ti. Auxilie-me a orar e a pensar somente em ti. Sozinho não posso fazê-lo. Em mim há escuridão, mas em ti há luz. Eu estou só, mas tu não me abandonas. Eu estou inquieto, mas em ti há paz. Em mim há amargura, mas em ti há paciência. Teus caminhos são incompreensíveis, mas tu conheces o caminho para mim” (Dietrich Bonhoeffer, Oração de Natal, prisão de Tegel, 1943).

“Só existem dois instantes de nudez e de pureza perfeitas na vida humana: o nascimento e a morte. Só se pode adorar a Deus sob a forma humana, sem macular a divindade, como recém-nascido e como agonizante” (Simone Weil, A gravidade e a graça).



ORAR

Nicodemos é um judeu notável que vai de noite ao encontro de Jesus por medo de se comprometer e sofrer pressões. Nicodemos faz o caminho da noite à luz e sai das suas próprias trevas quando Jesus declara que ele precisava nascer de novo, ainda que fosse avançado em idade. Na trajetória cristã se dá a mesma coisa: há um momento em que devemos nos calar para que, ao ouvir a Palavra, paremos com as discussões, com as perguntas petulantes e nos aproximemos do que devemos acreditar e que nos conduz a uma decisão comprometedora. O ponto alto da nossa fé está no versículo dezesseis deste evangelho joanino: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho Único!”. Tantas vezes quando falamos de crer nos vêm à mente uma lista de dogmas aos quais devemos aderir, mas o cristão de fato acredita, sobretudo, de que o amor de Deus foi manifestado no dom do Filho. Quem acredita tem fé, principalmente, no amor: Deus ama o mundo, ama todos os homens e mulheres e ama cada um de nós. E este amor divino manifestado por Cristo é testemunhado por Ele na Cruz. A cruz de Jesus fala de um amor derrotado e, ao mesmo tempo, vitorioso; de um amor humilhado, mas circundado de glória; de um amor traído, mas fiel. Não podemos esquecer que foi um justo a quem crucificaram. A exaltação do Cristo se dá num solo infame e, apesar disto, é a manifestação de um único poder, o do amor. Este dom carrega sempre em seu bojo uma crise: pode ser aceito ou rejeitado. O julgamento acontece no aqui e agora da terra e somos nós que nos julgamos e nos colocamos numa situação de salvação ou de condenação diante da decisão que assumimos frente ao amor manifestado por Jesus. Os homens odeiam a luz e preferem as trevas, mas Deus, na sua liberdade de amar, faz despontar a salvação de onde menos se espera. Sempre existe alguém que chega de longe e que reconstrói o que foi profanado pelos “infiéis” da própria casa. Sempre um pagão pode ser eleito por Deus para ser sinal e instrumento de seu amor que não falha. Os homens constroem por suas próprias mãos as ruínas, mas são incapazes de reconstruir o que destruíram. A salvação é um dom gratuito e exclusivo de Deus e cabe a nós distribuir ao menos alguma migalha de bondade tirada do tesouro inesgotável deste Deus “rico em misericórdia”. Devemos proclamar, como cristãos, que sobre o pecado e o mal do mundo resplandece sempre a luz da misericórdia de Deus. É da luz que nasce a nova humanidade que ama a luz e age conforme a verdade. Celebrar a Páscoa é celebrar a esperança na misericórdia divina: “Afastai de vós toda amargura, paixão, cólera, gritos, insultos e qualquer tipo de maldade. Sede amáveis e compassivos uns para com os outros. Perdoai-vos, como Deus vos perdoou em atenção a Cristo” (Ef 4, 31-32). Como Igreja devemos testemunhar que Jesus, o Cristo, não é apenas um Messias reformador das instituições religiosas, mas o doador da vida e da liberdade que acredita em todas as possibilidades humanas e é solidário com elas. Jesus espera que sejamos capazes de sujar de Vida todos os olhos claros de Morte.



