segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O Caminho da Beleza 53 - Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo

O Caminho da Beleza 53
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).



Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo                  20.11.2011
Ez 34, 11-12.15-17            1 Cor 15, 20-26.28                       Mt 25, 31-46


ESCUTAR

“Assim diz o Senhor Deus: Vede! Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas e tomar conta delas” (Ez 34, 11).

“Na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram. Pois é preciso que ele reine até que todos os seus inimigos estejam debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte” (1 Cor 15, 20.25-26).

“Em verdade eu vos digo, todas as vezes que não fizestes isso a um desses pequeninos, foi a mim que não o fizestes” (Mt 25, 45).


MEDITAR

“Porventura não está o mundo a ser devastado pela corrupção dos grandes, mas também dos pequenos, que pensam apenas na sua própria vantagem? Porventura não é ele devastado por causa do poder da droga, que vive, por um lado, da ambição de vida e de dinheiro e, por outro, da avidez de prazer das pessoas que a elas se abandonam?” (Bento XVI, Discurso na Konzerthaus, Freiburg, 25.09.2011).

“Cristo fala às multidões, mas dirige o seu olhar aos homens, um por um. Não opera conversões em massa, não conhece triunfalismos; é um Messias que não arrebata gentes. Pode mover-se de compaixão pelas multidões justamente porque não as considera aglomerados anônimos, mas sabe distinguir por entre elas cada rosto, cada drama” (Ettore Masina, O Evangelho segundo os anônimos, 1972).


ORAR

A parábola do Juízo Final é uma descrição grandiosa do veredicto derradeiro sobre a história humana. Nela estão presentes povos de todas as raças, religiões, culturas e lugares da terra habitada. Dois grupos emergem desta multidão: o dos que receberão a benção de Deus porque exerceram a sua compaixão com os mais necessitados e por eles fizeram o máximo que podiam. O outro grupo será convidado a se afastar de Deus porque foi indiferente ao sofrimento dos homens e mulheres que encontraram em seus caminhos. A parábola é explícita ao afirmar que o que vai decidir a sorte final de todos não é a religião sob a qual cada um viveu nem a fé que cada um professou. O que vai decidir a sorte de todos é uma vida de compaixão e solidariedade para com os que sofrem. A religião mais agradável a Deus é a que ajuda os que sofrem. Nesta parábola, não são pronunciadas as grandes palavras como “justiça”, “solidariedade”, “democracia”, pois nenhuma delas significa nada diante da situação real dos que sofrem.  Jesus fala de comida, de roupa, de algo para beber e de um teto para se abrigar. Nesta parábola, não se fala tampouco de “amor”. Jesus nunca usou uma linguagem abstrata, mas disse palavras concretas como comer, vestir, hospedar, acudir e visitar. Jesus, no entardecer das nossas vidas, não nos perguntará sobre o amor, mas nos questionará sobre os gestos concretos que fizemos diante das pessoas que necessitavam da nossa compaixão. Nenhuma religião, que não gerasse compaixão, foi abençoada pelo Pai de Jesus Cristo. O Juízo Final não será um dia espetacular e pirotécnico. Não devemos nos iludir, cada dia é o dia do nosso juízo final porque todo o dia, em cada momento, colocamo-nos em julgamento e quando cerrarmos os olhos será tarde demais para o juízo. O rosto do Cristo Rei não é o dos soberanos da Terra, mas o de um homem pobre, de uma mulher violentada, de uma criança desprezada e abandonada à sua própria sorte, de um velho mergulhado na sua angustiada solidão. O rosto do Cristo é o rosto acolhido e rejeitado sempre que acolhemos ou rejeitamos tantos rostos concretos que passam ao nosso lado pela vida. Jesus recebe o título de Rei na sua encarnação: “Onde está o rei dos judeus recém nascido?” (Mt 2,2). E atinge a maioridade deste título na hora mesma da sua Paixão ao ser indagado por Pilatos: “És tu o rei dos judeus?” ( Mt 27, 11). O Cristo se apresenta como pastor, pois o pastor dá a sua vida pelo rebanho, ao passo que o rei é defendido pelos súditos que devem morrer por ele. O templo do nosso Rei e o seu palácio são a miséria dos homens e mulheres e Ele está sempre à espera de que, na compaixão a eles, nos produzamos mais humanos e dignos do seu Reino. Cada pessoa é um ícone vivo no qual podemos reconhecer o Ressuscitado que se apresenta ao mundo como Alguém a quem alimentamos, damos de beber, acolhemos, vestimos, visitamos na prisão, nos hospícios e nos hospitais. Ele é como um mendigo que bate à porta do nosso coração e nos pede sempre, com a mão estendida, alguma coisa, pois no seu próprio despojamento quer ser nosso devedor. É preciso sempre ruminar o salmo “É teu rosto, Senhor, que eu procuro” (Sl 26, 8), para que encontremos a face de Deus nos que são considerados supérfluos e descartáveis e que apenas nos pediram e pedem um pouco de pão, um teto e algumas palavras de consolo e pequenos gestos de compaixão.