CONTEMPLAR

A Sombra da Crucifixão, Daniel Bonnell, s.d., óleo crayon, 11” x 14”, Georgia, Estados Unidos.









segunda-feira, 5 de março de 2012

O Caminho da Beleza 16 - III Domingo da Quaresma

O Caminho da Beleza 16
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).



III Domingo da Quaresma                 11.03.2012
Ex 20, 1-17              1 Cor 1, 22-25                    Jo 2, 13-25


ESCUTAR

“Eu sou o Senhor teu Deus que te tirou do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses além de mim” (Ex 20, 2-3).

“Irmãos, os judeus pedem sinais milagrosos, os gregos procuram sabedoria; nós, porém, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e insensatez para os pagãos!” (1 Cor 1, 22-23).

“Tirai isso daqui! Não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio” (Jo 2, 16).


MEDITAR

“Dinheiro é sujo!” (Dietrich Bonhoeffer).

“Cada um tem uma vocação de amor particular. O amor não é uniforme, cada um o encarna à sua maneira, nas condições determinadas da sua vida pessoal. A vida não possui um sentido único, geral e válido para todo mundo. Não existe receita. O amor é sempre uma aposta pessoal” (Soeur Emmanuelle).


ORAR

Somos chamados a purificar a imagem de Deus pelo confronto da sua Palavra: não basta crer, é necessário se dar conta no que se crê e em quem se acredita. Os fanatismos, as intolerâncias, as superstições mais estranhas e as manipulações religiosas nascem da incapacidade para permitir que a Palavra coloque em crise a nossa ideia de Deus que sempre acaba se convertendo num ídolo e num fetiche. Temos nos servido de Deus e pronunciamos o seu nome para práticas que nada tem a ver com Ele e sua misericórdia. Dietrich Bonhoeffer escrevia na prisão: “Se quisermos ser cristãos temos que partilhar da grandeza de coração do Cristo ao agir com responsabilidade e em liberdade no momento do perigo e demonstrar a compaixão autêntica que brota não do medo, mas do amor libertador e redentor do Cristo por todo aquele que sofre. A espera e a observância passiva não são comportamentos cristãos. O cristão é chamado para a compaixão e para a ação, não pelos próprios sofrimentos, mas pelo sofrimento dos irmãos, pelos quais Cristo sofreu”. Temos reduzido as palavras do Senhor, que são palavras de revelação, a um código estrito e estreito. “Deus pronunciou todas estas palavras” e não dez mandamentos como se fossem imposições arbitrárias da parte de um soberano inflexível. Estas palavras de Deus significam o ponto de um não retorno e nelas só existe uma proibição fundamental: não voltar atrás, não voltar ao Egito, não voltar à casa da escravidão. Elas nos revelam um Deus libertador e não o deus da lei: “Que tua compaixão me alcance e viverei porque tua vontade é minha delícia” (Sl 119, 77). Hoje, o deus do poder é o deus das estruturas colossais, das organizações espetaculares, da propaganda, dos grandes shows, das grandes obras e dos imponentes aparatos burocráticos e organizativos. Hoje, este deus é, sobretudo, o deus de igrejas mais concebidas como um banco internacional com suas filiais do que uma Igreja-serviço aos outros. O Deus de Jesus Cristo não é um deus de sinais prodigiosos, mas o do amor fiel. E O encontramos onde jamais o imaginaríamos: sobre a Cruz. A expulsão dos mercadores do Templo purifica a imagem de um Deus cujo culto é feito de mercado, negócios, lucros, subornos e fraudes. O Deus de Jesus não é um Deus comerciante, mas um Deus gratuito que não vende os seus favores. No templo, o dinheiro não pode ocupar um lugar central e de glória porque o templo é o lugar em que se deve celebrar unicamente uma liturgia de gratuidade e de amor. Ainda hoje, pedimos sinais para acreditar e os únicos sinais dignos de crença continuam sendo os mesmos de Jesus: nossa atenção aos outros, nosso espírito de serviço e de partilha, nossos cuidados em atender a miséria e o sofrimento que encontramos à nossa volta. Somos chamados, como seguidores de Jesus, a nos convertermos em cristãos ressuscitados, felizes por viver e por arriscar as nossas vidas pelos outros.