CONTEMPLAR

Cristo Rei do Universo, Letícia Cotrim, 2011, tecido sobre cartão, 21 x 32 cm, Rio de Janeiro, Brasil.






segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Caminho da Beleza 52 - XXXIII Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 52
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).



XXXIII Domingo do Tempo Comum                 13.09.2011
Pr 31, 10-13.19-20.30-31               1 Ts 5, 1-6                  Mt 13, 14-30


ESCUTAR

“Uma mulher forte, quem a encontrará? Ela vale muito mais do que as jóias... Proclamem o êxito de suas mãos e na praça louvem-na as suas obras” (Pr 31, 10. 19, 31).

“Vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como ladrão, de noite” (1 Ts 5, 2).

“Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado” (Mt 25, 29).


MEDITAR

“Sabemos que, unidos a Cristo, nos tornamos vinho generoso. Deus sabe transformar em amor mesmo as coisas pesadas e acabrunhadoras da nossa vida. Importante é permanecermos na videira, em Cristo” (Bento XVI, Homilia no Estádio Olímpico de Berlim, 22.09.2011).

“Deus exerce o seu poder de maneira diferente de como costumamos fazer nós, os homens. Ele próprio impôs um limite ao seu poder, ao reconhecer a liberdade de suas criaturas. Sentimo-nos felizes e agradecidos pelo dom da liberdade; mas, quando vemos as coisas tremendas que sucedem por causa dela, assustamo-nos. Mantenhamos a confiança em Deus, cujo poder se manifesta, sobretudo, na misericórdia e no perdão” (Bento XVI, Homilia no aeroporto de Freiburg, 25.09.2011).


ORAR

Somos chamados a não enterrar a vida e nem a esterilizá-la completamente. Somos chamados a romper a obsessiva preocupação com a segurança e a afirmar diante de todos a maravilha do risco de existir para transformar o mundo. Somos chamados para o seguimento de um Jesus comprometido e não para coexistir com uma fé sufocada pelo conformismo e pela indolência. O cristão se questiona sempre sobre o que semeia ao seu redor; a quem contagiamos com a esperança e como aliviaremos a angústia que faz sofrer nossos amados e amadas. Não somos chamados a conservar a Palavra em potes herméticos de vinagre e sal, mas proclamar a Boa Nova que, ao transformar vidas, introduz o Reino de Deus no mundo. O teólogo von Balthasar é enfático: “ Ninguém se converterá a Cristo porque existe um magistério, os sete sacramentos, um direito canônico, um clero, os núncios apostólicos ou um gigantesco aparato eclesiástico. Alguém se converte ao Cristo porque encontrou um cristão que, por meio da sua existência e exemplo, manifestou que é precisamente, no meio da vida que se dá um seguimento de Cristo digno de fé” (in Examinadlo todo y quedaos com lo bueno). A parábola de hoje faz eco a um provérbio africano que reza “Quem te ama te dá sementes” e Deus nos entrega um tesouro pessoal apesar dos nossos limites, faltas e defeitos. Somos convidados a gastar este tesouro saindo de nós mesmos, arriscando-nos no meio da vida e, desta maneira, participando da alegria do Senhor. Jesus nos deixa livres para aventurar a travessia e sermos fecundos. Existem os que empacam, enterram seus talentos, se emburrecem e vivem, literalmente, enfezados. Suas vidas passam despercebidas e melancólicas e a presença do Senhor é temida e transforma-se num fardo. A nossa fé nos garante que o Senhor nunca entrega nada a ninguém sem garantir os meios para que expanda e frutifique a sua doação. O cristão sabe que deve ousar o quanto puder, pois na fé e no amor não se calcula e nem se poupa para que não se perca tudo. O papa Bento XVI exorta: “Tenha a coragem de ousar com Deus! Tente! Não tenha medo Dele! Tenha a coragem de arriscar a fé! Tenha a coragem de arriscar a bondade! Tenha a coragem de arriscar o coração puro! Comprometei-vos com Deus. Então verás que, precisamente, por isso a tua vida se tornará grande e iluminada, não mais entediada, mas plena de infinitas surpresas, porque a bondade infinita de Deus jamais se esgota!”. Não existem lugares e nem situações fechadas para a presença cristã. O espetáculo mais deprimente é aquele no qual um cristão esconde seu talento, mascara a sua fé, dissimula a sua pertença a Cristo, sepulta a Palavra ou a utiliza para seus projetos mesquinhos. A maior deformação é a vileza de uma Igreja satisfeita que se isola para usufruir, contemplar e defender os talentos recebidos. O cristão comprometido com o anúncio da Boa Nova sabe que guardar não é o mesmo que semear. A Igreja não foi instituída para preservar os dons de Deus, mas para multiplicá-los para todos. Não podemos empacar as nossas vidas e a dos outros e fenecermos estanques no mesmo lugar. Como afirma Guimarães Rosa: “Burro só não gosta é de principiar viagens. As coisas acontecem é porque já estavam ficadas prontas, noutro lugar, no sabugo da unha; e com efeito tudo é grátis quando sucede, no reles do momento. O medo é a extrema ignorância em momento muito agudo”(Guimarães Rosa).