CONTEMPLAR

Expulsão dos vendedores do Templo, Arcabas (Jean-Marie Pirot), 1986, 65 x 110 cm, acetato de polivinil sobre tela de linho, França.






segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O Caminho da Beleza 15 - II Domingo da Quaresma

O Caminho da Beleza 15
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).



II Domingo da Quaresma                   04.03.2012
Gn 22, 1-2.9-13.15-18                 Rm 8, 31-34                       Mc 9, 2-10


ESCUTAR

“Chegados ao lugar indicado por Deus, Abraão ergueu um altar, colocou a lenha em cima, amarrou o filho e o pôs sobre a lenha em cima do altar. Depois, estendeu a mão, empunhando a faca para sacrificar o filho” (Gn 22, 9-10).

“Deus, que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos daria tudo junto com ele?” (Rm 8, 32).

“E da nuvem saiu uma voz: ‘Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!’ E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles” (Mc 9, 7-8).


MEDITAR

“Não temos que perguntar como produzir o amor em nós. Ele está em nós, do nascimento à morte, imperioso como uma fome e nós devemos somente saber como conduzi-lo” (Simone Weil).

“Deus se apresenta como possibilidade de amor total e nós temos que nos deixar impregnar no Espírito desse amor total. E esse amor total exige de nós uma entrega absolutíssima!” (Madre Belém).


ORAR

É noite para Abraão: “Toma teu filho único...”. É noite para tantas pessoas que se sentem acusadas e difamadas: “Quem acusará os escolhidos de Deus?”. É noite, sobretudo para os discípulos que ouviram Jesus falar do caminho da cruz: “E começou a explicar-lhes que esse Homem devia padecer muito, ser reprovado pelos senadores, sumos sacerdotes e letrados, sofrer a morte e depois de três dias ressuscitar” (Mc 8, 31). Sempre, na nossa fragilidade, tentaremos saltar a travessia das trevas, mas devemos estar lúcidos de que, para quem confia no Senhor, a noite sempre contém indícios de luz: “Não estendas a mão contra o teu filho... Eu te abençoarei!”; “Se Deus é por nós, quem será contra nós?”; “Suas roupas ficaram brilhantes”. A experiência da fé é sempre perturbadora, pois Deus tranquiliza inquietando e, muitas vezes, nos faz pedidos inconcebíveis e inaceitáveis. Dietrich Bonhoeffer pregava num dos seus sermões em Londres: “Por que temos tanto medo de pensar na morte?... A morte só é assustadora para quem vive assustado e com medo dela... Se a nossa fé não a transformar a morte é o inferno, é a noite e o frio. Mas justamente isto que é maravilhoso, o fato de podermos transformar a morte”. Na transfiguração, a luz dura como um relâmpago e imediatamente começa a noite: “E, de repente, olhando em volta, não viram mais ninguém, a não ser somente Jesus com eles”. E Jesus era, aos seus olhos, um homem como os demais: um condenado à morte que se encaminha ao seu patíbulo infamante. A luz se apagou e para Pedro, Tiago e João restara apenas uma palavra acesa: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz!”. A partir deste instante, levam apenas, como todos nós, no mais fundo do ser, aquele raio de luz, mas acima de tudo, aquela palavra. Nosso caminho de luz se ilumina por uma palavra: “Luz para os meus passos é a tua palavra” (Sl 119, 105). A verdadeira fé cristã nasce de uma escuta e somente escutar Jesus pode nos curar das cegueiras seculares que sepultam nossos ouvidos numa surdez intransponível feita de regras, disciplinas, normas e intolerâncias. Pedro, Tiago e João eram os discípulos que ofereciam mais resistência a Jesus quando falava do seu destino doloroso de crucifixão. Deus corrige a todos: Jesus é o Filho Amado e não deve ser confundido nem com Elias e nem com Moisés. Devemos escutar Jesus também quando nos fala sobre carregar a cruz. O sucesso faz danos ao cristianismo e, tantas vezes, nos leva acreditar que é possível uma Igreja fiel a Jesus sem conflitos, proscrições e sem cruz. Ser cristão não é acreditar em coisas, mas construir a vida toda numa relação pessoal com Jesus e ser testemunha desta relação numa comunidade concreta de homens e mulheres. O evangelho revela que o importante não é crer em Moisés ou em Elias, mas escutar a Jesus e seguir os seus passos. Em Jesus, é impossível dissociar o amor de Deus e o amor ao mundo. Ele nunca fala de Deus sem preocupar-se com o mundo e não fala do mundo sem o horizonte em Deus. Bonhoeffer escrevia: “Só pode acreditar no reino de Deus quem ama a terra e Deus com o mesmo alento”. A cena da Transfiguração não tem ambiguidades: Cristo não leva o homem a uma fuga religiosa do mundo, mas o devolve à terra como seu filho fiel. Somente quem ama intensamente a Deus pode amar intensamente a terra. Somente quem se encontra com o Deus encarnado em Jesus pode sentir com mais força a injustiça, o desamparo e a destruição do homem. O papa Bento XVI nos fala do eros de Deus pelo homem (Deus Caritas Est, 10) e a transfiguração iluminada de Jesus nos revela a grandiosidade desta indivisível unidade da obediência do Filho, que se entrega à morte para a salvação de todos e da abnegação do Pai que tudo nos dá, sem nada poupar, mesmo que isto signifique a entrega do seu único Filho, pois não tem outro de reserva, para se converter de Deus Conosco em Deus para nós.


CONTEMPLAR

O Sacrifício de Isaac, Peter Bentley, s.d., óleo sobre tela, 48” x 60”, Seattle, Estados Unidos.




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Caminho da Beleza 14 - I Domingo da Quaresma

O Caminho da Beleza 14
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).



I Domingo da Quaresma                     26.02 2012
Gn 9, 8-15               1 Pd 3, 18-22                      Mc 1,12-15



ESCUTAR

“Este é o sinal da aliança que coloco entre mim e vós, e todos os seres vivos que estão convosco, por todas as gerações futuras: ponho meu arco nas nuvens como sinal da aliança entre mim e a terra” (Gn 9, 12-13).

“Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte, na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito” (1 Pd 3, 18).

“O Espírito levou Jesus para o deserto. E ele ficou no deserto durante quarenta dias e aí foi tentado por satanás. Vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam” (Mc 1,12).


MEDITAR

“Se sou eu quem determina onde Deus será encontrado, então irei sempre encontrar um Deus que corresponde a mim de algum modo, que me favorece, que se liga a minha própria natureza. Mas, se Deus determina onde ele será encontrado, então ele estará num lugar que não é agradável de imediato a minha natureza e que não é de todo conveniente para mim. Esse lugar é a cruz de Cristo” (Dietrich Bonhoeffer).

“Não é muito tarde. Tempo do quê? De vos converter; tempo de se tornar santos. É tempo de amar. Amar é um dever, uma tarefa, uma missão. Custa amar. É a mais heroica das missões. Custa amar: custa o preço de uma vida” (Cardeal Lustiger).