CONTEMPLAR

Meditação em país tibetano, Olivier Follmi, da coleção de fotografias “O Himalaia de Olivier Follmi”, www.follmi.com .






segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Caminho da Beleza 51 - Festa de Todos os Santos e Santas

O Caminho da Beleza 51
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).



Festa de Todos os Santos e Santas              06.11.2011
Ap 7, 2-4.9-14                    1 Jo 3, 1-3                Mt 5, 1-12


ESCUTAR

“Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro” (Ap 7, 14).

“Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos!” (1 Jo 3, 1).

“Bem-aventurados... Alegrai e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5, 3.12).


MEDITAR

“Em Deus Pai nós contemplamos um amor proveniente, sem limites de espaço nem de tempo. O universo e a história estão repletos dos seus dons. Todas as realidades e todos os acontecimentos estão envolvidos pelo seu amor” (Diálogo e Missão, 22).

“Jesus oferece uma visão surpreendentemente nova de Deus: apresenta-nos um Deus que não pede sacrifícios, Ele se sacrifica por nós; não pede oferendas, Ele oferece a própria vida; não tira o pão da boca dos pobres, Ele se torna pão para saciar multidões” (Alberto Maggi).

“A ortodoxia cristã se reveste não de eficácia, nem de obras quantificáveis, mas de sinais de pobreza do próprio Deus: encarnação, cruz e eucaristia. A pobreza é a verdadeira aparição divina da verdade” (J. Ratzinger).