ORAR

Nesta quaresma, o deserto nos coloca diante de dois desafios: o da purificação e o da luta. O deserto é o lugar privilegiado do encontro com Deus. O verdadeiro deserto é a alma, no vazio que nos atemoriza, na depressão, no tédio, na ansiedade, no medo do futuro; em tudo isso o deserto pode se tornar o solo de acolhida da misericórdia de Deus. O deserto/quaresma é a amarga solidão que pode se tornar tão doce. É a voz misteriosa em nós e o murmúrio feito de pausas e suspiros que, num apelo ao Absoluto, aceita que o vento varra a areia das nossas inquietudes. No deserto podemos nos converter em paixão de Deus. Cristo é o nosso deserto, pois Nele superamos a prova das seduções tentadoras do poder, do status e da ganância. Para os árabes, o deserto é o jardim de Alá, pois dele o Senhor dos Fiéis tirou todo animal e todo ser humano supérfluo para que existisse um lugar onde Ele pudesse passear em paz. No deserto podemos retomar o diálogo interrompido no jardim do Éden, pois o Senhor, depois da partida de Adão não se resignou a ser apenas o Deus das flores, riachos e estrelas. É no deserto que Ele volta a ser o Deus do homem e da mulher. Os padres do deserto recordam que não existe vida cristã sem luta, empenho assíduo e esforço pessoal e que a conversão não é indolor, pois implica desprendimento, dilaceração e privação. O caminho do cristão não é uma impune excursão turística no território religioso. O caminho até a Páscoa passa pelo deserto e esta travessia não é um exercício piedoso, mas incômodo e, muitas vezes, agonizante. O tempo da quaresma é o tempo de deixarmos de olhar para os numerosos ídolos que nos seduzem e de voltarmos a face para o único Senhor. Jesus foi tentado e colocado, como nós, diante da sedutora possibilidade de escapar, pelo pecado, da comunhão com Deus e da solidariedade com os homens. Jesus será ainda submetido a uma última tentação: a de não ir até as últimas consequências no cumprimento do seu destino. Na cruz, esta tentação será gritada pela multidão: “Aquele que derruba o templo e o reconstrói em três dias, que se salve, descendo da cruz” (Mc 15, 30). Mas Ele se entrega livremente a uma morte violenta e injusta. Na solidão da nossa travessia, toda hora é hora de tentação e, como diz Guimarães Rosa: “O demônio esbarra manso mansinho, se fazendo de apeado, tanto risonho, e, o senhor pára próximo – aí então ele desanda em pulos e prazeres de dança, falando grosso, querendo abraçar e grossas caretas – boca alargada. Porque ele é – é doido sem cura”. Mas, a prática do amor fraterno, a reconciliação como pão da quaresma, mantém a luminosidade de todas as cores do Arco do Senhor e nos transforma em anunciadores da Boa Nova que resgata a unidade da Criação e o encantamento do Mundo e, como o Cristo, nos faz vencer o último inimigo: a Morte!


CONTEMPLAR

Jesus assistido pelos anjos, James Tissot, c. 1886-1894, aquarela sobre grafite em papel cinza, 17 x 24,8 cm, Brooklyn Museum, New York, Estados Unidos.





terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O Caminho da Beleza 13 - VII Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 13
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).




VII Domingo do Tempo Comum                  19.02.2012
Is 43, 18-19.21-22.24.25                       2 Cor 1, 18-22                    Mc 2, 1-12



ESCUTAR

“Não relembreis coisas passadas, não olheis para fatos antigos. Eis que eu farei coisas novas, e que já estão surgindo: acaso não as reconheceis?” (Is 43, 18-19).

“Pois o Filho de Deus, Jesus Cristo [...], nunca foi ‘sim e não’, mas somente ‘sim’. Com efeito, é nele que todas as promessas de Deus têm o seu ‘sim’ garantido. Por isso também, é por ele que dizemos ‘amém’ a Deus, para a sua glória” (2 Cor 1, 19-20).

“Pois bem, para que saibais que o Filho do homem tem, na terra, poder de perdoar pecados – disse ele ao paralítico -, eu te ordeno: levanta-te, pega tua cama e vai para tua casa!” (Mc 2, 10-11).