ORAR
A festa de Todos os Santos e Santas é uma festa na qual não cabem nem números e nem nomes. É uma festa da santidade anônima, pois todos participam, de maneira distinta, da mesma santidade de Deus: uma santidade verdadeira que é, ao mesmo tempo, extraordinária e normal; excepcional e cotidiana. Nenhum santo falou de si mesmo nem se ofereceu como espetáculo e muito menos se exibiu à luz dos refletores. A santidade não é outra coisa do que o sinal inequívoco das pegadas de Deus na vida de uma pessoa. Todos os santos continuam a atravessar o nosso caminho, a circular nas ruas e becos por onde passamos ou nos escondemos e cabe a nós buscar neles o rosto de Deus ou, ao menos, o seu reflexo. Os santos e santas não pertencem a outro mundo, mas são cidadãos do mundo; são homens e mulheres comuns que não levam auréolas em suas cabeças, mas carregam nelas seus problemas, suas dúvidas e suas angústias, como todos nós. Habitualmente não flutuam no ar, mas têm pernas e pés doloridos como os nossos. São os que foram tocados pelo amor de Deus e o respondem pela entrega total de suas vidas a este amor, pois a santidade é inserir-se numa travessia de amor sem dela jamais sair. O teólogo von Balthasar afirma que “ser santo é suportar o olhar de Deus”.  A pobreza e a humildade são elementos vitais na vida dos santos, pois não pode haver nada mais sublime do que a humildade e nada mais rico do que a pobreza consentida. No livro de Atos, Pedro restaura no paralítico a imagem de Deus e se não pode dar a pequena moeda que lhe fora pedida, deu, generosamente, a graça divina para em seguida curar o coração de milhares, “concedendo-lhes a fé (At 4, 4). O Papa Bento XVI exorta: “O amor de Deus não quer estar isolado em si mesmo, mas difundir-se” (Encontro com os Católicos comprometidos na Igreja e na Sociedade, no Konzerthaus, Friburg, 25.09.2011). A santidade não é um luxo, mas a condição vital do ser cristão que espera impacientemente para nascer. A santidade, mais que um dom, é uma possibilidade oferecida a todos. O Papa Bento XVI reitera: “A Igreja abre-se ao mundo, não para obter a adesão dos homens a uma instituição com suas próprias pretensões de poder, mas sim para os fazer reentrar em si mesmos e, deste modo, conduzi-los a Deus, Àquele de Quem cada pessoa pode afirmar como Agostinho: ‘Ele é mais interior do que aquilo que eu tenho de mais íntimo’(Confissões III 6, 11)”. Os santos e santas, de todas as religiões, pertencem a Deus, são conduzidos pela liberdade do seu Espírito e sabem que a habitação do Senhor está onde a comunidade fraterna se constituir. Mestre Eckhart proclamava: “Para a pessoa que sabe, Deus está em todos os caminhos”. Nesta Festa de Todos os Santos, os bem-aventurados, meditemos as palavras do místico Rumi: “Para os que amam, mulçumano, judeu ou cristão não existem. Para os que amam, fé e incredulidade não existem. Para os que amam, corpo, mente, coração e alma não existem. Para que escutar aqueles que não veem assim a situação? Se eles não amam, seus olhos não existem”.


CONTEMPLAR

Todos os Santos I, Wassily Kandinski, 1911, óleo sobre tela, 50 x 64,5 cm, Städtische Galerie in Lenbach, Munique, Alemanha.







segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O Caminho da Beleza 50 - XXXI Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 50
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).



XXXI Domingo do Tempo Comum             30.10.2011
Ml 1, 14-2,1-2.8-10                      1 Ts 2, 7-9.13                      Mt 23, 1-12


ESCUTAR

“Acaso não é um só o pai de todos nós? Acaso não fomos criados por um único Deus? Então, por que cada um de nós é desonesto com seu irmão, violando o pacto de nossos pais?” (Ml 1, 10).

“Trabalhamos dia e noite, para não sermos pesados a nenhum de vós. Foi assim que anunciamos o evangelho de Deus” (1 Ts 2, 9)

“Deveis fazer e observar tudo o que eles dizem. Mas não imiteis suas ações! Pois eles falam e não praticam” (Mt 23, 3).


MEDITAR

“Uma Igreja autorreferente seria um instrumento de confusão e de contratestemunho porque a marca do Anticristo é o falar em seu próprio nome, enquanto o sinal do Filho é a sua comunhão com o Pai” (J. Ratzinger, Discurso aos catequistas, 2000).

“Ter ouro falso é uma infelicidade suportável e fácil de descobrir; mas o falso amigo é o que existe de mais penoso de se descobrir” (Théognis de Mégore).


ORAR

            Este Evangelho deveria ser proclamado às portas fechadas, pois os acusados são a classe clerical, as autoridades de todos os níveis, os catequistas, os evangelizadores, os responsáveis por comunidades, gurus espirituais e teólogos de profissão liberal “que não se liberaram jamais” (João Cabral de Mello Neto).
            As denúncias se sucedem. Iniciam-se com a do profeta Malaquias que aponta o escasso interesse pela glória de Deus que acaba sendo compensado pelo prestígio pessoal e um cuidado neurótico com a própria imagem. Tudo se resume à ambição revestida de um culto pomposo, de um ritualismo exterior e de um exacerbado devocionismo. Como afirma o filósofo Gustave Thibon: “A decadência moderna é a decadência de um mundo cristão. Algo mil vezes pior do que a decadência do mundo antigo. É o apodrecimento, não apenas da natureza humana, mas do lugar de Deus no homem. A decomposição antiga era mais franca, mas o cadáver de nossa civilização está disfarçado de todos os atributos divinos: justiça, amor, verdade...”.
            O Evangelho condena o vale-tudo para uma conversão a qualquer preço: “Percorreis mares e continentes para fazer um só prosélito e, quando o conquistais, o tornais duas vezes mais digno do inferno do que vós” (Mt 23, 15). A Igreja de Jesus é um povo de irmãos, uma comunhão com o Pai, seguindo os passos do Filho e conduzida pelo Espírito. O ministério instituído por Cristo é, na sua mais íntima essência, um serviço; mas um serviço que não se reveste de um poder mundano, autoritário e absolutista, e muito menos de uma posição privilegiada que não corresponde nem ao Evangelho e muito menos à Igreja, Povo de Deus.
            Paulo nos recomenda a tratar a comunidade com tanta ternura, como uma mãe cuida do filho nas suas entranhas. Não somos funcionários de uma burocracia eclesiástica, pois a dor, a angústia e a solidão não acontecem e não cumprem os horários do expediente paroquial no qual a nossa disponibilidade tem hora marcada.
            Somos chamados a viver na profundidade das relações interpessoais ao criar vínculos que façam nossos irmãos participarem concretamente das nossas vidas cotidianas, como Jesus o fez. Devemos ser reconhecidos como servidores da comunidade e não como os que se servem dela ou desejam ser servidos por ela. Devemos nos comprometer a viver do essencial no seguimento de Jesus: anunciar a Palavra, celebrar a Eucaristia e construir a comunidade de fé.
            O Senhor sentencia: “Eu vos farei desprezíveis e vis aos olhos de todos os povos”. E o Senhor assim realiza o vaticinado porque perdemos, aos seus olhos e coração, a autenticidade e a credibilidade.
O cardeal Ratzinger alertava de que “as grandes coisas sempre começam a partir do pequeno grão e os movimentos de massa são sempre efêmeros”. Para ele, a “nova evangelização” deve estar preservada de toda retórica triunfalista e de toda a neurose de reconquista, pois não se trata de “alargar os espaços da Igreja no mundo”. E acentua: “Não buscamos a escuta para nós, não queremos aumentar o poder e a extensão das nossas instituições, mas queremos servir ao bem das pessoas e da humanidade, dando espaço Àquele que é a Vida. Essa expropriação do próprio eu, oferecendo-o a Cristo para a salvação dos homens, é a condição fundamental do verdadeiro compromisso pelo Evangelho” (Discurso aos catequistas, 2000).
Poucas exortações evangélicas foram tão ignoradas e desobedecidas como esta. As Igrejas multiplicam títulos, prerrogativas, honrarias que dificultam o viver como autênticos irmãos. Não podemos mascarar a realidade com a terminologia enganosa do “serviço” ou porque nos acostumamos a nos chamar de “irmãos” na liturgia. A questão não é de palavras, mas a de termos um espírito novo de serviço fraterno.


CONTEMPLAR

Comparecimento diante de Anás, Jean-Marie Pirot (Arcabas), 2003, óleo sobre tela, 81 x 65 cm, França.           



segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O Caminho da Beleza 49 - XXX Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 49
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).



XXX Domingo do Tempo Comum              23.10.2011
Ex 22, 20-26                      1 Ts 1,5-10               Mt 22, 34-40


ESCUTAR

“Não oprimas nem maltrates o estrangeiro, pois vós fostes estrangeiros na terra do Egito. Não façais mal algum à viúva nem ao órfão. Se o maltratardes, gritarão por mim e eu ouvirei o seu clamor” (Ex 22, 20-21).

“Irmãos, sabeis de que maneira procedemos entre vós, para vosso bem. E vós nos tornastes imitadores nossos e do Senhor, acolhendo a palavra com alegria do Espírito Santo, apesar de tantas tribulações” (1 Ts 1, 5-6).

“Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” (Mt 22, 36).


MEDITAR

“A fé é a luz interior que nos mostra nosso fim último e ilumina o caminho e nele nos conduz. A esperança alimenta na alma o desejo de atingir este fim, pois Deus nos garante o seu eficaz socorro. A caridade é o impulso irresistível da alma para se entregar em Seus braços e para possuí-Lo como seu próprio para todo tempo e a eternidade. Toda a perfeição cristã repousa sobre este triplo fundamento” (Cardeal Schüster).