MEDITAR

“Não, a vida não é um sonho nem um plano do homem; ela é um consentimento. Deus nos conduz pelos acontecimentos a dizer sim ou não. O absurdo absoluto para um homem é o de se encontrar vivendo sem razão de viver” (L’Abbé Pierre).

“Só há uma igualdade; aquela que é a suprema nobreza de cada um e que se abre a todos: a de escolher o Amor” (Maurice Zundel).


ORAR

O profeta revela que o próprio Deus se coloca como paradigma do esquecimento: “Já não me lembrarei dos teus pecados”, pois o Senhor oferece uma possibilidade nova e inaudita. “O que foi” se apaga diante “do que pode ser”. Mais do que ficar ruminando o pecado é oportuno recordar o perdão obtido, pois o perdão, mais do que pagar as dívidas passadas, abre uma conta de confiança hoje e um crédito de esperança para o futuro. No evangelho de Marcos surge o oponente mais contumaz de qualquer perdão e novidade: os escribas. A reação dos escribas é típica dos homens religiosos: não escutam jamais, não vivem na espera de uma palavra possível vinda de Deus porque acreditam possuí-la inteiramente. Até hoje, os escribas continuam mantendo a sua face clerical. Nas suas casas seguras e ordenadas não entram o imprevisto nem o inesperado, uma vez que eles nada esperam e apenas administram os bens que se acumulam, passo a passo. O escriba é o oposto do homem do desejo: ele planeja a esperança, corta as asas da fantasia, abole o risco, excomunga a dúvida e enjaula o Espírito da Liberdade. O escriba é o homem de um único e sólido princípio: o que reza que a verdade está sempre do seu lado. A contradição maior do escriba é a de que ele tem como ofício preparar os outros para acolher a novidade dos acontecimentos, mas quando esta chega ele está sentado e ruminando táticas para combatê-la: “Ora, alguns mestres da lei, que estavam ali sentados, refletiam em seus corações: ‘Como este homem pode falar assim? Ele está blasfemando: ninguém pode perdoar os pecados, a não ser Deus’”. Jesus revela que é o perdão que nos coloca em pé para nos abrirmos ao futuro com confiança e nova alegria. Não podemos seguir Jesus vivendo como “paralíticos”: imersos no imobilismo, na inercia e na passividade. Temos que estar atentos para não cairmos no ardil em que caíram os escribas ao não aceitarem que Jesus oferecesse o perdão de Deus. O Deus de Jesus Cristo é realmente um amor insondável, incompreensível, gratuito e incondicional. Todos nós temos experimentado que, num momento ou noutro, fazemos o que não deveríamos fazer; que nossas decisões nem sempre são honestas e que, outras vezes, agimos por motivos obscuros e razões inconfessadas. O apóstolo Paulo já prevenia: “Não faço o bem que quero, mas pratico o mal que não quero” (Rm 7, 19). Viver reconciliado consigo mesmo é uma das tarefas mais difíceis da vida. E viver reconciliado é saber nos olhar com a misericórdia e a generosidade com as quais Deus nos olha e nos acolhe. Jesus nos revela o rosto de Deus como um pai “cuja ira dura apenas um instante, mas o seu amor é para sempre” (Sl 30, 6). O perdão dos pecados é a ruptura da nossa paralisia espiritual e um apelo para que as nossas casas sejam calorosas e solidárias, plenas de alegria e esperança, de generosidade e misericórdia. Sempre prontas para acolher os que tropeçam no meio da travessia. Que o Senhor nos cure das nossas paralisias espirituais para que, na eternidade, o nosso amor não seja uma cama vazia numa varanda do céu e sejamos, desta maneira, condenados “às chamas que torturam” (Lc 16,24).


CONTEMPLAR

O paralítico baixado do telhado, Heinrich Füllmaurer, c. 1530-1570, painel do altar de Mömpelgard, Kunsthistorisches Museum, Viena, Áustria.