“Amar é amar” (Guimarães Rosa).


ORAR

            Jesus era estranho ao fazer suas operações matemáticas. Quando tinha que multiplicar, dividia; para obter maiores resultados dizia: “Deixa, corta, perde, etc”. No judaísmo, existiam 613 preceitos dos quais 365 começavam com “Não” e os demais 248 com “Deves”. Jesus, ao ser provocado pelo doutor da Lei, soma todos os preceitos e os reduz a dois, ou melhor, a um, pois o amor de Deus e ao próximo são a mesma coisa e formam um único bloco.
            Jesus nos aponta o essencial ainda que continuemos, compulsivamente, a discutir os inúmeros preceitos que criamos. Enveredamo-nos em tormentos, remorsos, acusações detalhadas e afirmações absolutas do que é lícito ou não. Acabamos por colocar no centro da nossa vida o que não está no Evangelho e nos perdemos em minúcias ao perder o sentido da vida.
            Esta soma simplificada de Jesus, muitas vezes, é indigesta e, recusando o essencial, não aprendemos que o rosto do irmão torna-se um só e um mesmo rosto com o Pai. Jesus não oferece números, nem preceitos, mas rostos, presenças e duas relações vitais. Ele está impaciente para que saibamos, de uma vez por todas, que é preciso descobrir alguém para amar e somente conseguiremos isto se deixarmos de nos entreter com os números, sobretudo, os mais altos.
            O mandamento é o primeiro porque dá sentido aos outros e sem ele todas as práticas, observâncias e tributos religiosos estão privados de significado e de valor. O mandamento é o primeiro não por encabeçar a lista, mas porque está no centro e no coração da vida e “onde está nosso tesouro aí está o nosso coração” (Mt 6, 21).
            A novidade do Cristo é a de haver somado dois mandamentos, unindo-os estreitamente e de tê-los tornado inseparáveis. Somos nós que procuramos separá-los e pensamos que somos mais “religiosos” quando oramos, frequentamos os sacramentos e entramos pelas portas das igrejas. No entanto, o essencial para Jesus é que descubramos sempre um rosto para amar e não que decoremos as páginas de um texto.
            Amar não é necessariamente sentir e menos ainda estremecer e se agitar. Amar é querer o que Deus quer e fazer o que Ele nos manda. É unir na prática cotidiana a nossa vontade com a Sua ainda que possa ser dificultoso e contraditório.
            Como nos escreve Bento XVI: “As afirmações da Sagrada Escritura indicam que tudo o que existe não é fruto de um acaso irracional, mas é querido por Deus, está dentro do seu desígnio, em cujo centro se encontra a oferta de participar na vida divina de Cristo” (Verbum Domini, 8).


CONTEMPLAR

Le Bon Samaritain, Macha Chmakoff, s.d., 73 x 56 cm, Diocese de Valence, França.












terça-feira, 11 de outubro de 2011

O Caminho da Beleza 48 - XXIX Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 48
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).

Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).



XXIX Domingo do Tempo Comum             16.10.2011
Is 45, 1.4-6              1 Ts 1, 1-5                Mt 22, 15-21



ESCUTAR

“Isto diz o Senhor sobre Ciro, seu ungido: Armei-te guerreiro, sem me reconheceres, para que todos saibam, do oriente ao ocidente, que fora de mim outro não existe” (Is 45, 1.5).

“Damos graças a Deus por todos vós, lembrando-vos sempre em nossas orações. Diante de Deus, nosso Pai, recordamos sem cessar a atuação da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 1,2-3).

“Os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus em alguma palavra. ‘Dize-nos, pois, o que pensas: é lícito ou não pagar imposto a César?’ Jesus percebeu a maldade deles e disse: ‘Hipócritas! Por que me preparais uma armadilha?’” (Mt 22, 15.17-18).



MEDITAR

“O Reino de Cristo é anunciado quando o ser humano é liberado do que o oprime: o dinheiro e o desprezo. O ser humano torna-se livre quando o poder se faz serviço; quando a partilha e a solidariedade tornam-se os novos modos de viver em sociedade e na Igreja” (D. Bernard Hubert).

“A Igreja, conscientemente, deve renunciar aos privilégios, que em lugar de favorecer a sua tarefa, se constituem um empecilho. O silêncio e a acomodação seriam, em muitos casos, o modo mais fácil de angariar simpatias e proteção” (CNBB, 1972).



ORAR

            O profeta revela o paradoxo representado por Ciro, o rei da Pérsia. Deus confere o título de cristo/ungido a alguém que nem O conhecia. Deus surpreende quando um não-crente, sem etiquetas religiosas, é chamado para realizar as Suas obras. Os judeus haviam buscado a segurança ao estreitar as alianças, ao fazer pactos com os poderosos de plantão e acabaram por esquecer que a segurança estava garantida, unicamente, pela fidelidade ao Senhor. Os pactos espúrios não impedem a ruína, ao contrário, causam-na mais cedo ou mais tarde.
            A salvação chega, inesperada, pelo novo e incrédulo rei da Pérsia e graças a ele, os judeus podem voltar a sua terra e, deste modo, o rei se converte, sem saber, em servo do Senhor. Na lógica de Deus, os inimigos podem se tornar nossos verdadeiros benfeitores: o édito de Ciro convence mais do que o de Constantino que, com suas concessões privilegiadas para a Igreja, subtraiu-nos, até hoje, o essencial da autenticidade evangélica.
            A armadilha dos fariseus contra Jesus parecia perfeita. Caso respondesse negativamente poderia causar uma rebelião contra Roma; caso aceitasse o tributo seria desacreditado pelos que viviam na miséria por causa dos impostos.
            Jesus pede para ver a moeda do tributo e expõe os seus interlocutores a um flagrante delito: dentro do Templo tiveram que mostrar a moeda de prata com a inscrição: “Tibério César, filho do divino Augusto, augusto”. Os judeus piedosos, tidos como escrupulosos, ao portarem nos lugares santos estas moedas, reconheciam a dominação romana e pagavam com elas suas taxas e impostos. A questão colocada por eles para Jesus se revelava, portanto, sem valor e uma pura hipocrisia.
            Ao lhe perguntarem sobre os direitos de César, Jesus responde reafirmando os direitos de Deus. A moeda continha a imagem do imperador, mas o ser humano é a “imagem de Deus” e por esta razão nunca poderá ser submetido a nenhum poder imperial. Os pobres são os diletos de Deus, o Reino lhes pertence, e, por isso, não se pode abusar deles. A face da moeda de Deus é o rosto do pobre.
            Jesus não afirma que uma metade da vida, a material, pertence à esfera de César e que a outra metade, a espiritual, à esfera de Deus. Jesus diz que se entramos no Reino não devemos consentir que nenhum César submeta aqueles que só a Deus pertencem: os famintos do mundo, os abandonados e os proscritos das cidades.
 Jesus exige uma afirmação de princípios que pode nos conduzir a uma permanente perda de poder institucional político e religioso. Não devemos esquecer que aquele que não perseverou nos princípios de Jesus foi o mais revolucionário dos apóstolos e o mais comprometido com o movimento de libertação do Império Romano: o zelota Judas Iscariotes. Ele é quem trai ganhando trinta moedas dos que sempre se locupletaram com o poder romano.
Guardemos em nossos corações o que escreveu Emmanuel Mounier: “O homem só se torna homem quando é capaz de defender e viver com princípios que valem mais do que uma vida”.



CONTEMPLAR

Cristo della moneta (detalhe), Tiziano Vecellio, 1516 c., óleo sobre tábua, 75 x 56 cm, Gemäldegalerie Alter Meister, Dresden, Alemanha.







segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Caminho da Beleza 47 - XXVIII Domingo do Tempo Comum

O Caminho da Beleza 47
Leituras para a travessia da vida


A beleza é a grande necessidade do homem; é a raiz da qual brota o tronco de nossa paz e os frutos da nossa esperança. A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, a obra bela é pura gratuidade, convite à liberdade e arranca do egoísmo” (Bento XVI, Barcelona, 2010).


Quando recebia tuas palavras, eu as devorava; tua palavra era o meu prazer e minha íntima alegria” (Jr 15, 16).




XXVIII Domingo do Tempo Comum                     09.10.2011
Is 25, 6-10               Fl 4, 12-14.19-20              Mt 22, 1-14


ESCUTAR

“O Senhor dos exércitos dará neste monte, para todos os povos, um banquete de ricas iguarias, regado com vinho puro, servido de pratos deliciosos e dos mais finos vinhos. O Senhor Deus eliminará para sempre a morte, e enxugará as lágrimas de todas as faces, e acabará com a desonra do seu povo em toda terra” (Is 25, 6.8).

“Sei viver na miséria e sei viver na abundância. Eu aprendi o segredo de viver em toda e qualquer situação, estando farto ou passando fome, tendo de sobra ou sofrendo necessidade. Tudo posso naquele que me dá força” (Fl 2, 12-13).

“Então os empregados saíram pelos caminhos e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a sala da festa ficou cheia de convidados” (Mt 22, 10).


MEDITAR

“Cada concessão só enfraquece aquele que a faz e ofende mais ainda aquele que a obtém” (Gustave Thibon).

“Se é preciso paciência para suportar as misérias do outro; necessitamos mais ainda para aprender a suportar a nós mesmos”   (Padre Pio).


ORAR

            O profeta Isaías nos convida a sonhar o inimaginável, os projetos mais incríveis e os propósitos mais impossíveis de um Deus cuja realidade está infinitamente mais longe do que os nossos desejos mais audazes e loucos. Temos sido rasos e medíocres para imaginar as coisas maravilhosas que o Senhor realiza em nós e o futuro que Ele nos prepara.  O profeta nos faz saber que o que nos conduz ao Paraíso é sermos capazes de sonhar o impossível.
            A parábola do banquete foi muito popular entre as primeiras gerações cristãs. Deus está preparando uma festa final para os seus filhos e filhas, pois deseja ver a todos sentados com Ele ao redor da mesma mesa e desfrutando, para sempre, de uma vida plena e em abundância.
            Esta foi uma das imagens mais queridas por Jesus para sugerir a plenitude dos tempos. Ele compreendeu e viveu a sua vida como um grande convite em nome de Deus. Não impunha nada e nem pressionava ninguém. Anunciava a Boa Nova, despertava a confiança, arrancava os medos, aniquilava as angústias e devolvia a alegria.
            O Evangelho fala sobre o banquete e esta parábola é conduzida por uma série ininterrupta de surpresas. A primeira, a apresentação do Reino de Deus como um banquete de bodas, símbolo por excelência da alegria do encontro, da comunhão e da intimidade. A segunda, a recusa absurda dos convidados pela sua indiferença, distância e fastio. A terceira surpresa, é que o desígnio de Deus não se interrompe apesar da falta de adesão dos convidados privilegiados. Deus não suspende a festa, pois o Evangelho rechaçado por uns encontra uma inesperada acolhida em outros corações.
            A quarta surpresa, como uma reviravolta dramática, é protagonizada pelo homem surpreendido sem a veste de festa. O evangelista quer que saibamos que não é possível ser cristão sem mudar a própria conduta, uma vez que as exigências éticas contam no reino de Deus. A seriedade do compromisso é a condição para que a festa seja verdadeira. Aquele que, por descuido ou desleixo, não veste o traje da festa inverte a gratuidade do convite e no seu orgulho está convencido de que é o Senhor que deve lhe agradecer por ele estar presente. Ele exclui a si mesmo da mesa por ter se contentado com a tênue luz que iluminava a si próprio.
            Paulo nos fala sobre o segredo de viver. No mundo todos somos pressionados, sem pudor, pela força do dinheiro, mas ele nos revela que encontrou em outra parte o que o alimentou para o anúncio do Evangelho: “Tudo posso naquele que me dá força”. Paulo revela que tudo poderemos sem o dinheiro e que tudo podemos, precisamente, por não termos dinheiro. Saberemos viver na pobreza e na abundância, pois aprendemos o gosto da liberdade dos que não fazem das suas posses os seus grilhões.
            Aos que planejam usufruir de tudo e de todos, sem nunca oferecer e entregar nada a ninguém, estes serão a comida e a bebida do banquete profetizado por Ezequiel: “Dize aos pássaros, a tudo o que voa, a todos os animais selvagens: Reuni-vos e vinde! Podereis comer carne e beber sangue. Podereis comer carne de heróis e beber sangue dos governantes da terra. Comereis gordura até saciar-vos e beberei sangue até embriagar-vos: é o banquete que vos preparei” (Ez 39, 17).


CONTEMPLAR

Parábola da Festa de Casamento, Anônimo, s.d., fonte: http://philortodox.blogspot.com.